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Sacarrabos (Herpestes ichneumon)
 

     

Autor: Tânia Sofia Queirós Barros

Co-Autor: Carlos Fonseca (Departamento de Biologia/CESAM, Universidade de Aveiro)

20-04-2008 15:22:00

 

Originário de terras africanas, o sacarrabos é um dos mamíferos carnívoros mais abundantes em Portugal e é a única espécie de mangusto presente na Europa. Esguio e comprido, este carnívoro foi introduzido na Península Ibérica provavelmente pelos árabes como uma espécie domesticada e, mais tarde, regressou ao estado selvagem. Esta espécie cinegética distribui-se maioritariamente pelo sudoeste da Península Ibérica. Porém, pensa-se que actualmente esta espécie se encontra em expansão de sul para norte no território português.

Nome comum: Sacarrabos

Nome científico: Herpestes ichneumon

Outros nomes: Mangusto, manguço, escalavardo

Peso: 3 kg (adulto)

Comprimento: 95 cm

Altura ao garrote: 21 cm


O sacarrabos é um mamífero de porte médio, possui um corpo alargado e uma coloração escura, mesclada e bastante uniforme. Os seus pêlos variam entre a cor creme claro e o pardo castanho muito escuro, podendo apresentar uma tonalidade cinzenta prateada nas pontas, o que torna o animal mais claro. A pelagem apresenta uma ligeira variação entre os indivíduos e também ao longo do ano, sendo no Verão mais curta, escassa e mais acastanhada. A sua cauda é larga e pontiaguda, terminando num conspícuo pincel de pêlos pretos. Este carnívoro tem as patas proporcionalmente muito curtas e típicas de um animal escavador. Cada uma possui cinco dedos com unhas não retrácteis e as plantas dos pés são desprovidas de pêlo. A sua cabeça é pontiaguda e tem um focinho estreito, que termina num nariz escuro e nu. Os olhos são de cor âmbar, pequenos, arredondados e as pupilas são ovais e horizontais, característica muito rara entre os carnívoros. As suas orelhas são arredondadas, largas e curtas e encontram-se um pouco escondidas pelo pêlo. Existe um ligeiro dimorfismo sexual dentro desta espécie, ou seja, os machos são ligeiramente maiores e mais pesados do que as fêmeas.

Este animal possui uma bolsa glandular a rodear o ânus, o­nde se abrem glândulas anais o­nde são produzidas secreções odoríferas típicas de cada sexo. Estas secreções poderão ter a função de marcação do território e para os indivíduos se reconhecerem uns aos outros.

Quanto à longevidade, estes animais podem atingir os 20 anos de idade em cativeiro e cerca de 12 anos em estado selvagem.

O sacarrabos encontra-se amplamente distribuído no continente africano excepto no Sahara, nas florestas tropicais da África Central e Ocidental e nas zonas desérticas sul-africanas. Esta espécie também se distribui pela Palestina, Israel, Jordânia, Líbano e Síria. No caso da Europa, o sacarrabos distribui-se pela Península Ibérica e foi introduzido na ilha de Mljet, na Croácia.

 

 
 Distribuição mundial do sacarrabos (adaptado de Blanco, 1998)

Na Península Ibérica, este animal ocupa a região mais a sudoeste. Relativamente ao nosso país, segundo um trabalho realizado em 1996, o sacarrabos distribuía-se pelo sul do território, tendo o Rio Tejo a norte como barreira natural. Já nesta altura se verificava uma abundância gradual de norte para sul e o distrito de Faro era apontado como a zona de maior densidade de sacarrabos. Também foram documentadas citações intrigantes que testemunham a presença do sacarrabos em zonas o­nde a espécie actualmente não existe. Pensa-se que esta espécie cinegética se encontra em expansão no nosso país e foi confirmada a sua presença para além do Rio Tejo, tendo sido observado pelo menos até à Serra de Estrela. Nos anos mais recentes, têm sido frequentes os relatos da presença de sacarrabos em concelhos do centro e norte do país, sendo mesmo já caçados ou capturados ao abrigo das medidas de controlo de predadores, em muitas zonas de caça do centro do país.

Ao longo dos tempos, o território do sacarrabos sofreu regressões e expansões. O aumento da produção de cereais nos anos trinta reduziu a área de habitats favoráveis ao sacarrabos, levando à regressão da espécie. Actualmente, o aumento do abandono de terras agrícolas e o êxodo para as cidades contribuíram provavelmente para a adaptação do sacarrabos a habitats mediterrânicos. Por outro lado, a virtual extinção do lince-ibérico (predador do sacarrabos) em Portugal poderá estar a contribuir para a expansão e o aumento de sacarrabos no país. Poderão ser apontadas outras razões: tratar-se de uma espécie pouco especializada em termos de habitat e de recursos alimentares e ser o único carnívoro com actividade quase exclusivamente diurna, o que diminui os efeitos da competição com espécies de tamanho e dieta semelhantes.

O sacarrabos é um animal que necessita de uma densa cobertura vegetal, sendo o seu principal biótopo o maquis ou matagal mediterrânico espesso, constituído por lentiscos, estevas, sargaço, medronheiros, com um arvoredo mais ou menos disperso de azinheiras, sobreiros, carvalhos e, por vezes, pinheiros e eucaliptos. Apresenta também uma preferência por zonas próximas de linhas de água e zonas húmidas com uma vegetação densa de silvados, juncos e, em geral, ligadas a áreas de monte cerrado.

O sacarrabos, sendo um animal diurno e de pequenas dimensões, necessita de zonas arbustivas que lhe ofereçam protecção enquanto procura comida. Para além de possuírem uma densa cobertura vegetal, estas zonas também têm de oferecer uma grande abundância de coelhos, pois este é um factor fulcral na selecção de habitats. Esta espécie cinegética utiliza muito as zonas de silvados, freixos e lentiscos, tanto para caçar como para repousar, evitando zonas florestais. Raramente utiliza zonas com prados, pântanos, campos agrícolas e de pastoreio.

Para repousarem durante a noite, os sacarrabos podem partilhar os esconderijos com indivíduos da mesma família. Estes locais de repouso podem ser tocas subterrâneas, emaranhados de vegetação, buracos nas árvores, fendas nas rochas e ramos das árvores. Os sacarrabos raramente usam os locais de descanso de uma forma sistemática. Optam por descansarem em locais esporádicos, o que poderá contribuir para a redução do gasto de energias durante o percurso feito das áreas o­nde a espécie procura alimento até aos locais usados para descanso e, também, para evitar o contágio de parasitas. É provável que os sacarrabos utilizem as tocas subterrâneas com mais frequência durante o Verão, talvez para evitarem as elevadas temperaturas. O grupo familiar deposita as suas fezes em latrinas à volta dos locais de descanso mais frequentes. Desta maneira, os indivíduos não aparentados poderão obter informações sobre o estatuto social, estado reprodutor e, provavelmente, identidade e condições físicas dos potenciais competidores.

Em Espanha, foram estimadas densidades globais de 1,2 sacarrabos adultos por km2 e 2 sacarrabos jovens por km2. Relativamente ao tamanho do território deste mamífero, este ronda os 3 km2/animal, embora este valor possa oscilar bastante. Porém, se considerarmos apenas a área o­nde o animal passa a maior parte do seu tempo – denominada área vital -, esta é de apenas 500 m2. A distância média percorrida diariamente por um sacarrabos é cerca de 4,5 km se bem que pode haver grandes oscilações, devido à disponibilidade de alimento e outros aspectos do comportamento social, como a vigia dos territórios pelos machos.

A organização espacial deste mamífero é irregular e está relacionada com a existência de zonas óptimas de alimento. Os machos são territoriais e possuem territórios exclusivos, enquanto que as fêmeas transpõem os territórios umas das outras, mas as zonas óptimas são exclusivas.

O modo como o sacarrabos usa o espaço é diferente entre os dois sexos: as fêmeas distribuem-se de acordo com a distribuição dos recursos tróficos, enquanto que os machos se distribuem de acordo com a distribuição das fêmeas. Os machos de maiores dimensões possuem territórios maiores, o que faz com que estes tenham acesso a um maior número de fêmeas. Estas quanto maiores forem, mais pequenos são os seus territórios, pois estes são de melhor qualidade (isto é, mais ricos em alimento).

Contrariamente a outros carnívoros mediterrânicos, este mangusto é um animal de hábitos diurnos, o que poderá explicar, em parte, a sua colonização bem sucedida do sudoeste da Europa.

Os sacarrabos começam a sua actividade duas horas após o nascer do sol e terminam uma hora antes do sol poente. Geralmente, o descanso nocturno é de 15 horas sem interrupção e, durante o seu período diário de actividade que dura pouco mais de 6 horas, os sacarrabos tiram uma ou mais sestas que duram aproximadamente 2 horas. Quando vários sacarrabos se movimentam em grupo, a actividade começa mais cedo e permanecem activos mais tempo, provavelmente para compensar a necessidade de encontrar uma maior quantidade de alimento.

O sacarrabos é um carnívoro com uma dieta muito variada adapta-se bem ao tipo de alimento que o meio lhe poderá oferecer. Foram feitos vários estudos em Espanha sobre a sua alimentação e, consoante a área de estudo, a sua dieta variava significativamente, mesmo entre zonas relativamente próximas.

Na Península Ibérica, a dieta do sacarrabos é constituída por coelhos-bravos (principalmente crias e coelhos jovens), lebres, mamíferos de pequenas dimensões, répteis, aves, ovos, anfíbios, insectos, crustáceos, gastrópodes, carcaças, bagas e cogumelos. Estes resultados mostram que o sacarrabos é um predador generalista e, além disto, depende em grande parte dos coelhos-bravos e das mudanças na abundância e distribuição desta presa, o que poderá explicar a reduzida distribuição da espécie na Europa. É também considerado um caçador oportunista, capturando as presas mais abundantes ou vulneráveis do período do ano em que se encontra.

O sacarrabos é caracterizado frequentemente como um animal solitário. Porém, é frequente observá-lo em grupos, o que poderá indiciar um certa tendência para ser um animal social.

Estudos revelaram que os sacarrabos passam a maior parte do tempo sozinhos, apesar de podermos observar grupos de indivíduos. Dentro da espécie, os machos adultos são mais solitários que as fêmeas adultas e os jovens, mas podem formar grupos familiares (constituídos pelos progenitores e crias). Para além de poderem partilhar o esconderijo, partilham com frequência as presas capturadas e podem participar na defesa conjunta.

A formação de grupos de indivíduos é condicionada pelo tipo de presas: quando o alimento é muito abundante ou quando as presas são de grande tamanho, o sacarrabos tende a ser sociável, mas se o alimento estiver disperso e as presas forem pequenas, os grupos tendem a ser reduzidos.

Os machos sacarrabos de maiores dimensões são favorecidos na competição com outros machos, visto que monopolizam um maior número de fêmeas. Os machos desfavorecidos neste tipo de competição protegem a fêmea mais intensamente do que os machos maiores. Este facto pode reflectir um comportamento adaptativo dos machos mais pequenos para compensar o seu reduzido acesso às fêmeas, o que lhes confere uma maior probabilidade de assegurar a paternidade. Por outro lado, poderá haver um aumento do seu sucesso reprodutivo devido à protecção contra os predadores e à cooperação na procura de alimento para a fêmea e para as crias. As fêmeas com machos de maiores dimensões têm a vantagem de usufruir de um território de melhor qualidade e de darem às suas crias um pai forte, enquanto que as fêmeas com machos mais pequenos beneficiam de presas por eles caçadas, da potencial protecção e dos cuidados parentais que poderão proporcionar.

No que diz respeito à reprodução, foram registadas cortes e cópulas entre Fevereiro e início de Junho, com um pico entre Março e Abril e os partos ocorriam a partir do meio de Abril até meio de Agosto, com um pico entre Maio e Julho. Em cativeiro, a cópula pode ser observada em Janeiro, Março, Abril, Maio, Junho e Outubro. É possível que a reprodução possa ocorrer em qualquer época, pois os machos que foram capturados em Espanha ao longo do ano possuíam espermatozóides e a espermatogénese encontrava-se activa. Normalmente, as fêmeas têm uma ninhada por ano. No entanto, se perderem a ninhada, os indivíduos podem acasalar outra vez no mesmo ano.

O período de gestação oscila entre os setenta e dois e os oitenta e oito dias e a fêmea dá à luz dentro da toca, mantendo-se em pé e com as pernas ligeiramente flectidas.

O número de crias ronda as três por ninhada e estas pesam aproximadamente 70 g. Atingem a maturidade aos dois anos de vida e permanecem com a mãe até ao nascimento da ninhada seguinte, chegando a formar grupos de sete a nove indivíduos.

Os sacarrabos machos podem ser poligâmicos e fecundar várias fêmeas.

Presentemente, e segundo o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal, o sacarrabos está categorizado com o estatuto de “Pouco Preocupante”, ou seja, é uma espécie que não se encontra ameaçada. Apesar deste estatuto, a sua presença está fortemente condicionada pela existência e conservação do seu habitat típico que é caracterizado por zonas com uma grande cobertura de árvores e arbustos, com rios e zonas húmidas próximas.

O sacarrabos é visto como um voraz predador de espécies de caça menor como o coelho-bravo que, para além da predação e da grande pressão cinegética, é vítima de doenças como a mixomatose e a febre hemorrágica viral. O impacto destas doenças na diminuição do coelho-bravo não está bem definido, fazendo com que o sacarrabos e outros predadores sejam vistos como os responsáveis pela diminuição das populações de coelho-bravo. Por esta razão, o sacarrabos é alvo de um intenso furtivismo em Espanha, apesar de neste país ser uma espécie protegida.

Devido à sua agilidade e habilidade, esta espécie é importante no controlo de populações de ratos, ratazanas e cobras. Com os seus pêlos podem ser fabricados pincéis que são apreciados na pintura a óleo.

Estudos efectuados em Espanha comprovam que o lince-ibérico pode ser considerado como o principal inimigo do sacarrabos, visto que este é fortemente predado por este felino. As aves de rapina de grande porte, como a águia-real e a águia-de-Bonelli também o podem predar. Os ataques por cães assilvestrados ou não assilvestrados, o furtivismo, os atropelamentos e outras causas desconhecidas contribuem também para a mortalidade desta espécie.

Relativamente à parasitologia e a doenças, o sacarrabos é frequentemente parasitado por piolhos e por ténias. Em Espanha, foram encontrados nesta espécie anticorpos contra o parasita que contrai a toxoplasmose e, no Noroeste do Sudão e provavelmente noutras regiões do Este de África, o sacarrabos é um possível hospedeiro de leishmaniose, o que poderá constituir alguns perigos para o Homem.

 

 
Gravura de sacarrabos (von Schreber 1739-1810) 

O sacarrabos é uma espécie resistente ao veneno de cobras e o seu nome científico (Herpestes ichneumon) significa, literalmente, “o perseguidor” (em que Herpestes significa “rastejante” e ichneumon significa “mangusto” em grego). O seu nome em português deve-se ao facto de, quando a progenitora e as crias se deslocam em conjunto, estas vão em fila e tocam com o focinho na ponta da cauda do indivíduo que segue à sua frente, dando o aspecto de uma serpente. Na Antiguidade, era considerado como o “Gato do Faraó” na civilização egípcia e era alvo de muitos mitos e lendas, devido ao seu carácter enganador e esquivo.








 

Bibliografia recomendada:
Blanco, J. C. (1998). Mamíferos de España I - Insectívoros, Quirópteros, Primatas y Carnívoros de la península Ibérica, Baleares y Canarias. Editorial Planeta. 457 pp.
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