Caça Menor      

 

 

Perspectivas para 2011...  30-03-2010 4:38:03 Escrito por hernethehunter  (6 Respostas)  

 

Confrade Sérgio  11-04-2010 2:11:35 Resposta por joaoacabado   

 

Primeiros sucessos....  18-04-2010 6:51:09 Resposta por hernethehunter   

 

ahhh...  18-04-2010 11:34:24 Resposta por Maiti   

 

Gostei de ler...  18-04-2010 15:28:58 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

Continuação de bons passeios campestres.  18-04-2010 16:01:03 Resposta por joaoacabado   

 

Continuação de bons passeios campestres.  18-04-2010 16:08:14 Resposta por joaoacabado   

 


Perspectivas para 2011... 

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hernethehunter  30-03-2010 4:38:03
 
 

Este ano, em maio, devo fazer o que pode ser minha última caçada de javalis. É que eles não existem na região onde vou morar, e a idéia de me deslocar no futuro 1.250 km. de carro (de avião seria ainda mais complicado) me é francamente infensa; sou o pior motorista do mundo (pelo menos tenho consciência das minhas limitações) e de qualquer jeito ficaria muito caro.
Da mesma forma, a caça aos patos e aos faisões vai ficar também muito difícil, e fora uma ou outra extravagância futura, acho que minhas espingardas (o jeito que chamamos as caçadeiras) e meus rifles vão ficar calados daqui por diante.
Mas nunca vou deixar de ser caçador, e no meio de tantas notícias ruins tive uma muito boa – e por acaso.
Já disse uma vez que a caçada que eu mais gosto é a de corso; foi nela que comecei depois de uns tiros mais ou menos à esmo nas narcejas e nas pacas. Comecei nos veados no Sul de Minas e em São Paulo, parei quando fui fazer minha pós-graduação na Inglaterra, mas provei lá duas caçadas à raposa e aprovei. Quando voltei para cá andei por Ceca e Meca, sempre longe do pessoal do corso (minto, devo ter caçado com eles mais umas duas ou três vezes pelos vinte e muitos anos). Aos vinte e nove terminei meu segundo curso (Direito), e vim para o Paraná, onde ninguém faz idéia do que seja corso, e nunca mais os vi. Em compensação, entre 1990 e 2000 fui religiosamente à Irlanda todos os janeiros (menos em 99) caçar raposas, e só parei quando adoeci (história que já contei).
Mas com a proibição à caça de 1986 e a lei draconiana de 1994 as notícias que eu tinha da turma do corso eram as piores possíveis: era uma espécie em extinção, já que corso furtivo é impossível – quarenta cachorros e outros tantos cavalos com os cavaleiros buzinando e dando vivas dificilmente passam despercebidos. Ouvi falar de velhas matilhas (algumas centenárias ou mais) extintas, de cavalos vendidos até para o açougue, de velhos veteranos que insistiam até serem intimados ou presos e então desistiam. E ninguém chorava por nós, aparentemente, mas agradecia a partida dos “cortadores de cerca” e dos “pisoteadores de pasto”. Tudo muito triste.
Em síntese: não só as matilhas como os “americanos” (foxhounds americanos) eram, eles sim, uma espécie extinta.
Pois pouco depois da morte do meu pai o Chico – um primo do qual eu tinha me distanciado, mas só geograficamente, e que ficou ao lado da minha família naqueles momentos difíceis – me liga e me convida para me filiar à Associação dos Criadores de Hounds do Brasil.
Disse a ele que não iria criar cães de caça para madames, e ouvi de volta uma risadinha marota e um conselho: que entrasse no site da Associação, e depois dissesse a ele o que eu achava...
Pois fui ao site – e vale a pena a visita, no www.houndsdobrasil.com.br . A música de fundo já diz tudo - ;-) , mas para os confrades d’além mar explico: a turma não está mais caçando ;-) , mas sim... “treinando hounds”. Funciona assim: nos fins de semana saem os cães e os cavaleiros pelo campo, mas só para treinamento... Calculo que se os cães barroarem alguma peça alguém da turma dispare um raio paralisante e os imobilize, para não ficar parecendo caçada... Do jeito que anda a tecnologia hoje em dia...
De qualquer forma, metade dos associados está na minha árvore genealógica e uns outros trinta por cento são conhecidos ou filhos de conhecidos, e, como dizia o Capitão Renault do Casablanca, são os “suspeitos de costume”. E aproveitei para reservar um casal em duas ninhadas a nascer no fim do ano para formar a minha futura matilha de “farejadores”, e pretendo – lógico – me associar então.
Parece que no fundo – a associação promove encontros concorridos e coleta uma razoável quantia em dinheiro – as relações públicas vão bem porque algumas matilhas são emprestadas a programas de colocação de rádio-colares em onças e outros animais. E a taxa de sucesso do corso sempre foi baixíssima, e limitada a animais velhos e doentes. A graça, como no namoro, está na perseguição.
Bom, me resta: 1) Dar graças a Deus porque Brasil é Brasil, e só aqui mesmo é que acontecem coisas assim...; 2) Olhar uma boa égua, porque meu Campolina não consegue saltar; 3) Parar de discutir munições e comprar um bocal de buzina novo, porque o que se acoplava na velha armação de chifre que foi do meu trisavô eu perdi...
E, é lógico, contar futuras proezas e potocas no Santo Huberto, e pedir conselhos aos Confrades...
Saudações aos Confrades do,
Sérgio.

 
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