Caça Menor      

 

 

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Phantom 
 


Deixa ver se isto já funciona… se não aparecer nada é porque ainda não apanharam os talibãs que têm sabotado o fórum nos últimos dias, lolol

Então é assim: fica aberto o tópico desta lua; outros que tirem o pó a mais porcos em esperas neste mês, botem aqui as fotos. Adiante.


A história:

Sexta feira, piro-me cedo de Lisboa e chego lá com bastante luz. O cevadouro onde na lua anterior andava o gabiru grande ainda tinha milho, o que significava que estava incerto nas visitas. Ficou de lado a hipótese de ir para lá, até porque um amigo meu abriu outros cevadouros a menos de 600 metros, seguramente a merecerem também atenção repartida do bicho (voltará ao meu se e quando quiser, lol).

Dos restantes cevadouros escolhi o que me oferecia melhor vista, com a caixa de milho colocada a 64 metros num vale com uma horta aberta, entre poucas oliveiras, ainda que com estevas densas e altas a nordeste. Chega a hora e vou pela encosta sul caladinho que nem um rato, abanco-me a meio, entre pinheiros baixos, e espalho a tralha no chão.

Às oito horas, mais coisa menos coisa, ouço barulho trás de mim, feito por um bicho que vinha pelo trilho que eu havia usado momentos antes. Fui dizendo baixinho “Raposa! Raposa! Que seja raposa!”, mas a uns 10 metros de mim o desejo esfumou-se. Saiu o suspiro, o ronco e a corrida da praxe, pelo meio da negridão dos pinheiros baixos, sem que eu conseguisse apontar ao porco. Fui descoberto.

Como sabia que o cevadouro era frequentado por mais do que um javali, ainda fiquei lá mais uma ou duas horas. Em vão, diga-se, pois nem a coruja me veio visitar.

No sábado impunha-se uma revisão na estratégia para não ser lixado outra vez. Mudei para Este, para um local a 81 metros da caixa mas também com alguma visibilidade para a encosta onde tinha sido topado, não fosse o tipo vir à minha procura outra vez pelo mesmo sítio.

A mira na arma era a zeiss e o anel de ajuste vertical marcava 3 clicks abaixo da anterior marcação, fruto de ajustes de última hora, daqueles feitos a olho e por presunção depois do último tiro dado na folha de papel. Daqueles em que dizemos “pronto, agora é que deve estar”, metendo de seguida a arma no estojo.

A lua mostrava os dentes de vez quando, mas na maior parte do tempo mal se via por onde andava devido às nuvens que percorriam o céu com alguma velocidade. Ainda o frio verdadeiro não me tinha atingido as orelhas quando estas detectaram barulhos no mato, que rumavam à caixa. Nem um minuto depois já um cliente se servia despreocupado. Com todo aquele à vontade, não podia ser o esperto da noite anterior. Mas era-me indiferente que fosse ou não: estava ali, bem no meio dos binóculos.

Puxo a arma acima e não houve dificuldade em encontrá-lo algures junto do cruzamento dos traços do retículo. Como é longe, decido usar mesmo o tripé em vez do joelho. Aponto e disparo. E ele pira-se.

No meio de um cagaçal medonho enfia-se no esteval alto e começa a bufar. Volta e meia larga um ronco e começo a pensar que não está sozinho, que talvez haja mais que eu não tenha visto. Continua no barulho mas não sai dali. Algo está mal, sinto-o, mas aguardo calmamente que decida se quer voltar ao milho ou dar ao pedal dali para fora. E ele aguarda também que eu me mostre.

Farto daquilo, levanto-me e tento aproximar-me da entrada do mato. O gajo começa aos urros mas não arreda pé. Imagino que possa estar ferido, talvez perto de ir ver do S. Pedro, e decido aguardar mais um bocado. E ele cala-se. Só roncava quando me ouvia a mexer. E quando ele roncava, eu calava-me, para tentar saber se se estava a aproximar de mim.

As estevas eram altas e o terreno em rampa. A vantagem era dele. Não sabia se era grande ou pequeno, pois era a segunda noite da lua, com céu encoberto, e o tiro foi dado a uma distância jeitosa. Nada disto me deixava contente nem me protegeria as pernas se o gajo decidisse arrancar direito a mim. E continuei à espera.

Algum tempo depois era-me já óbvio que se ele não se pirava era porque não conseguia mesmo, mas a resposta a todas as outras questões tardava em aparecer. Foi uma perna ao ar? Foram as duas? Não apanhou na caixa nem na coluna, ou não teria andado tanto nem permanecido vivo durante tanto tempo.

Cada vez que olhava para a encosta perguntava-me como poderia dar com o gajo no meio de tanta vegetação, com mato mais alto que eu. Podia estar em qualquer lado, ou chegar a qualquer lado depressa se eu metesse pés ali dentro. Nem luz alguma me salvaria pois teria de abrir caminho com a arma, de tão denso que era o esteval. Resolvi ligar a amigos.

Precisamente ninguém saber ao certo o que ali estava, como estava e porque ali estava, demorámos um bom bocado até decidirmos entrar, lol. Mas não sem antes para lá largarmos três orelhudos pisteiros. Dois deles deviam achar que estavam de folga mas o outro percebeu logo o que era suposto fazer. Foi direito ao porco. Mas durante um bom bocado, foi o único, lololol, pois nenhum de nós lhe quis fazer companhia.

Como o cão continuava a ladrar, decidimos ir avançando. Com vontade de dar à sola cada vez que se ouvia reboliço, diga-se, embora nenhum soubesse bem para onde fugir no meio de todo aquele mato e toda aquela escuridão. Felizmente o raio do porco foi subindo a encosta e entrou numa zona onde havia alguns pinheiros e menos estevas, o que nos permitiu espreitar por alguns corredores. E num deles demos com o gajo de costas, a tentar manter o focinho virado para o cão. Dado o avançado estado da hora, assim que o cão se desviou um bocadinho, dei-lhe um tiro na nuca, lololol. E carregámos o gajo pelo esteval abaixo.

Naturalmente fiquei irritado por o gajo não ter dentes, pois bem me podia ter dito aquilo mais cedo. O mais certo era tentar resolver o assunto sozinho, lol. Fiquei também lixado comigo mesmo por causa dos clicks verticais de última hora no retículo, pois conjugados com a pouca luz, o menor tamanho do porco e com a distância fizeram com que a bala partisse uma pata da frente e tirado toda a carne dos tendões da outra, falhando a caixa por meros dedos. Nunca um porco me deu tanto trabalho, mas também nunca uma bala havia descido tanto.

Obviamente, voltei a subir o retículo para a posição anterior. E ali fica, pois prefiro que o projéctil lhes roce a crista ou lhes arranque as carraças do lombo do que voltar a bater-lhes nas pernas. É que depois só apetece chamar um helicóptero para largar uma bomba ou metralhar a zona, lololol.

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