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Ainda sobre os tordos… era uma vez uma pomba chamada Martha…!
 

     

Autor: Alexandre Miguel Silva Martinho Reis Caetano

20-02-2009 23:01:37

 

Pombo viajante - Ectopiste migratorius
   
Ainda sobre os tordos… era uma vez, uma pomba chamada Martha que viveu cativa no Jardim Zoológico de Cincinnati até ao dia 1 de Setembro de 1914, data em que infelizmente morreu.

Com esta breve introdução, talvez não tenha conseguido chamar à atenção dos confrades, mas se identificar Martha como o último exemplar daquela que foi a ave mais abundante do planeta, até ao final do século 18, talvez consiga despertar alguma da vossa atenção.

Martha era uma fêmea de pombo viajante – Ectopistes migratorius – espécie muito semelhante ao pombo torcaz – ligeiramente maior e de cauda mais longa, e com o peito em tom alaranjado – cuja população se estima ter chegado, durante o século 17, aos 5 biliões de aves no território onde hoje se localizam os EUA. Eram aves muito sociais – formavam bandos com milhões de indivíduos – e faziam da floresta virgem que cobria as regiões a leste das Montanhas Rochosas o seu habitat. Em 1810, o ornitologista Alexander Wilson contou um bando constituído por cerca de 2000 milhões de aves. Eram verdadeiros exércitos alados, que chegavam a ocupar um espaço de 1,6Km de largura por 500Km de comprimento com uma densidade aproximada de 4 indivíduos por metro cúbico, e escureciam o céu durante a sua passagem durante horas e por vezes dias a fio, quando da migração para invernarem no sul dos EUA.

Tal como os torcazes, os viajantes tinham o hábito de recolherem ao entardecer em grandes dormidas mais ou menos fixas, facto que era aproveitado pelos índios para os caçarem, pois apreciavam muito a sua carne.

Com a chegada do homem branco começou a matança indiscriminada nas dormidas. Durante essas bárbaras caçadas, o ruído do voo das aves quando chegavam e o seu revoltear, juntamente com os tiros, o fogo – chegavam-se a pegar fogo às árvores para os pombos caírem chamuscados – e os gritos das pessoas formava um barulho ensurdecedor tal, que era impossível distinguir os diversos elementos que o produziam. Pela manhã jaziam milhares de pombos no chão, cada um apanhava os que queria, e os que sobravam serviam de alimento para os porcos entretanto soltos.

Simultaneamente, nas suas colónias de nidificação eram retiradas diariamente centenas de aves, e enviadas para os mercados para consumo humano sob a forma de tarte de pombo. Depois descobriu-se que podia ser utilizado como fertilizante de solos e ração para animais.

Em determinada altura os pombos não conseguiam estabelecer-se em nenhum local, pois todos os seus poisos eram alvos de tiros dia e noite.

As novas tecnologias também deram a sua contribuição. Com o aparecimento do telégrafo, conseguia-se saber a localização exacta dos bandos, e as armas também evoluíram na sua precisão e capacidade de tiro. O machado humano desflorestava o seu habitat, colaborando também no seu declínio populacional.

Até que se tornou evidente que a sua população estava a reduzir-se drasticamente, pelo que foram feitos apelos no sentido de serem decretadas medidas de protecção. Esta solicitação foi alvo de risota devido ao grande número de aves ainda existentes e a matança continuou.

Em 1878, a quase totalidade da sua população vivia e criava numa colónia no Michigan. Mas em 1890, apenas restavam poucos milhares de aves que vagueavam de um poiso para o outro, tal como fantasmas à procura do descanso eterno. Acredita-se que o último bando existente – com aproximadamente 250 mil aves – foi abatido num único dia numa caçada “desportiva” (!?). Em 1900, um miúdo de Ohio matou o último pombo selvagem. A partir desta data, apenas existiam exemplares em jardins zoológicos onde se reproduziam muito mal. Em 1908 existiam 7 pombos viajantes, e em 1910 apenas um – Martha.

Quem poderia sequer imaginar que em poucas décadas, a ave mais numerosa do planeta desapareceria para sempre!?

Na maioria das espécies animais há um nível abaixo do qual uma população não pode descer sem cair numa situação de pré-extinção, e isso aconteceu com o pombo viajante, aliado à baixa taxa de reprodução da espécie, que punha apenas um ovo em cada postura.

O que acontecerá daqui a 100 anos com os tordos?
Muitos pseudo-caçadores afirmam que não adianta implementar medidas de protecção aos tordos porque se não são abatidos por cá, os espanhóis, franceses, marroquinos, etc… encarregam-se disso. Outros dizem que estes são muitos, e ainda por cima criam 3 ou 4 vezes por ano e têm várias crias em cada ninhada, por isso são praticamente “inesgotáveis”.

Engano puro!

Se continuarem a utilizar “cantantes”!?

A atirar aos os tordos às terças e sábados nas ZCT’s, às quintas e domingos nas ZCA’s e ZCM’s e ainda nalgumas incursões no “terreno livre” depois de almoço até às 16h00 – ou até ao “lusco-fusco”, como ilegalmente fazem alguns “matadores”!?

Se não baixarem o limite de abate para 30 ou mesmo 20 tordos e cumpri-lo na íntegra!?

Quero ver daqui a uns bons anos, quando os nossos bisnetos pedirem ao avô para ver um tordo, e eles tenham que ir buscar um dvd ou fazer uma pesquisa de imagem na internet para satisfazer a sua curiosidade, e simultaneamente dizer que os tordos são muito raros, porque foram demasiado caçados no tempo do seu bisavô. Qual será a sua reacção!?

Alarmismo desnecessário! – dirão alguns.

Em 1850 também foram feitos apelos para a protecção do pombo viajante, e muita gente se riu e zombou!

Acho que vale a pena reflectir sobre isso!


Saudações cinegéticas


P.S. – Para um bom atirador abater 30 tordos numa manhã, são necessários em média 90 a 120 tiros.
Para mim já é uma jornada de caça satisfatória. Para quê mais?
Para acabarem esquecidos num congelador – com penas e tudo – a maioria das vezes e passado um ano serem postos no lixo pelas nossas esposas, porque dão muito trabalho a depenar e já devem estar estragados pelo excesso de tempo no gelo!?
 

 
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