Caça Menor      

 

 

Lua de Abril  26-04-2010 20:51:34 Escrito por xico86  (7 Respostas)  

 

Muito bem.  26-04-2010 21:29:46 Resposta por Inácio   

 

Parabéns!  26-04-2010 22:41:39 Resposta por alectorisrufa   

 

Parabens  27-04-2010 9:26:07 Resposta por paulo farinha   

 

Ontem,  28-04-2010 21:50:09 Resposta por alectorisrufa   

 

Pois é...  29-04-2010 0:15:27 Resposta por xico86   

 

Eu e a minha mania das calmas!  30-04-2010 8:27:10 Resposta por alectorisrufa   

 

Fogo...  30-04-2010 16:45:26 Resposta por xico86   

 


Lua de Abril 

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xico86  26-04-2010 20:51:34
 
 

Pois bem , chegava o primeiro fim de semana de Lua, e havia que marcar “presença” pelo menos nas noites de 6ª e sábado…

Na noite de 6ª, fiquei-me por um cevadouro num eucaliptal. Por volta das 23h ainda ouvi os porcos, mas já deviam estar de barriga cheia, e por ali não mais apareceram até à hora em que despeguei.
O meu pai ficou-se por uma banha que tem sido visitada regularmente, mas o resultado era igual ao meu, quando o fui recolher já bem perto das 3 da manhã.
Após a visita diária aos cevadouros, a banha onde o meu pai se tinha colocado de véspera apresentava-se bem mexida, pelo que estava à vista que o bicho era madrugador…
Chegada a noite de sábado, o meu pai decide-se a ficar no mesmo local da noite anterior, mas desta feita, só de lá sairía pela manhã, ou quando atirasse… (Coragem a dele!)
Após o deixar pelas 19h15, desloquei-me para onde eu iria ficar nessa noite…
Tinha como companhia o Tiago, que se começa a apaixonar por esta modalidade, e que mais uma vez me quis acompanhar numa destas noites de “luta”…
O rapaz tem o dom de me dar sorte, pois em 4 esperas que leva feitas comigo, em 3 delas vimos porcos…
Colocamo-nos por volta das 19h30.
O local de espera é formidável, sendo um dos meus preferidos, pois tem uma grande charca, rodeada de esteva e alguns silvados nas suas costas.
Do local onde nos colocamos, temos visão para todos os lados, tendo só um pouco de mato nas costas, onde à partida não estão os porcos, devido ao reduzido tamanho da área de mato.
Com o sol a beijar a crista do monte, vêem-se os últimos raios que iluminam a aldeia que se avista ao longe, em mais uma despedida até ao dia seguinte! Uma vista magnífica que merecia uma fotografia!
Após nos acomodarmos devidamente nas cadeiras desdobráveis, respirei fundo…estava a caçar!
Ali perto ouvia-se o canto da perdiz, o voo das pêgas e restante bicharada que se preparava para a recolha. O fim de tarde estava agradável, a convidar apenas o uso de um polar, e a lua já estava lá no alto…
Ainda não haviam 15 minutos passados e toco no braço do Tiago, parecera-me ouvir grunhidos, mas ainda era dia, achei estranho!
Tento concentrar-me a recordar o ruído ouvido, para me certificar se teriam mesmo sido os porcos que já por ali andavam…
Mal tenho tempo de pensar e já uma porca com 5 listados surge na nossa frente directa ao cevadouro. Eram 20h, ainda haviam muitos minutos de dia! A espera já começara a valer a pena. Ele dava-me mesmo sorte!
Saboreamos aquele momento até que ela quisesse abalar. Limpou todo o milho disponível, revirando as pedras e dando pancada num ou noutro listado que se intrometesse entre ela e o manjar… Era uma porca aí de uns 60 ou 70kg e os listados não deveriam ainda ter 3 semanas…
Resolvemos tentar tirar umas fotos com os telemóveis, porém era em vão!
O zoom do telemóvel distorce muito a imagem e não conseguíamos ver a porca no visor do telemóvel. Acabamos por desistir, até que me lembrei em encostar o telemóvel aos binóculos a ver o que dava…
Conseguimos algo sem muita nitidez, mas já era alguma coisa…



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Por volta das 20h45 a porca saiu como se nada fosse pelo local por onde entrara.
Recompusemo-nos e comentámos algumas coisas em surdina.
A luz já era escassa mas ainda conseguimos ver 3 patos fazerem-se à água, fazendo o seu barulho característico ao pousar.
O gosto que tenho por fazer esperas em charcas, é a imensidade de vida que as rodeia, desde o coaxar das rãs, passando pelos patos e lebres que se abeiram dela para matar a sede… Ali nada é parado, e há sempre movimento, o que nos põe em constante alerta e nos proporciona uma sinfonia comparável à melhor obra de Beethoven.
Por volta das 21h15, um sexto sentido obriga-me a rodar o tronco quase 180º para as minhas costas (!)e qual não é o meu espanto quando vejo um vulto negro passar a 30 ou 40m do carro que tinha ficado a uns 150m nas nossas costas.
Parecia grande, os binóculos confirmaram-no de seguida.
O vento soprava-nos na cara, mas estávamos num alto, o que impedia que o bicho nos sentisse. Ele subia agora a 120º à minha esquerda e numa cota mais baixa. Pela passada, estava relaxado e confiante.
Fiz sinal ao Tiago para nem um pio dar, ele respondeu-me com um sinal abrindo os braços, como que dizendo: “É grande!!”
O coração estava agora a 200, inspirei e expirei aí umas dez vezes, - Meu Deus, como isto mexe comigo, pensei!
O porco estava agora encostado à parede de pedra de um pequeno olival abandonado que ali existe. Andava, fossava, andava… que sofrimento.
Parou a 50m à minha esquerda, estava agora a 90º , coloquei-lhe a cruz na pá direita, suspirei…e não fiz nada. Notava a minha pulsação ainda bastante elevada, o bicho metia respeito! Deixei-o dar mais meia dúzia de passos na direcção do cevadouro, coloquei a cruz na caixa e o tiro soou.
O bicho correu na direcção da parede da charca, parou e correu para trás caindo morto, junto a uma tira de mato, que acompanha uma aramada que se prolonga para além do pequeno olival.
Fomos ver o bicho e lá estava, com umas navalhinhas a quererem sair da boca, e um físico já de meter algum respeito.



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Após comermos uma sande e bebermos umas mini´s para festejar, desmanchamos o porco e fomos nos deitar já eram umas 3h da manhã.
Ás 6h30 levantei-me e fui recolher o meu pai, que apesar das suas 12 horas de espera sem ver nada continuava bem disposto como quando lá o deixei. Como dizem nuestros hermanos “Fu.... pero contento”, deu-me os parabéns e chamou-me “mijão”, como chama sempre que mato um porquito!
Pena que não tenha ficado comigo nas fotos, mas pode ser que da próxima seja ele a fazer o gosto ao dedo, e tiramos umas chapas.
Ainda bem que há Homens assim!

 
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