Caça Menor      

 

 

Caça e Conservação  03-05-2010 22:24:06 Escrito por DavidCorreia  (8 Respostas)  

 

MUI rápidamente...  03-05-2010 22:53:43 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

Caça e bilogia  04-05-2010 11:14:21 Resposta por Luis Paiva   

 

Caça e bilogi  04-05-2010 11:14:22 Resposta por Luis Paiva   

 

Caça e bilogi  04-05-2010 11:14:23 Resposta por Luis Paiva   

 

Caça e biologia ...  04-05-2010 11:15:51 Resposta por Luis Paiva   

 

Caro David Correia  04-05-2010 13:30:37 Resposta por joaoacabado   

 

Caça e Conservação  04-05-2010 15:34:41 Resposta por r_martins   

 

Caça e Conservação  29-06-2010 19:17:39 Resposta por erresse1   

 


Caça e biologia ... 

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Luis Paiva  04-05-2010 11:15:51
 
 

.. e perdão pelas "gatilhadas", irra!

Muito se poderia escrever sobre este, mais do que interessante, tema.
Já o fizeram e, estou certo, que ainda o irão fazer pois a Confraria não costuma faltar a estes desafios.
Eu também vou escrever um pouco, em jeito de opinião pessoal:


“- Consideram que as espécies cinegéticas são mais protegidas ao serem caçadas do que se não tivessem esse estatuto?”


Eu não usaria o termo “protegidas” porque ao fazê-lo cria-se um paradoxo e é muito difícil explicar paradoxos.
Mas que são mais defendidas no sentido do assegurar da sua sustentabilidade populacional, não tenho dúvida.
E isto é assim porque os tempos modernos, com a agressividade humana para com o meio natural que parece indissociável do nosso modo de vida, acabaram (ou estão nesse processo) com os habitats de muitas espécies do reino animal. Cinegéticas incluídas.

Assim, o fomento e a defesa dos habitas e das populações sustentáveis, sem os quais a Caça se extinguiria (por razões óbvias de falta de espécies alvo) próprios da actividade quando bem ordenada, são fundamentais para a existência das espécies caçadas.
Para as autóctones (como a perdiz vermelha) arrisco-me, até, a afirmar que não fora serem espécies cinegéticas e, em grande parte da nossa geografia onde outrora abundaram, já as haveria que não seriam mais que uma recordação, há muito.
Mas é indesmentível que no caso das espécies migratórias (aves na sua totalidade) cinegéticas a questão não será tão linear e, para usar honestidade intelectual, não se pode afirmar o mesmo de forma tão peremptória.
Neste último caso, o facto das espécies serem caçadas em zonas distantes e muito distintas daquelas onde criam e ao longo de períodos biológicos diferentes, deve aconselhar uma maior cautela, no estabelecer de um enquadramento venatório que não prejudique a respectiva sustentabilidade.


“- De que modo a caça influencia os locais onde é praticada?”


A influência da Caça nos locais onde se exerce, é considerável.
É-o no plano económico (motor de fixação das populações na interioridade rural, onde a actividade se exerce mais frequentemente), com a criação de riqueza directa (guardas de zonas de Caça, criação de espécies, venda de material cinegético, exploração comercial de caçadas, etc.) e indirecta (hotelaria, restauração e restante comércio).
Quem viaje pelo interior do país por via da Caça, sabe-o muito bem.
Regiões onde haja, hoje, menos interesse pela Caça do que há uma ou duas dezenas de anos, são localidades onde as queixas por parte dos comerciantes convergem todas no sentido de apontar a importância que a quebra da actividade tem no fenómeno.

Mas também o é no plano da biodiversidade, pois, ao assegurar a existência das espécies cinegéticas, para isso contribui fomentando-as. A elas e a todas aquelas que delas dependem como é o caso das rapinas aladas e de alguns mamíferos, ultimamente prioritários na estratégia de conservação do natural.

Há ainda um factor social, não tão tangível, também estrictamente associado à Caça.
É que, em zonas onde se exerce a actividade, há, por norma, uma sociabilização através de eventos (ligados directamente ou não ao acto cinegético) e que só não assumem importância, a quem não conhece o isolamento de muitas regiões rurais de Portugal, porque para as populações locais são factor de contacto e convivência, onde estes escasseiam.
E são veículo de divulgação de muitos saberes e tradições que se encontram confinados e “perto da extinção” tal como alguns animais selvagens.


- Consideram a actual legislação adequada para a conservação das espécies cinegéticas?


A legislação actual é a que temos.
Não é perfeita (longe disso) e representa a adequação a vários compromissos – alguns bem legítimos, outros nem tanto. Passado que foi o tempo necessário para ordenar fisicamente o território (aproxima-se o dia em que isso estará feito na totalidade) agora, há que o fazer verdadeiramente, nos outros âmbitos; na educação comportamental do caçador e no desenvolvimento sustentado dos territórios e das espécies. E se essa é uma missão bem mais difícil, também é muito mais apaixonante. E aqui há muito por fazer ainda.
Começando pela integração das políticas de Caça inter-nacionais para as migratórias e acabando na gestão integrada das espécies autóctones.

Boa sorte para o seu trabalho.

Saudações.
Luís Paiva

 
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