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Museu da Caça e da Natureza – Paris
Uma Caçada diferente
 

     

Autor: Gualter Furtado

17-04-2009 23:05:32

 

   
   
   
A caça para mim hoje são os cães de caça, o meio ambiente, as caminhadas, as espécies cinegéticas, as armas, os cartuchos, os amigos, a gastronomia de preferência cinegética, e a cultura ligada à caça. Em síntese caçar não é só “puxar o gatilho“.

Foi nesta filosofia de vida ligada ao mundo da caça, que numa recente visita a Paris decidi fazer uma caçada diferente, sem arma nem cartuchos, optando por uma visita a um Museu da Caça e da Natureza, um almoço num restaurante típico de Paris e a conselho do amigo Guy de Brée e uma visita a uma espingardaria de armas de ocasião.

Antes de entrar propriamente no tema desta crónica não resisto em contar muito resumidamente como conheci o Guy. Um dia desafiei o Manel França para ir caçar comigo aos coelhos na Ilha das Flores na companhia do Olívio da Terceira e do Cremilde do Pico e com os nossos cães (a Diana, o Leãozinho , o Piloto, o Charuto e o cruzado de Setter Inglês de nome Barbeiro), diga-se de passagem que estes eram apenas uma selecção dos cães que temos, já que transportar cães inter-ilhas custa uma fortuna, de forma que para obviar este constrangimento escolhemos a máxima eficiência com o menor peso.

O Manel respondeu-me que nos acompanhava com muito gosto nesta caçada nas Flores, mas a arma que ia levar era uma máquina fotográfica, em contrapartida pediu-me para se fazer acompanhar de um caçador de nome Guy de Brée, a minha resposta de imediato foi, venha lá este amigo. Entretanto, o Manel alertou-me para planificarmos bem estas datas, já que o Guy fazia questão de ir para e vir das Flores de barco, ao que eu respondi que mesmo em finais de Julho era complicado e barcos com ligação aos Açores com partida do Continente só porta contentores e petroleiros, resposta do Manel, ele desenrasca-se. E assim foi, o Guy lá se fez ao mar em Leixões num navio de transporte de mercadorias. Foram quase 30 dias vinda e volta, já que o barco teve de parar em várias Ilhas para fazer as descargas e as cargas, e não nos esqueçamos que as Flores é a fronteira a Ocidente da Europa. A tripulação deste navio da Transinsular foi extraordinária com o Guy, com o Imediato e o Comandante a dispensarem-lhe um tratamento excelente a todos os níveis, mais do que compensando a dureza da viagem.

Chegado às Flores o amigo Guy fez questão de cobrar apenas 3 coelhos com a sua calibre 20 e por sinal bem atirados, depois arrumou a arma e o resto do tempo foi para saborear a gastronomia local e apreciar as paisagens deslumbrantes da Ilha. Que contraste com aqueles matadores que ainda hoje se deslocam às Flores só para fazer números e armazenar carne. Aqui está a explicação porque decidi seguir os conselhos do Guy na minha “caçada” em Paris, até porque ele fala com um entusiasmo de França e de Paris como eu falo da Ilha do Pico, da Terceira ou de Santa Maria.

Mas voltemos a Paris, Paris é uma cidade grande em tudo, plana, bem desenhada, com as ruas bem assinaladas, e portanto muito fácil para andar a pé (cuidado com os condutores e as passagens nas passadeiras) e localizar objectivos.

Assim, estava facilitada mais uma regra fundamental do tipo de caça que gosto de praticar hoje e que se traduz em “caminhar Km’s e correr nem 1 metro”. Não é pois de estranhar que logo no primeiro dia em Paris tenha andado a pé aproximadamente 30 Km. Acresce que durante o percurso e em todos os recantos onde existiam árvores, água e relva lá tínhamos uma grande variedade de aves e algumas delas parentes de espécies cinegéticas como era o caso dos Pombos Trocazes da Bastilha ou dos Patos Reais junto à Torre Eiffel.

Vamos ao Museu

Museu da Caça e da Natureza
62, Rue des Archives-75003 Paris
www.chassenature.org
Preço do bilhete: 6 euros
Permitido tirar fotos sem flash
Está aberto de Terça a Domingo

O Museu é constituído por duas Exposições, uma permanente e outra temporária. A permanente tem 15 salas com temas diferenciados, com destaque para as salas do javali, do veado, do lobo, dos cães, dos cavalos, da falcoaria, das aves, dos troféus, das amostras e chamarizes, das pinturas com motivos de caça, das armas, das louças, dos trajes e dos móveis também com motivos de caça. De referir que na mudança de uma sala para outra somos contemplados com situações extraordinárias como a da raposa a dormir toda enrolada numa cadeira.

Quanto à exposição temporária a que tive a oportunidade de visitar era dedicada a duas caçadas ao javali, uma no palanque e a outra de aproximação e no meio de uma tempestade. O realismo era tal que eu tive a sensação de ser o protagonista daquelas caçadas.

Este Museu está intimamente ligado à personalidade de François Sommer e Jaqueline Sommer que foram os fundadores e mecenas deste museu. São considerados em França como os pioneiros da defesa da fauna e da natureza e da tomada de medidas que regulamentassem o exercício da caça para lhe conferir uma base de sustentabilidade. François Sommer (1904-1973) inspirou o Presidente da Republica Francesa Georges Pompidou na criação do primeiro Ministério do Ambiente em França. Vale a pena pois visitar este Museu e verificar como é actual e fundamental a sua filosofia de propostas para a defesa da Caça e da Natureza, já que com águas poluídas, matas devastadas, e terrenos e pastagens com cargas excessivas de pesticidas e adubos não temos Natureza nem Caça. A este propósito recomendo a compra (apenas 15 euros) no Museu de uma reprodução do Livro de Caça de Gaston Phébus, escrito à cinco séculos, e no qual se pode ler e ver que “a caça é uma actividade tão antiga como a humanidade ... e uma fonte de inspiração para as artes e para as letras”.

O Almoço e a Espingardaria

De seguida rumo à Rue de Grenelle (muito próximo dos Inválidos onde estão os restos mortais de Napoleão) para almoçar no restaurante mais antigo de Paris “A La Petite Chaise”, especialmente recomendado pelo Guy e que remonta a 1680. É um pequeno restaurante frequentado no passado e no presente por artistas, escritores, caçadores, e políticos como François Mitterand que fez deste estabelecimento o seu quartel general.

Ainda hoje na entrada do restaurante temos um espelho que ostenta uma pequena cadeira e que é o símbolo e deu o nome ao restaurante, e que resta da casa original que se estima tenha sido construída em 1610. A comida é de grande qualidade com destaque para uma fabulosa sopa de cebola com pão e queijo que é um dos pratos típicos de Paris. O preço não é barato mas também não é exagerado e dias não são dias e depois temos sempre a alternativa de cortar noutras despesas, é tudo uma questão de escolhas e bom senso. Mas valeu a pena.

Terminado o almoço rumo à espingardaria de armas de ocasião do Senhor Gilbert Laurent, que fica na mesma Rue de Grenelle. O Laurent é mesmo um Senhor que sabe receber bem. A Espingardaria não é muito grande mas está recheada de armas de caça com bom aspecto e de boas marcas. Mas o que mais me impressionou foram os preços muito acessíveis. Evidentemente que a minha idade e principalmente a nova Lei das Armas de caça é um travão à aquisição de novas armas de caça, pelo que me fiquei pela agradável conversa com o Sr. Laurent e nunca se sabe se algum dia não volte lá, já que aquelas Merkel, Saint Etienne, e Darnes são mesmo de encher a vista.

E assim se cumpriu mais uma jornada com “Uma Caçada diferente”.
 

 
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    Belíssima Caçada em Paris    
 
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