Caça Menor      

 

 

ANÀLISE DA MONTARIA DO BARROCO  26-10-2010 17:14:20 Escrito por António Luiz Pacheco  (11 Respostas)  

 

Sincero e frontal!  26-10-2010 18:45:57 Resposta por alectorisrufa   

 

branquear responsabilidades  26-10-2010 20:35:29 Resposta por 119249   

 

Muito bem confrade A.L.Pacheco  26-10-2010 20:40:49 Resposta por jffs-B52   

 

Confrade ALPacheco  26-10-2010 20:55:25 Resposta por Jaime   

 

Meu Caro Confrade Numérico...  26-10-2010 21:07:12 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

Uma pequena achega...  26-10-2010 21:53:07 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

caro confrade Luis Pacheco  26-10-2010 22:13:01 Resposta por 119249   

 

tás arrasca,Pacheco!  28-10-2010 11:37:46 Resposta por velhomurtigao   

 

Tadinho  28-10-2010 12:31:47 Resposta por junior123   

 

Nem por isso Confrade Murtigão...  28-10-2010 14:27:10 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

do que conheço de ti...  28-10-2010 19:52:55 Resposta por velhomurtigao   

 

Pois pelo que conheço dele...  29-10-2010 2:24:53 Resposta por erresse1   

 


ANÀLISE DA MONTARIA DO BARROCO  

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António Luiz Pacheco  26-10-2010 17:14:20
 
 

- O que correu mal...

Não pretendo deitar lenha para uma fogueira, apagar o lume com gasolina e
tão-pouco comentar coisas que não sei. Mas creio que vale a pena comentar algumas das razões técnicas e cinegéticas que estiveram quanto a mim, mal!

Deste modo penso que todos poderemos aprender com os erros e quem sabe
evitá-los!
Identificar a propriedade como destino a evitar, não me parece justificado, SE
forem eliminados os pontos que refiro e p.e. aceite a sugestão final... pois que
javalis e as condições lá estão... há sim mudar os jogadores, e se necessário
identificar os responsáveis, seja por falta de saber, mau profissionalismo ou mesmo má conduta!

Bom vamos ao assunto:

.1º - A publicidade e sobretudo a forma como foi feita, levou a que se criasse
uma expectativa elevadíssima e portanto perigosa, pois é um pau de dois bicos
e uma orgânica experiente e avisada, sabe que a caça não é uma ciência
exacta e que as muitas varíáveis da equação nem sempre se conjugam...
E pior com a propina pedida... ao nível do que melhor se faz no país ou em
Espanha... quando se não tem a certeza absoluta do que se está a fazer.
Foi um erro crasso e um atrevimento que se pagou caro e vai pagar no futuro!
Pior, porque deixou a firme convicção de desonestidade...

.2º - De facto numa montaria de 400 €, diria que a dignidade do local e a ementa
do pequeno-almoço estavam abaixo da elevada fasquia, o que não sendo de
todo o motivo nem o objectivo, serve no entanto como cartão de visita!
É o primeiro contacto... e lembro p.e. os pequenos almoços servidos no pequeno e modesto monte de Vale de Figueira, cuja riqueza e variedade desde logo dispunha e distraia das espartanas condições! São os muitos detalhes que todos
somados constroem uma reputação e justificam os valores cobrados...

.3º - Não haver um director de montaria, também não é curial e revela desde logo o desconhecimento por aquilo que é a Montaria. Para alguns trata-se de ir matar javalis, mas para muitos ainda é um acto de caça, com a solenidade que esta deve ter.
Numa montaria de classe Extra e preço a condizer, há sempre além deste dito
director, um capitão ou cara responsável que dá as boas vindas em nome da orgânica e explica o que se vai passar. Indispensável sobretudo com tal valor.
Uma vez mais amadorismo e desconhecimento, incompatíveis com o que se pretendioa atingir quer na qualidade, quer nos resultados e claro, no custo!

.4º - O transporte... o caminho estava práticamente intransitável!
Devia ter sido previsto, ou compô-lo (o que pode ser negativo para o sossego da mancha) ou então as armadas partiam logo do início do caminho de terra, ficando os carros ali. Simples questão de organização e de prever. De facto cuidar e saber receber quem tão generosamente estava a pagar...
Mais do que falta de profissionalismo, aqui já entramos no mau servir!

.5º - Foi óbvia a falta de reses (javalis) na mancha!

A) Não havia sinais... os caminhos pouco batidos e sem pó.
inexistência de fossado fresco; o que se via tinha semanas!
alguma vereda trilhada era de um porco apenas...
faltavam marcas recentes nas árvores
não havia pégadas na lama seca ou caminhos
secura absoluta da mancha
uma cama que vi perto do meu posto, era velha!

Aqui há dois responsáveis:
- O guarda, que não tem olhos para ver? Ou não sabe? Ou é preguiçoso?
Afinal se vai pôr comida (para as perdizes) e guardar a mancha, tinha obrigação de detectar esses sinais! E avisar a organização...

- A organização, e o responsável, devem verificar isso e certificar-se!
Não os havendo... pois se há tempo escolhe-se outra mancha, ou mesmo se
adia a data da montaria... é um prejuízo a considerar para qualquer orgânica séria e responsável. A quem não possa ir pois se devolve o dinheiro!

Lembro-me, e quem lá esteve, como estava a mancha em Fevereiro... toda
mexida e remexida, passada e repassada... fresquíssimo e até "cheirava!"

B) A mancha é demasiado soalheira! Levou com Sol (ainda forte em Outubro)
toda a manhã e na hora de maior calor! O Alqueva fica lá bem em baixo e não
há sombras frescas nem humidade onde os javalis se recolham.
Muita gente ignora que o javali não se incomoda tanto com o frio, mas sim com
o calor e sobretudo a falta de água e lama, de humidade e sombra!
Acredito piamente que aquela mancha em Dezembro ou Janeiro seja fabulosa,
com tempo fresco, depois de chover e com água nos barrancos...
Mais ainda com a bolota já no chão. Agora, não há ali nada que comer... não há
jarros na terra seca, nem lesmas... nada! Não vi comedouros... de resto bem sabemos que mesmo que os haja e eles lá vão comer, depois partem em busca de água e frescura... irem comer não é sinónimo de que haja encames!

Aquilo que lá estava era uma porca com a sua vara já criada e por isso devia
estar saída... o macho andava de volta dela, e estavam ali sossegados para tratar daquiloo que a Natureza manda, longe dos outros... estarei a fazer ficção
cinegética? Não creio... tudo o indica, desde o "quadro de caça" (uma marrã, um
macho e quatro javalizecos daqueles ditos de vara) até à altura do ano!

Isto indica outra vez que houve falta de saber! Amadorismo da orgânica... que
tem de verificar a mancha, de saber se há encames... se por lá andam e a fazer o quê e sobretudo se lá ficam! Para mais depois de tanta publicidade e levar as expectativas ao máximo...
Tem de saber escolher a mancha mais "certa" e conforme o tempo que faz, e
verificar se as reses lá estão!

.6º - Como não percorri e nem conheço a mancha, não falo da colocação das portas, se bem que saiba que nem todas foram ocupadas e que houve que retirar umas quantas, ignorando eu qual o critério para o fazer... eu fui ocupar justamente uma das que haviam sido retiradas, porque fui de última hora. E
segundo a minha opinião de caçador era uma boa porta, aliás vi dois javalis (errei um e atirei a outro), todavia como estava bastante isolada e logo junto da solta dos cães, aceito que pudesse ter sido retirada.

.7º - No final, face aos resultados, que não foram nem de perto aquilo que se
propagandeou, a decepção dos monteiros transformou-se em algo pior e se
vislumbrava sobretudo "engano"... por causa da tal publicidade excessiva.

Faltou então o que se impunha:
1º Uma explicação, qualquer que fosse, mas que mostrasse claramente que havia responsabilidade e boa-fé! Isso teria acalmado uma parte do genuíno sentimento de revolta que cresceu exactamente quando se verificou que não
havia ninguém a não ser o guarda e um telemóvel que não atendia...
2º Dar o passo necessário para fazer prova dessa boa-fé: Oferecer uma reparação, e não basta dizer "venham cá para a próxima...". Porque faltando
o ponto 1º a vontade de voltar é nenhuma! Por isso de pronto deveria ter sido
dito que se faria a reparação necessária, devolvendo o, ou parte do dinheiro.

Resumindo:

Quando os objectivos que se colocam são elevados, há que perceber que cresce
na mesma proporção a responsabilidade e igualmente o risco de prejuízo!

Repito que considero lamentável tudo o que se passou, pois que por um lado
a Montaria perde com isso, mas por outro perde a região (vejam os comentários sobre "aquela zona"). Também atingiu pessoas que nada tiveram a ver com a
organização mas que veicularam a informação. Finalmente a herdade do Barroco perde o nome que não chegou a ter e que ficou sujo, talvez para sempre...

Se a idéia era essa mesma, para que os ditos "espanhóis" ficassem assim senhores da terra... pois isso me ultrapassa! Porém, me atrevo ainda a dar uma
opinião que permita recuperar uma zona que sabemos ser excelente e com o
potencial que tem, que era entregar a mancha e a organização das eventuais
montarias a pessoas e organizações credíveis e sabedoras, profissionais...
Uma Monfortur ou os irmãos Rosa, estes para mais sendo da zona e que a
conhecem como ninguém, sabendo quando devem dar a montaria e como a
organizar, tendo ainda uma carteira de clientes.

Em jeito de comentário final, digo que este é um caso de estudo que usarei quando tenha oportunidade na minha área do marketing e ética empresarial cinegéticos.

Coisa que de facto faz muita falta aos empresários...

Um abraço à Confraria

 
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