Caça Menor      

 

 

Impacto das eólicas nas entradas dos pombos  02-01-2011 14:27:14 Escrito por Jaime  (4 Respostas)  

 

Curioso!  02-01-2011 18:56:57 Resposta por joaoacabado   

 

Direi mesmo mais... é muito curioso!  02-01-2011 22:33:57 Resposta por António Luiz Pacheco   

 

Confrade Jaime, no nosso caso...  03-01-2011 10:30:58 Resposta por luisnovais   

 

Confrade Jaime, no nosso caso...  03-01-2011 10:30:59 Resposta por luisnovais   

 


Impacto das eólicas nas entradas dos pombos 

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Jaime  02-01-2011 14:27:14
 
 

Sei de um sítio, numa serra do interior, mais precisamente entre a serra da Lousã e do Açor, onde havia um corredor de entrada de torcazes. Penso que aquela rota seria percorrida pelos pombos vindos do reino unido e Escandinávia. Olhando para um mapa, os pombos vindos da Europa Central e Rússia não faria grande sentido seguirem aquela rota, a não ser que viessem guiados por pombas loiras, lola!

Esta passagem era um segredo guardado pela malta que o sabia. Em finais de Outubro, princípios de Novembro, lá estava eu a telefonar para os primos da terra, para olharem para o Penedo, para ver se os pombos estavam a passar pela manhã. Era muito giro caçar os pombos nessa passagem. Quando fazia vento forte, ou nevoeiro, chuva só se fosse da miudinha, os pombos voavam num determinado corredor a rasar o mato. Era engraçado ver os pombos depois de passarem a serra a abrir as asas, a descer, em voo planado para Sul. Fazia lembrar os filmes dos pombos a serem caçados nos Pirenéus, exceptuando todas as artimanhas dos franceses. Ali era colocar-nos por detrás de um estrepoeiro e esperar que alguns se fizessem a jeito. Vi um colega abater um pombo com um tiro de cima para baixo, algo impensável no Alentejo. A passagem não reria mais que 2 ou 3 centenas de metros de largo.

Nunca se fazia molhadas mas dava para entreter. Os tordos, raramente em bandos, quase sempre isolados, muitas vezes acompanhavam os pombos nessa passagem, juntamente com muita passarada.

Desde que colocaram as eólicas na serra, a passagem acabou, apesar dos aerogeradores mais perto distarem largas centenas de metros.

Curioso com esta situação, pesquisei na net sobre o impacto das eólicas na passagem dos pombos pelos Pirenéus. Lá tiveram mais cuidado, pois nos principais corredores de passagem, e com uma margem de quilómetros, não se colocaram eólicas. Os pombos e demais passarada parece serem deveras afectados nas migrações por alterações significativas da paisagem, nomeadamente quando migram em bandos e não de forma isolada. Cá, como se sabe, foi (é) o fartar vilanagem, com estudos de impacte ambientais pagos a preço de ouro a cientistas que só vêem e escrevem o que o patrão lhes encomenda.

Gostaria de saber se a confraria sabe de mais casos destes, ou seja, se sabem ou desconfiam de mais corredores de entrada de pombos que foram afectados pelos mastodontes plantados no viso das serras.

Quanto aos confrades que se queixam da falta de pombos, não seria mal lembrado questionarem a Agência Portuguesa do Ambiente, entidade que analisa os impactos ambientais das eólicas, se foram salvaguardados nos estudos (encomendados) a questão dos corredores de entrada dos pombos nas serras. Lembrá-los também que para esses estudos e respectiva análise serem credíveis, teria de haver cientistas e técnicos do ICN a olhar para o ar em finais de Outubro, princípios de Novembro, única altura do ano em que os pombos entram. Não fossem eles dizer que tiveram meses a olhar para o ar e não viram uma única garfa de pombos a passarem, logo autorizaram os aerogeradores.

Já agora acrescento que os pombos, quando abalavam para o Norte, não utilizavam a rota migratória que acima refiro, nunca ninguém os viu passar para Norte por volta do mês de Março.

 
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