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Histórias de Caça

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«a caça é assim, vale acima de tudo pelos bons momentos que nos proporciona «
Espera no Crespo
 

     

Autor: José Manuel Paulino

04-07-2008 14:02:45

 

Javali bebé
   
Banheiro de javali
   
Estes episódios valem não só pela subida de adrenalina provocada na altura, mas também pela sensação calma e agradável que nos proporcionam hoje ao revivê-los.

Muitas recordações me vêm à memória, os episódios de caça já são muitos! Normalmente temos tendência para relatar os episódios em que o resultado final é positivo e os outros? Penso que quem faz esperas não é só pela ambição dos troféus mas, acima de tudo, pelos momentos inigualáveis que nos proporcionam.

Estou-me a lembrar de uma espera que fiz já lá vão vinte e muitos anos, altura em que o vício era muito e a experiência pouca. Na companhia de algum amigo ou sozinho, passava muitas horas a calcorrear as zonas frequentadas pelos javalis observando os rastos, as pegadas, os lameiros, as marcas deixadas nas árvores o¬nde se esfregavam ou os machos punham a assinatura com as suas navalhas afiadas, as aveias ou figueiras onde comiam. Era como um puzzle o¬nde faltavam algumas peças que eu tentava reconstituir ajuizando sobre os locais mais favoráveis para tentar a minha sorte.

Nestas andanças, fui descobrir o rasto de um bom macho, numa aveia que ficava perto de uma zona florestada, com bastante mato, o¬nde os porcos costumavam ficar. Esta zona não tinha comida e estava vedada com rede, de modo que havia algumas passagens muito mexidas, o problema era que devido à predominância desfavorável do vento não se podia esperar aí.

Uma tarde, na companhia do amigo António dos Reis, apesar de não haver muitos indícios da sua passagem e não ser o percurso mais directo para a comida, resolvi ficar no caminho que tinha um portão bastante largo e que costumava estar aberto, era um ponto alto e o vento estava a meu favor. O companheiro ficou na aveia e eu lá fui para o meu posto. Ao chegar para melhor controlar a situação, resolvi fechar metade do portão e sentei-me junto a umas estevas a não mais de 15 metros.

Ao fim de algum tempo levantou-se vento e começou a chuviscar, pensei para comigo, “o mais certo é não aparecer aqui nada e apanho uma rica molhadela”! Abri o guarda-chuva, pus a espingarda atravessada no colo e tapei-a para não se molhar. Por mais atento que estivesse não conseguia ouvir nada e foi com bastante surpresa que vi o porco parado por detrás da metade do portão que eu fechara, parecia olhar para mim que certamente com o guarda-chuva aberto lhe parecia um vulto esquisito. Fiquei quieto, pois sabia que ao mais pequeno movimento ele arrancaria, passaram-se alguns segundos e o navalheiro continuou a andar pelo lado de dentro da rede sem querer passar o portão.

Pelo seu andar tranquilo apercebi-me que não me tinha sentido, desconfiara somente do vulto, assim talvez ainda voltasse. A vedação fazia canto a uns 50 metros e foi aí que ele voltou, senti-o aproximar-se novamente do portão e esperei preparado. Vinha com passo rápido e ao chegar ao portão arrancou de rompante na minha direcção, fiz-lhe um tiro de frente com alguma precipitação, pois estava um pouco escuro, o porco passou-me a dois ou três metros, mal dando tempo para me virar e fazer-lhe outro tiro com o mesmo resultado do primeiro.

Deste modo se concluiu mais um lance de caça que na altura me deixou um pouco decepcionado, mas a caça é assim, vale acima de tudo pelos bons momentos que nos proporciona independentemente dos resultados obtidos, por isso o balanço é sempre positivo. Estes episódios valem não só pela subida de adrenalina provocada na altura, mas também pela sensação calma e agradável que nos proporcionam hoje ao revivê-los.
 

 
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