Caça Menor      

 

 

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Caro Confrade João Acabado

Esse lado é também o meu, mas temos que olhar para um panorama cinegético um bocadinho mais alargado, e até mais internacional.

Como bem nos disse o Confrade Inácio aqui há tempos, a tradição já não é o que era, e parafraseando um outro "práctico", Extremeño, conhecido por Luis Ladrón (vá-se lá saber porquê - LOL) " la tarta se quedó corta para tantos comensales".

A verdade é que não é possível hoje em dia satisfazer a procura sem recorrer à dita injecção de capital cinegético, já que os Estado nos cobra taxas para nos concessionar aquilo que não tem, nem produz, caça.

Todos temos noção da tremenda redução da quantidade de habitat e "paparoca" para as vermelhudas comparativamente ao existente há 40 anos e, o proporcionalmente inverso acrescido número de caçadores, contando ainda, que pelo meio houve o "tal" desastre cinegético.

Tornou-se assim comum e vulgar observar nos nossos campos os tais "bidons" alimentadores de àgua dos bebedouros artificiais, e comedouros artificiais sob Jaulas de protecção, e armadilhas ou gaiolas para saca-rabos e raposas, e etc..., e etc..., e etc..., a que "nós" tivémos que nos habituar, mas que muitos dos mais novos nem sequer estranham, pois nunca conheceram o campo sem essa parafrenália.

Tornou-se igualmente comum que até os canitos, que só vêm ao campo meia dúzia de vezes ao ano, mais fácil e rápidamente se arranquem no rasto das "farinhentas", como muitos as designam, do que no das autóctones, é que estão muito mais habituados às primeiras.

Vivemos dias de "fast food" e de "fast tudo", e os "gaiatos" na sua grande maior parte já julgam que leite vem do...pacote, é claro, e que até as hortaliças a fruta e tudo mais crescem naqueles expositores das "grandes superfícies".

Assim, as Zonas de Caça, não importa de que "marca e modelo", têm de facto necessidade de fazer frente aos respectivos custos, que a serem pagos só com "as bravas", é mentira, já haviam fechado a grande maior parte.

Para além do tremendíssimo erro de entregar a gestão das ZC's aos próprios usufrutuáriso, terrenos cinegéticos há, e do melhor, cujas ZC's, não têm sócios suficientes, por escassez de caça, e igualmente por escassez da cultura de caça, pois a malta chega cedo e cedo quer abalar, e de preferência com um cinto jeitoso, trazem um canito mandado treinar a um profissional do ramo, usam uma espingarda por alvejar fiando-se na opinião que os amigos deram sobre os melhores cartuchos, caçam com o vento pelas costas, cruzam os cabeços a direito pelo cume, em grupos de três ou quatro em terreno limpo, bom, é melhor ficar-me por aqui, creio que já viram o quadro.

Conheço situações de cúmulo, em que o proprietário prefere manter lá o grupo de sócios actual, que de há três ou quatro anos a esta parte já perdeu mais de uma dúzia de sócios num total de meia centena, porque a malta "tá tesa", e receber metade do acordado pelos direitos de exploração cinegética, do que ter que renegociar com alguém que não conhece.

Bem reflexo disto é a crescente apetência e exploração de espécies migratórias que, por exemplo no Alentejo que é a região que melhor conheço, aqui há uns anos atrás, ninguém caçava, dizia-se mesmo que "aqueles passaritos nã valiam o cartucho", como bem sabem os genuínos, mas o dito era igualmente vulgar na Beira Alta e Trás-os-Montes, vá lá agora qualquer ZC sobreviver sem vender as portas aos tordos, às rolas e aos pombos, hajam ou não, e por isso tanta preocupação com o tema, poucos são os que realmente estão preocupados com a espécie de per si.

Atalhando, que me estou a esticar, no actual panorama, caçadores correspondentes à definição que nos parece digna dessa nomenclatura, poucos restam, e as zonas de caça o que têm são clientes, uns mais caçadores que outros, tanto de caça menor como de maior, ou alguém duvida que se proporcionar-mos aos actuais monteiros, um lance de remate à faca, três quartos deles apesar de ostentarem a tal "Muela" não o sabem nem querem fazer, mas têm uns poucos de troféus lá em cima da chaminé, é assim entraram "fast" na arte e por consequência não aprenderam o básico, e foi exactamente nesse mesmo saco que ficou a ética e a "solera", já que o equipamento, esse vem todo, e novinho em folha, e aqueles AMI8 e Dyanes e 404's, desapareceram, é mais é, jipes BMW, e TOYOTAS E HYUNDAYS E NISSANS....... e a malta sai de casa na própria manhã, e começa a caçar depois de satisfazer todos os trâmites legais e inscrições e pagamentos e, ufa, gaita!!! e quando é que arrancamos a caçar? às 9h30'?

São os tempos a mudar, já que para evolução o meu conceito não se adequa a estas desmandas, mas a verdade é que sem os ditos reforços "de capoeira", a coisa ficava preta, e inversamente ao que o meu amigo referiu, na generalidade é às Turísticas que é possível manter as bravas, pois logram vendê-las pelo preço que elas valem realmente.

É assim, os tempos mudaram, e não nos resta mais que aceitá-lo, e tentar passar o que sabemos, porque a verdade é que a paixão pela caça daqueles que têm o tal gene tão raro, reluz de imediato perante os relatos de outrora, parecem hipnotisados, boquiabertos que ficam embalados nessas descrições, tal como nós ficámos na idade deles.

Desculpe-me lá o alongado da resposta Confrade João, mas, só aqui, na internet, é que hoje em dia encontro os amigos com quem "falar de caça".

Aquele abraço

 

 

 
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