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Montarias «Fora de Prazo» 

  Montarias maltratadas   
  acvalent 01-07-2009 12:48:12   
     
  Este artigo de opinião divulgado aqui no portal Santo Huberto, alicerçado num conjunto de dados sobre montarias no Minho, trouxe de novo à discussão a questão das datas das montarias e o ciclo reprodutivo do javali.
O assunto em si não é novo, nem o artigo em causa trás qualquer novidade, apenas juntando mais alguns números a uma realidade bem conhecida (Fonseca & Correia, 2008), e mesmo já divulgada neste fórum (Fonseca, 2004 e 2008).
Fico satisfeito, como muitos outros caçadores, cada vez que vejo estudos desta índole surgirem, ainda mais quando vindos da parte de caçadores. Tal demonstra, mais uma vez, a importância do papel caçador, de uma forma geral, para uma gestão ordenada dos recursos cinegéticos.

O tema é contudo polémico e já suscitou muita discussão neste e noutros fóruns.

Mas desta feita o assunto foi apresentado por caçadores, o que levou a que a paixão pela caça tirasse alguma objectividade à abordagem feita. As fotos, em excesso, dos fetos tiveram um impacto in(?)desejado o que acabou por se traduzir fez com que o texto suscitasse algumas reacções muito violentas e, a meu ver, completamente desmedidas e, sobretudo, menos esclarecidas.
Entre os mais violentos, e exarcebados, estão comentários como “…enorme disparate que é caçar de montaria nestes meses …”, “… demonstram a grande irresponsabilidade, a falta de ética e o triunfo dos matadores…”, “…chacinas e pior por extermínio …”, “…este tipo de selvajaria …”.

Que exagero!

Vejamos com calma, muita calma, a situação do javali.

Actualmente o javali não se considera uma espécie ameaçada.
Tomáramos nós que as populações de perdiz e coelho estivessem no mesmo estado.
Não é uma espécie ameaçada em Portugal (estatuto atribuído pelos especialistas reunidos pelo ICN é “Pouco preocupante”) nem no resto da sua área de distribuição geográfica (não faz parte da lista de espécies ameaçadas da UICN, União Internacional para a Conservação da Natureza).
Os indicadores disponíveis para Portugal mostram, pelo contrário, que o javali se expandiu a praticamente todo o território nos últimos anos, exactamente ao mesmo tempo em que a caça por montaria, no período de Outubro a Fevereiro, se intensificava.
É bem sabido que uma população de javali pode, facilmente, ver os seus efectivos duplicados a cada ano, tal é a sua capacidade de procriação.

Da mesma forma, é sabido que nem todos os embriões significam novos javalis. Para além da mortalidade intra-uterina, ainda dentro da barriga das fêmeas, sabe-se que só 15 % dos animais que nascem completam um ano, e metade deles não sobrevivem sequer os três primeiros meses.

Os javalis são ainda, como se sabe, animais territoriais, o que significa que lutam pelos territórios, ou antes, pelos recursos (alimentares e outros) desses territórios. O factor disponibilidade de alimento é fundamental, sobretudo para permitir a boa condição física da fêmea e assim aumentar a probabilidade de elas se reproduzirem. Isto quer dizer que territórios adequados e com alimento adequado são importantes e se calahr mais determinantes na capacidade de sobrevivência dos javalis que nascem cada ano.

Por isso, querer ver na caça a única causa para uma redução dos efectivos, pelo abate de fêmeas prenhas, não me parece minimamente séria.

Analisando os dados apresentados no artigo de opinião podemos ver que apenas 20% das fêmeas analisadas estavam prenhas. Bem sei que se tratavam de 53 embriões, mas com a taxa de mortalidade natural isso corresponderia a mais oito javalis em toda a região considerada, e em algumas áreas provavelmente nenhum sobreviveria.

Claro que as fêmeas prenhas são mais susceptíveis, tal como o são os bácoros.
Estará tudo bem com a forma como se encaram as montarias? Seguramente que não! Deveria rever-se o calendário venatório? Provavelmente!
Estamos a colocar em risco a espécie? Creio que não.

Desdramatize-se portanto a situação.



Fonseca, C. & Correia, F., 2008. O javali. João Azevedo Editor, Mirandela.
Fonseca, C. 2004. Dinâmica Populacional e Gestão de Javali. In Portal de Santo Huberto, http://www.santohuberto.com/sh_conteudo.asp?id=160.
Fonseca, C., 2008. A caça ao javali em Portugal: aspectos reprodutivos desta espécie. In Portal de Santo Huberto, http://www.santohuberto.com/sh_conteudo.asp?id=1089.
Pontes, C. & Costa, F, 2009. Montarias “Fora de prazo”. In Portal Santo Huberto, http://www.santohuberto.com/sh_conteudo.asp?id=1496.
 
 
     
 
Comentário(s) 

parabens 
CUIDADO 
Montarias fora de prazo 
Montarias fora de prazo, esclarecimento  
O que os olhos não vêm ... 
ANALISE-SE TUDO...! 
Não se maltratam as montarias 
Montarias maltratadas 
Haja vergonha... e bem-haja quem efectuou este fantástico trabalho 
Montarias «Fora de Prazo» 
Se não há consciência... 
O que se deixa andar e se pagará um dia! 
Concordo em pleno 
V/dados demonstrados. 
motarias em Janeiro e Fevereiro 
Nem mais.... 

     
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