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Relatos de Montaria

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Montarias de Soutelo da Gamoeda e de Talhas
XXII Encontro Venatório do Nordeste Transmontano
 

     

Autor: Álvaro Moreira

19-02-2008 10:31:13

 

   
O magnífico Parque Natural de Montesinho foi o cenário condigno e apropriado para a retoma, por todos saudada, da realização anual do Encontro Venatório do Nordeste Transmontano, como local da primeira das duas montarias que tradicionalmente integram este relevante evento da caça maior – também assim se viu como CAÇA e CONSERVAÇÃO DA NATUREZA são compatíveis, se complementam e não subsistem uma sem a outra.


SOUTELO DA GAMOEDA (Parque Natural de Montesinho)
Data - 9.Fevereiro.2008
Organização - Clube de Monteiros do Norte
Área da mancha - +/- 300 ha
Portas - 108
Matilhas – 9
Tiros - +/- 50
Tempo – sol, vento moderado.
Director de Montaria – Rui Caseiro
Capitão de Montaria – Valdemar Rodrigues
Quadro de caça – 16 javalis, de porte razoável


Um dia lindo, com sol quente demais para a época, serviu para ajudar à boa disposição geral ao longo de toda a jornada. Vento não muito forte, que ajudava a cortar o calor, mas sempre indesejado quando o temos pelas costas.

Lá do alto da minha porta, com a cidade de Bragança mesmo ali aos pés, um monte que assemelhava o intestino recortado aos folhos, descia lá para o fundão “sujo” o­nde os javalis se refugiavam, num coberto de carvalhas que emergiam do mato rasteiro de urze, esteva e giesta, com zonas de castanhal no cimo – um coberto diversificado e sempre interessante.

Ao som das tradicionais gaitas de foles, após a confirmação das inscrições as animadas conversas sobre as últimas proezas de caça que todos têm para contar, uma enorme tenda desmontável acolheu os inúmeros monteiros para o animado e requintado pequeno almoço, seguindo-se uma breve apresentação do evento e a explicação da mancha por responsáveis do CMN, a alocução do director da montaria, o sorteio das portas com a entrega dos sempre cobiçados “pins” alusivos e brindes.


Ao sol contam-se contos, acrescentam-se pontos


Explicando os segredos da mancha

A colocação incorrecta de um cartaz identificativo numa das armadas originou alguma confusão e inerente atraso no preenchimento e saída das armadas, agravada pela estreiteza da rua da aldeia, tal como o recurso a postores da aldeia colocação em porta, no que foi um aspecto negativo e não habitual nas realizações do CMN.

A pouca quantidade de disparos ouvidos foi criando ao longo da montaria aquela sensação incómoda de haver poucos javalis, enganando a todos, pois que foi afinal a expressão de uma óptima relação do número de tiros / reses cobradas, reveladora da elevada qualidade e eficácia dos monteiros participantes – a cerca de 50 tiros contados corresponderam 16 reses cobradas, um dos mais significativos resultados da época transmontana !!!

Muitas das ladras ouvidas deveram-se ao elevado número de corços e raposas, já sabidos na zona, o que sempre torna difícil o trabalho das matilhas.

No final, e novamente ao som dos gaiteiros, foi servido um ligeiro e apetecido lanche enquanto se preparava um quadro de caça a preceito, depois leiloado. 


A recompensa do trabalho duro

Ao jantar bem servido na tenda agradavelmente aquecida e iluminada, seguiu-se a exibição dos Pauliteiros de Palaçoulo e o sorteio das anunciadas inúmeras prendas de artigos de caça, cabendo a mais cobiçada – uma espingarda – em sorte ao director da montaria convidado. 


Os Pauliteiros animaram o "Serão Transmontano"



Uns viram as costas à sorte, que sorri a outros...




TALHAS (Macedo de Cavaleiros)
Data - 10.Fevereiro.2008
Organização - Clube de Monteiros do Norte
Área da mancha - +/- 350 ha
Portas - 80
Matilhas – 7
Tiros - +/- 45
Tempo - sol
Director de Montaria – Beraldino Pinto
Capitão de Montaria – Valdemar Rodrigues
Quadro de caça – 5 javalis, sendo 1 medalha de bronze


Talhas é um nome de referência no panorama das montarias ao javali em Trás os Montes, uma mancha nas encostas do Rio Sabor, o santuário da caça que vai tentar resistir (?...) à maldade que em nome do progresso lhe querem fazer, já que previsto amputá-lo de uma parte significativa devido à criação da albufeira de uma barragem, alterando assim também as condições do seu habitat.

Inscrições confirmadas umas, outras de última hora (o mau hábito não termina), um bom pequeno almoço, as usuais prelecções, conselhos e explicação da mancha por responsáveis do CMN e pelo director da montaria, a entrega de 2 medalhas (ouro e prata) de anterior montaria), o sorteio e a rápida colocação e saída das armadas para um longo trajecto até às portas na mancha.


O matilheiro Sérgio, medalha de ouro!

Dia de sol quente, a obrigar a caçar em mangas de camisa, jornada de caça perigosa para os que levam cadeirinhas e banquinhos, uma tentação…


O colete reflector vê-se longe, mesmo com sol

Mancha ao longo do rio, encostas agrestes e rochosas, alternando zonas de esteva e giesta densa com olival e amendoal, tornando difícil a percepção e contagem dos disparos.

Um silêncio sufocante na primeira hora, a trazer maus presságios, mas de repente começa-se a ouvir o trabalho alegre dos cães, bastantes ladras e tiros – mas a qualidade da pontaria não esteve brilhante, era domingo …

Do quadro de caça foram devidamente mandados retirar dois bácoros, irresponsavelmente atirados até por quem tem responsabilidades no dirigismo cinegético e obrigação de ser exemplo, assim com 5 reses, sendo uma boca bronze, já medalhada.


Uma boca de respeito, com bronze!

E como era domingo, rápido foi o suculento almoço, todos a querer regressar a casa ainda com a luz do dia.
 

 
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