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Relatos de Montaria

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Às seis e um quarto o Land Rover estava a andar para mancha
Montaria do outro lado da fronteira
 

     

Autor: José Manuel Paulino

13-11-2008 9:22:00

 

Bonito Veado
   
Vista de uma parte da mancha com Ficalho ao fundo
   
Aspecto da vegetação
   
Fim da montaria
   
Posando para mais tarde recordar
   
No dia oito de Novembro acompanhei o Zé Duarte a uma montaria organizada pela Associação de Caçadores de Rosal de la Frontera.

O sorteio dos postos realizou-se na véspera, saiu-lhe a porta número dezoito, que mereceu da parte de um dos responsáveis o comentário de habitualmente ser um bom local para ver bicharada e tinha a particularidade de permitir o abate de uma cerva. Este comentário juntamente com o conhecimento de que em anos anteriores se tinham realizado no local boas montarias criou em nós uma certa expectativa.

O posto pertencia a uma armada de fecho pelo que seria das primeiras a sair. No dia seguinte, sábado, às seis e um quarto, o land rover, estava a andar rumo à mancha, iam connosco dois companheiros também portugueses. Fizemos cerca de uns cinco quilómetros em alcatrão na direcção de Santa Bárbara de Caza e penetramos numa área bastante acidentada de mata de eucaliptos que por vezes alternava ou se misturava com pinheiros e vegetação natural. Andamos uma hora e meia num autêntico labirinto de caminhos ora subindo ora descendo, parecendo-nos que o percurso não tinha fim. A princípio estava escuro e não dava para ver mais do permitiam as luzes dos veículos, mas com o nascer do dia, os pontos mais altos, ofereciam-nos lindas paisagens amenizando a agrura e morosidade do percurso.

Finalmente lá chegámos, arrumámos os transportes num caminho estreito por trás das portas e lá seguimos a pé. Estávamos num ponto alto e à nossa frente havia um corta-fogo de uns cinquenta metros de largura que limitava a área a montear. Deixamos a porta número dezasseis junto ao corta-fogo, um local muito agradável em termos de visibilidade, e começámos a descer por um caminho coberto de estevas que mais parecia uma vereda, na dezassete ficou um casal, era o início de uma encosta profunda e sombria e tinha pouca visibilidade. Andamos mais uns cem metros, é de referir que os postos estavam bastante distanciados, e o postor indicou-nos o nosso posto. Depois de olharmos para o saquinho de plástico onde estava um papel com o número dezoito fizemos um breve reconhecimento do local, avaliando os sítios mais prováveis e favoráveis ao aparecimento de alguma rês. Era uma encosta sombria, muito inclinada, com uma linha de água pouco profunda à nossa esquerda, e coberta de vegetação, eucaliptos velhos, pinheiros de médio porte e bastantes arbustos próprios destes locais mais sombrios e húmidos. Por baixo de nós, a encosta prolongava-se por uns trezentos metros até terminar numa ribeira onde desembocavam vários pontais e covões que rapidamente escondiam o seu traçado sinuoso.

Acomodámos os apetrechos e fez-se uma observação mais pormenorizada do local, centrando a atenção na encosta em frente, avaliando os poucos metros quadrados com visibilidade para atirar a uns cento e poucos metros.

À primeira vista, parecia-nos um local agradável para os veados, mas ao mesmo tempo demasiado afastado da linha de água. Absortos nestes pensamentos, olhando a paisagem e construindo hipotéticos lances, o Zé Duarte, com um pequeno gesto a pedir-me silêncio e a falar baixinho, diz-me que está a ver uma cerva à nossa frente, olhei e tornei a olhar e nada, lá me foi dando algumas referências ao mesmo tempo que a espreitava pela mira telescópica e assim consegui descobri-la. Estava imóvel a olhar para nós, tapada por uma moita, deixando somente ver um bocadinho dos quartos traseiros e a cabeça com as orelhas espetadas na nossa direcção como se fossem uns segundos olhos, assim permaneceu imóvel com uma estátua durante cerca de meia hora até que passou perto uma outra fêmea que acabou por seguir. Decidimos não atirar aquela fêmea e aguardar pelo desenrolar da montaria.

Pelas dez horas e trinta minutos começamos a ouvir os cães das matilhas a uma distância considerável, tínhamos o vento a soprar na nossa direcção, o tempo foi passando e as esperanças desvanecendo-se já que os veados mal sentem os cães costumam movimentar-se. As matilhas parecia que não saíam do mesmo sítio, ouviam-se algumas ladras e quase não se ouviam tiros.

Perto da uma da tarde os cães começaram a aproximar-se e após várias horas de espera, sem nada aparecer, o Zé relaxara um pouco a atenção e largara a carabina, nisto ouvimos barulho a uns trinta ou quarenta metros por baixo de nós e, logo meia encoberta pelo mato, apareceu uma cerva, rapidamente pegou na carabina e fez dois disparos, a fêmea desapareceu na vegetação mas não a ouvimos correr. Assim que fez o segundo tiro apercebeu-se que, alguns metros mais longe, mesmo na linha de água onde a vegetação era mais densa, havia movimento e logo vislumbrou a armação, atirou e o veado arrancou para a encosta em frente e já a uns cento e tal metros conseguiu fazer-lhe o segundo tiro que foi mortal. Esquecidas as horas que, apesar de nos terem proporcionado bons momentos de contacto com a natureza, se iam tornando demasiado longas, a adrenalina subiu, comentamos se a fêmea teria ficado ou não, e continuamos atentos. Apareceram algumas crias jovens a escapar-se e, apreciamos a sua perícia em despistar os cães, mais uma ladra e novo veado na parte de cima da encosta um pouco mais afastado do local onde tombara o primeiro. Houve um primeiro tiro, um segundo, um terceiro, o veado apanhou mas teimava em não ficar e a visibilidade era pouca, mais dois tiros, desceu uns cem metros da encosta com os cães à perna e acabou por ficar no fundo da linha de água. Constatamos posteriormente que qualquer dos machos tinha 2 tiros na caixa toráxica e a fêmea estava morta a poucos metros. Ainda apareceram mais algumas fêmeas e várias crias com os cães no seu encalce, a jornada de caça estava no fim, os matilheiros procuravam reunir as matilhas chamando os cães mais renitentes em abandonar a mancha. Seguiu-se a parte mais dura, a recolha das rezes que apesar de serem escaças, 2 machos e 4 fêmeas, deram bastante trabalho.

A viagem de regresso é sempre um momento para fazer o balanço da caçada e se exprimirem os mais diversos sentimentos conforme a personalidade de cada um e as vivências que lhe foram proporcionadas.

Para nós juntou-se o útil ao agradável como se costuma dizer, passamos o dia no campo e tivemos oportunidade de dar uns tiros.
 

 
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