Caça Menor      

 

 

Perdizes à cavalo e... confessando mais um pecado.  10-09-2009 23:55:09 Escrito por hernethehunter  (0 Respostas)  

 


Perdizes à cavalo e... confessando mais um pecado. 

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hernethehunter  10-09-2009 23:55:09
 
 

Caros Confrades:

Meu post e os comentários me fizeram lembrar de duas histórias:

A primeira é de um tio de um colega meu que caçava perdizes... à cavalo. Quando ouvi não acreditei, mas conheci o velhote pessoalmente e confirmei: o sujeito tinha uma perna aleijada, e como sempre fora antes do acidente caçador fanático treinou um pangaré para se acostumar com o som dos tiros e seguia o cachorro montado nele. O cavalicoque era tão apático e tranqüilo que ficava absolutamente imóvel mesmo com as rédeas soltas. Para quem prefere cavalgar a andar (como eu) não é uma má solução...

A segunda é uma confissão de mais um dos meus pecados, num episódio que foi não só a maior proeza cinegética da minha vida à cavalo como também uma das maiores cagadas que já fiz com testemunhas por perto. Foi assim:

Atravessei a Patagônia à cavalo duas vezes, em 96 da Argentina para o Chile e em 97no caminho inverso. As lebres são abundantíssimas por lá, e cheguei a improvisar umas caçadas com uns descendentes de galeses (dos quais a Patagônia é cheia) e uns mestiços de Whippet; tudo muito divertido. Uns dois dias depois entrei no Parque Nacional Torres Del Paine (um lugar maravilhoso) e conheci uma guarda-parque voluntária, uma inglesinha que tinha ido até a Patagônia como funcionária da Disney para fazer sketches para “A Nova Onda do Imperador” e acabou se apaixonando pelo lugar e ficando por lá. Os Confrades sabem como é: a solidão dos pampas... No amor, na caça e na guerra... Para acabar o suspense, acabei tendo o que por aqui chamamos de “um rolo” com a menina, e dando um descanso nas minhas nádegas cansadas.

Lá pelo segundo dia juntos saímos para uma volta a cavalo; era a ronda habitual dela. Foi aí que uma lebre saiu do capim, correu um pouco e parou mais adiante. Tangenciei o cavalo na direção oposta, como se estivesse me afastando dela, enquanto soltava o loro do estribo, e empunhando a correia nas mãos com o estribo pendente parti para cima dela. Um galope rápido, uma girada do estribo como se fosse um taco de pólo e... acertei a lebre bem no meio. O bicho rolou um pouco e parou, já nos estertores.

Freei o cavalo, exultante: eu tinha conseguido fazer uma “australiana” (dizem que era assim que os “drovers” da Austrália matavam dingos) na frente de uma testemunha! E certamente ela estava admirada da minha proeza! Me Roy Rogers, you Jane!

Foi então que vi a profunda expressão de desgosto na cara da minha namoradinha, e percebi que eu acabara de:
a) matar o coelhinho da páscoa;
b) num parque nacional;
c) na frente de uma guarda-parque;
d) que tinha se mudado para lá porque era antes de mais nada uma “ambientalista” roxa.

Não fui preso nem autuado (minha defesa seria “privação momentânea dos sentidos, provocada pelos movimentos inesperados de um roedor”, acho que não ia colar), mas daí por diante minha melhor companheira das minhas noites gélidas da Patagônia foi unicamente minha mão direita – a mesma que eu usara para chapuletar a inocente lebrinha.

Saudações em Santo Huberto do,

Sérgio.

 
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