| | 291 Utilizadores on-line |    

Login [Entrar]

 
   
 
 
Relatos de Montaria

Início

Anterior

Próximo

Fim


Montaria da Baliza
 

     

Autor: António Luiz Pacheco

Autor Fotos: Vários

26-02-2008 16:36:39

 

   
   
   
   
   
Fui a esta Montaria, como S. Tomé, dada a recente polémica e porque no ano passado tinha ficado muito bem impressionado quer com as condições quer com a organização em si.


Data: 23/02/2008
Local: Herdade da Baliza (Malpica do Tejo)
Organização: ZCT da Baliza
Tipo: Montaria Mista
Capitão/Director de Montaria: Manuel Antunes
Custo: 200 euros
Número de postos: 62
Tiros: 170
Resultado: 14 veados, 3 javalis, 15 cervas


Este ano a primeira montaria da época, talvez pela elevada expectativa ou por outras razões que me não compete ponderar, não correu bem, como é do conhecimento geral, e deu azo a uma discussão que tomou foros de escândalo, mas que não posso dizer se justo ou não, porque não assisti e apenas ouvi das partes as suas razões.

Não fui ali por provocação, ou por “encomenda” como este relato o não constitui!

Fui levado pela curiosidade, e porque, tive um convite via “Calibre 12” para participar, conforme já referi e desde já esclareço, pois não tenho nada a esconder nem me envergonho de receber convites, que aceito quando entendo, e que de modo algum compram a minha consciência.

Conhecendo sócios, donos e gestores desta ZCT, sou no entanto observador isento e simples caçador, capaz de criticar como de louvar.

Foi por isso com natural expectativa que no Sábado pelas 6 da manhã saí de minha casa em Santarém e me fiz à A23. Gosto de sair cedo e de fazer o caminho só, considerando um privilégio o assistir ao nascer do dia nos montes, em celebração de ir àquilo de que tanto gosto: a Caça! O evoluir da paleta de cores do Pintor da Natureza, o despertar do campo, o levantar da névoa, a ilusão e as expectativas do que vou sentir e fazer, de como vai ser mais uma jornada… são horas mágicas, de interiorização, em que falamos connosco mesmos e nos reencontramos. De calma e de paz! Bem diferente de quem faz o caminho apressadamente, ao molho num carro, chega atrasado e desde logo perde esta autêntica sessão de terapia, que é uma viagem calma.

Procuro chegar cedo, ter tempo para me instalar, escolher o lugar para aparcar, trocar de calçado, pôr a “ouxaria” a jeito, tirar umas fotos, ver quem está, trocar impressões com a organização e saber como estão as coisas. Depois há sempre tempo para umas conversas com a confraria, abraçar os amigos, saudar conhecidos e apresentar-nos a desconhecidos, tudo com a devida calma.

Desde logo fui sempre acompanhado de uma chuva miudinha, a obrigar ao encerado e botas de borracha, mas um grande lume de cepos convidava e aquecia a conversa, enquanto de forma expedita e prática se procedia à finalização da inscrição.

Bom ambiente Monteiro, com presença de bastante gente conhecida e conhecedora do mister, e vários outros mais recentes ou novatos.

Tomou-se um substancial pequeno-almoço, e de pronto se arredaram as mesas para o sorteio, havendo o cuidado de identificar como tal as portas de difícil acesso. Como houve dois caçadores que manifestaram problemas físicos, desde logo a organização, e bem, deu essa explicação e lhes forneceu postos que não foram a sorteio.

Depois o Sr. Manuel Antunes, fez a apresentação e deu as informações necessárias para o decorrer da montaria, cumprindo os dois papéis, de capitão e director de montaria, e aqui me permito uma observação sobre este pormenor pois não me pareceu curial… o director de montaria deve ser alguém com o perfil e de reconhecida competência monteira, mas estranho à organização, isento portanto. No entanto e após conversarmos sobre este pormenor foi-me dada uma cabal explicação para o facto, como a promessa de que no futuro assim será. Não deixo de o referir porque assim o prometi.

O transporte, em número suficiente e viaturas adequadas, devidamente identificadas, estavam mesmo ali, e rapidamente se tomou lugar nelas. A colocação foi rápida e eficiente, estando as portas bem à vista.

Foi um pouco ruidosa, porque a “malta” com a excitação, fala, manda bocas e ri alto… havendo monteiros menos habituados (pelo menos um caso era a primeira vez), e apesar das recomendações de silêncio há sempre entusiasmo transbordante. A prová-lo, ainda no caminho para a armada já havia veados em movimento, correndo à frente da camioneta… motivando mais comentários e exclamações de entusiasmo, aliás compreensível. Eu fui dos que entraram na conversa e no entusiasmo, fiel ao velho princípio “ se não os podes vencer, junta-te eles”, pois não tive coragem nem autoridade para mandar calar ninguém… e quem o faria?

Apesar do número aparentemente elevado de portas, dadas as características do terreno, havia espaço entre elas e se veio a revelar ser um número com cabimento e justificado.

No meu caso (porta 41) nem sequer tinha qualquer companheiro à vista, podendo atirar em qualquer direcção. Todos os postos da minha armada, do 12 ao 41, pude verificar que estavam marcados com grande segurança, oportunidade e distância.

Antes do morteiro a assinalar a saída dos cães, já havia tiros!

De notar que a chuva parou com o começo da montaria e só voltou já no caminho de regresso, o que foi um alívio.

O meu posto, estava bem marcado numa zona esplêndida, junto a um curso de água e onde desembocavam diversas vertentes e linhas orográficas. Não tenho dúvidas em dizer que se fora uma rês… era ali que ia passar! Uma portela natural muito bem escolhida. Mas não passou nada… passaram cães e duas cervas, uma grande e escura, logo no início, sozinha, a que decidi não atirar, dando-lhe o benefício da dúvida… se fosse mais no fim, era capaz de ter atirado, confesso! Pediram para as abater e esta solitária seria uma boa escolha, do ponto de vista de gestão da população. Mais adiante uma outra correu numa crista de um cabeço, por cima e de forma interdita!

As matilhas trabalharam, houve ladras e correrias com fartura, mas julgo que de facto os javalis foram beneficiados, pois pela grande densidade de veados, fêmeas sobretudo, dispersos por toda a mancha, os cães uma vez soltos, de imediato correram atrás de rastos e deram com elas, passando a caçar “à vista” e correndo apenas aos veados. È o normal nas montarias mistas e o¬nde haja matos espessos que acoitem os javardos, que se deixam ficar enquanto a algazarra e as correrias lhes passam ao lado. Os veados procuram terrenos favoráveis à sua corrida e saltos, e pior porque se deslocam desde logo que haja perturbação como ruídos e bulício.

Também, e mais uma vez afirmo, o resultado de uma montaria é muitíssimo influenciado pela categoria dos monteiros… e não apenas por terem a pontaria afinada, mas muito mais pelo seu comportamento! A falta de experiência ou saber estar, impede muitas vezes melhores resultados e até prejudicam outros monteiros, outra consequência da actual procura e participação em montarias, que ainda levará alguns anos a corrigir, e um facto que ninguém parece reconhecer, mas que não me parece desastroso… é uma situação lógica e sinal desse crescimento que não tem de ser lamentada. Pede sobretudo um maior esforço por parte dos mais experientes no sentido de instruir e formar outros.

Terminada a montaria, com um morteiro, também se ouviram ainda alguns tiros o que é rigorosamente interdito! Nesta altura já se anda na mancha a cobrar ou assinalar reses abatidas, e os matilheiros juntaram os cães…

Positiva a actuação da maior parte dos monteiros que prontamente se juntaram para puxar as reses para lugares o¬nde pudessem ser carregadas, sendo eficiente a recolha de todas.

Decorreu o almoço, com ementa regional, sóbria mas apurada, um excelente entrecosto com arroz de feijoca, farto, regado com bom vinho, no fim uma boa tigelada! Muito bom o ambiente, o¬nde muitos se conheciam, estabelecendo-se boa tertúlia de caça.

No fim, apresentação do quadro de caça e depois na casa da matança, devidamente preparada e licenciada se procedeu à divisão da carne, o que sempre se faz ali, podendo os monteiros participantes levar, devidamente legalizada, a sua porção.

Retirei-me despedindo-me e agradecendo, satisfeito com mais uma jornada de caça bem passada.

Julgo que contei com clareza e verdade o que se passou e aquilo a que assisti!

Posso resumir que tudo decorreu com ordem e no mais estrito respeito quer pelas normas da caça, como pelos participantes.

Aqui fica o relato, que vale o que vale, que não pretende reabrir polémicas nem justificar o que quer que seja… é apenas um relato. Não há que tirar conclusões!
 

 
Imprimir   Imprimir
     
     
     
     
 
 
 
Votos (30)    
 
     

Comentário(s) (8)   Comentário(s) (8)    
    Só mais um pormenor    
    Caro Miguel    
    Ó António Luiz Pacheco    
    Vamos a falar como Homens!    
    OK Confesso ...    
    Foi pena o final    
    Nem tudo é verdade    
    Assim , sim    
 
Informação Relacionada

2ª Montaria na Herdade da Baliza Mais uma vez em ambiente de festa e na presença de ilustres monteir ...

   

Montaria na Herdade da Baliza Junto ao Tejo e em ambiente de grande camaradagem decorreu a primeira ...

   

Aproximação na Brama em 2009 Oito horas foi a hora combinada na Herdade da Baliza para iniciarmos a ...

   

Herdade da Baliza: Nota de Esclarecimento Publicamos na íntegra Nota de Esclarecimento da Herdade da Baliza, relativa à Montaria ali realizada no pas ...

   

Montaria Herdade da Baliza 15-12-2007 Como já vem sido habitual, a Herdade da Baliza tem sido uma das minhas escolhas no meu calendário de montarias, ...

   

Montaria da Herdade da Baliza Uma montaria honesta, bem organizada, feita por um grupo de amigos para outro grupo de amigos! Devia ser um exemplo p ...

   

Montaria da Herdade da Baliza 06/01/07 No dia 06/01/07 desloquei-me na companhia do amigo António Luiz Pacheco para mais uma montaria, desta vez na He ...

   

Montaria da Herdade da Baliza 25-11-06 Mais um fim-de-semana, mais uma jornada de caça maior. Desta ...

   

Montaria na Herdade da Baliza A ZCT da Herdade da Baliza fica em Malpica do Tejo, situada na margem ...

   
 
     
  Voltar

 
 

| Ficha Técnica | Aviso Legal | Política de Privacidade |

 

(TES:1s) © 2004 - 2020 online desde 15-5-2004