Caça Menor      

 

 

Ao Confrade ''lreis'' e sobre as balas C12  28-10-2010 16:10:15 Escrito por Luis Paiva  (20 Respostas)  

 

Julgava que ainda estava supensa...  28-10-2010 18:10:28 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

Más que probable reapertura de la caza en 2011  29-10-2010 4:07:30 Resposta por erresse1   

 

Bem! Se estão a pensar…  29-10-2010 9:40:57 Resposta por jffs-B52   

 

Não é bem assim Confrade Júlio...  29-10-2010 11:17:41 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

Angola… Angola  29-10-2010 15:14:55 Resposta por jffs-B52   

 

CAÇA EM ANGOLA  30-10-2010 17:50:11 Resposta por NUNOLOPESSANTOS   

 

Grande Nuno! Bem vindo a este fórum!  30-10-2010 19:21:55 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

Custa mesmo muito  30-10-2010 22:00:17 Resposta por MiguelPereira   

 

Faltam aqui aqueles bonequitos...  30-10-2010 22:05:24 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

Vê lá vê!  30-10-2010 22:15:40 Resposta por MiguelPereira   

 

já lá estive,se querem saber...  29-10-2010 12:39:24 Resposta por velhomurtigao   

 

balas calibre 12  01-11-2010 9:30:47 Resposta por lreis   

 

balas calibre 12  01-11-2010 9:13:51 Resposta por lreis   

 

Confrade Reis  01-11-2010 10:43:24 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

E umas fotos! Para TODOS os que se  01-11-2010 11:51:09 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

Vamos ver se é este...  01-11-2010 11:52:13 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

Ou este...  01-11-2010 11:52:59 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

OK é este...  01-11-2010 12:05:56 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

Ora toma lá  02-11-2010 2:22:53 Resposta por erresse1   

 

Ao Confarde Antonio Pacheco  01-11-2010 15:34:55 Resposta por lreis   

 


Confrade Reis 

Visualizações 870

António Luiz Pacheco  01-11-2010 10:43:24
 
 


Se a arma não tem choques... e deduzo que seja então um cano dito cilíndrico
é o ideal e assim "papa" qualquer bala!

Mas há que ter em conta as pressões... e explico:

As caçadeiras são testadas até uma dada pressão desenvolvida pela "explosão"
da pólvora e compressão do cano, sofrida com a bucha etc.
Esta pressão máxima normalmente vem inscrita na base do cano em baixo onde ele assenta na báscula da coronha.

Ora: Há balas que levam cargas superiores às do chumbo normal, ditas
magnum ou baby magnum, e de resto uma bala implica quase sempre a carga
máxima de uma cal 12. Pior ainda se com o tempo quente que se pode sentir
em África, essas pressões são levadas a valores mais altos!

Portanto cuidado, se essa Baikal é muito usada e está em bom estado... e se
os canos estão preparados para essas pressões... pode estoirar!

Há por aqui Confrades que melhor do que eu lhe explicarão isto e me perdoem
se estiver a asneirar...

Depois tem o tal problema da convergência dos canos (caso seja arma de 2)
que lhe aconselho a testar bem antes de se fazer a caça perigosa como as
pacaças... é que pode nenhum dos tiros dar onde você aponta! Cuidado!

Uma semi-automática é quanto a mim melhor escolha para atirar à bala... pois
normalmente estão testadas com pressões elevadas e são mais certeiras com
bala porque é só um cano a estar alinhado com o rudimentar aparelho de
pontaria que possuem.

Mas isso não há nada comoo fazer uns tiros de ensaio e saber com o que conta.

Aí em Angola havia muitas Baikal de um cano só... eu usei algumas de malta
amiga, robustas, mas sempre em muito mau estado, cheias de folgas e sujas.
Relatei na extinta revista Calibre 12 uma caçada às perdizes e cabras do mato,
com uma dessas espingardas, que parecia dividir-se ao meio tal as folgas, e que nem tinha já ponto de mira...

Para o recordar, e dedicada a si aqui fica o texto!

Perdizes da Equimina

Novembro de 2003:
- De novo no Sul de Angola, regressado a um estado verdadeiramente de graça, ( só para caçar e pescar, longe de tudo e de todos), readquiri de imediato a postura muito portuguesa da adaptação ás condições de vida locais, por mais simples que sejam, como se podem calcular que são as de pescarias, fazendas ou acampamentos que corremos, que seriam duras se não fossem aqueles os meus objectivos.
A Equimina, destaca-se no meu imaginário: - È um vale perdido, paraíso particular, de que guardo recordações únicas, a saudade dos sonhos de menino ali realizados, e, as memórias dos amigos já desaparecidos. Leito do rio que cavou um vale no inóspito planalto costeiro de Benguela e o fertiliza, consta de uma antiga pescaria em ruínas, hortas e uma comunidade de pescadores e agricultores mukuandos.
O Locas, grande e indispensável amigo, ali tem a sua pescaria, composta de casa com pátio e armazém, onde nos aboletamos, com a rudeza calorosa e a simplicidade hospitaleira de Àfrica.
Saímos de madrugada para a pesca, regressando pelo meio da tarde. Somos esperados na praia por um bando de miúdos que descarregam o peixe e o estripam, em troca dos buchos. Este é depois escalado e salgado, guardado em tanques e posteriormente seco ao Sol, para venda. È uma indústria a que fornecemos a matéria prima, em troca de nos levarem ao mar.
Lavado e posto a secar o material, tomamos banho "de púcaro", comemos algo e quase sempre vamos dar uma volta á caça, em terra, antes do jantar: Cabras (pequenos antílopes), capotas ( galinhas do mato), rolas ou perdizes, são caça habitual e o complemento daquelas jornadas.
O Sol põe-se pelas 18 horas e o jantar, feito por nós, é pelas 20. Deitamos cedo, pois levantamos com o nascer do dia, ás 5 ou 6. Os dias obedecem a esta rotina regida pelo Sol, entre pesca e caça.
Com regularidade, cumpro este programa de três ou quatro semanas, acompanhando um amigo, pescador submarino profissional, Luiz Pitagrós de Almeida, descendente de grandes caçadores de Benguela, com quem eu e o meu falecido amigo o Capitão Àlvaro Costa, travámos conhecimento em 1996. Hoje nos consideramos como família, e faço parte de um grupo que me possibilita viver a Àfrica, caseira, não-turística, reservada aos que de facto queiram ir em sua busca.
Naquele fim de tarde, decidi ir ás perdizes!
Perdizes é um modo de dizer, pois são na verdade francolins, em tudo semelhantes á nossa perdiz, excepto na plumagem castanha, pigarça como codorniz gigante, mas mantendo as patas e bico vermelhos. Terrestres, vivem em bandos, perto dos terrenos cultivados e da água; correm a grande velocidade e escondem-se sob as espinheiras ou arbustos como coelhos, tendo de ser daí desalojadas, levantando num vôo rufado e forte como boas perdizes de lei!
Prontamente reuni dois rapazolas dos seus 12 anos, mais coisa menos coisa, pois raramente sabem a idade e nem isso interessa, ágeis e expeditos, isso sim, em entrar nas espinheiras, a espantar perdizes como depois a cobrà-las.
O principal problema estava na arma, pois o Zé Carlos Mangas, outro nosso amigo que normalmente nos transporta nas suas andanças do funanço, saíra na véspera para o Namibe e levara a caçadeira do Luiz. Ficava como alternativa a do Locas, uma espantosa "Baikal" de um cano e cão, ainda para mais sem ponto de mira, o que nem seria significativo não fosse o pormenor de existir no cano, uma rampa a fazer de alça, que deve ser alinhada com o ponto de mira e que na falta deste só atrapalha, tapando por completo o alvo! O Locas não atira ao vôo, o que com esta arma se torna um verdadeiro desafio.
Comecei por ensaiar meia dúzia de tiros a outras tantas rolas que foram aliás a soldada dos meus "perdizeiros", me deram uma idéia de como atirar, e, constatei que a arma me caía surpreendentemente bem!
O próprio Locas nos levou até ao local de caça, na ponta do vale, encostado ás paredes abruptas da falha, num terreno muito plano de areia e grandes moitas de espinheiras, sombreado por micaias, o paraíso das perdizes mas o inferno para nós!
Usualmente as perdizes caçam-se em terrenos mais abertos, normalmente nas ervas, mas já se sabe que bom senso não será o meu forte, segundo opinião dos "entendidos" que continuam a achar que Angola é um perigo e não vale a pena, como a desprezar Moçambique... tanto melhor, mais fica… . Verdade seja, aqui, o gozo é o de caçar, em condições extremas.
Despejada nos bolsos dos calções uma caixa de cartuchos de chumbo n.º 7, enterrei chapéu na cabeça e aí vamos nós, pela base da fenda que é o vale, descrevendo círculos para o interior, para o leito do rio, batendo as clareiras entre moitas espinhosas onde as perdizes na tarde avançada se reúnem, logo se refugiando dentro do matagal em corrida veloz. Os meus colaboradores atiravam pedras e rompiam mato com entusiasmo; as perdizes corriam de pescoço esticado, logo saltavam em explosão de asas e até cacarejos, se mais apertadas.
O vôo é curto, mais como um salto duma moita para outra, onde logo se ocultam, passando numa corrida veloz para outras vizinhas, que as há muitas e mais ou menos espessas, fintando-nos e dando-nos baile. Os "perdizeiros" fazem o que podem, procurando as mais abertas, cercando-as e entrando do lado contrário para que rompam na minha direcção, devendo eu postar-me um pouco afastado para que não me sintam e saiam, mas obrigando-me a tiros xofrados muito rápidos e instintivos, com aquela arma incrível, ainda por cima cheia de folgas que parecia dobrar-se pela fecharia, cada vez que a firmava na cara.
È uma caça muito rápida e animada. A dificuldade de só dispôr de um tiro, aumentava o gozo, cada vez que saía uma em boas condições de tiro – no ar! - e a derrubava.
O mato seco e as espinheiras agarram-se á roupa e riscam-nos a carne. A areia escalda ao fim de um dia de calor, e o pó fino enche-nos a boca e nariz, empastando na pele suada.
De repente a gritaria dos meus auxiliares redobra, e salta dum tufo de mato uma "caíne" (dik-dik), uma pequena cabra-do-mato pouco maior do que uma lebre e que corresponderia a esta numa caçada cá no torrão...um encare rápido, apontar é quase impossível, mas sai-me bem o tiro ao pescoço e a cabrinha rola numa nuvem de pó!
Não é inédito, pois elas abundam por ali… mas lembram-me que são caçadas pelas onças que também vivem nas vertentes de pedra , onde caçam ainda babuínos. Um leopardo saltar-me de uma moita numa hora daquelas, com um só tiro de chumbo 7, em tal espingarda, é uma ideia que me dá arrepios, confesso…. Porém na areia lisa, além de muito rasto de galinhas e perdizes, de cabrinhas e macacos, só vi pegadas de chacal, muito comuns no vale, o que me tranquiliza, mas redobro a atenção. Às vezes esqueço-me de onde estou, e que ali as coisas podem ser bem diferentes... Os dois cartuchos de SG que trago no outro bolso, são apenas um pormenor psicológico e duvido que, precisando deles, haja tempo de trocar munição, mas sempre confortam.
Concentro-me de novo nas “caínes”, pois andam sempre aos pares. Uma batida ás moitas vizinhas e logo salta outra, numa repetição do lance, desta vez esperado e a chumbada na cabeça, dada a uns 10 metros, deixa-a seca.
Todas as peças têm de ser abatidas ao primeiro tiro, pois não tenho emenda, e, perdiz de asa, naquele terreno e vegetação, é perdiz perdida!
Logo que atiro e a perdiz tomba, os meus secretários precipitam-se para cima dela, seja no mato ou na areia e rolam nas folhas, espinhos ou pó, com entusiasmo total, levantando bem alto na mão, a peça cobrada .
A caçada durou coisa de uma hora, mas valeu por um dia, e o resultado foi bem bom, assegurando provisões para a despensa, pois para lá do gozo, ali caça-se também e sobretudo para comer.
Deveria um dia dedicar um artigo á gastronomia “sui generis” praticada nestas aventuras, pela sua riqueza, donde sobressai a variedade e categoria das matérias primas, a que fazemos devidas honras: - Das ostras ao peixe - fresco e seco -, passando pela lagosta, choco, mexilhão, cavaco, e as muitas peças de caça de pêlo ou pena, cozinhadas em tachos e sertãs incríveis, ás vezes autênticas latas, em lume de lenha ou carvão, numa forja de ferreiro por fogão, com os condimentos e guarnição locais, outras vezes segundo inspiração ou disponibilidade do momento, na miscelânea que penso ser a riqueza da nossa cozinha.
Bebe-se cerveja “Cuca” ou vinho, bastante ruim, de pacote ou garrafão, necessitando estar gelado e misturado com gasosa ou coca-cola, que porém se esquece frente a uns lombinhos e distraídos pela conversa, no escuro do pátio ou acampamento, envoltos naquele ambiente mágico de coisas e de cheiros, de sonhos antigos.
Abrimos mexilhões e ostras nas brazas e “chupamos umas Cucas”, enquanto apuram as perdizes, que foram depenadas pelos perdizeiros - agora sentados no chão, em silêncio, de olhos esbugalhados, escutando a conversa e aguardando a sua vez: - Primeiro aloiradas em azeite, alho e loiro, depois estufadas numa cama de cebola e tomate; com umas colheres de banha, sal grosso e noz moscada; finalmente regadas com vinho branco. São muito tenras e enquanto as saboreamos, chupando os dedos engordurados, combinam-se outras jornadas, fala-se de peixes e de animais fantásticos, contam-se casos ou histórias, de gentes de outro mundo, crescem lendas e projectos e sempre a vontade de ficar ou voltar.
Pode imaginar-se coisa melhor que umas perdizes na Equimina?




Espero que goste e um abraço para si!

 
                                >> Responder