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O estado actual das provas de Santo Huberto
 

     

Autor: Pedro Pereira

15-07-2009 10:00:00

 

Graças à evolução dos caçadores portugueses, a caça menor, duma forma geral, evoluiu muito nos últimos anos.
Hoje temos mais e melhores perdizes bravas, codornizes mais ariscas e finteiras, galinholas mais astutas e esquivas, já temos faisões bravos por várias zonas de caça do nosso país, melhores perdizes de cativeiro para repovoamentos, caçadas intensivas, treino de cães e provas.


No resto da Europa, fruto de um ordenamento mais equilibrado e com muito mais anos, vários criadores de cães de parar e também os clubes de raças através de provas e de uma canicultura muito mais desenvolvida têm feito evoluir também os cães de parar. Em Portugal graças à importação em grande escala destes cães e também não esquecendo, o trabalho notório da Associação do Perdigueiro Português, fazendo este evoluir ao nível das melhores raças do mundo, sem se afastar do seu objectivo primário: servir o caçador.
 
   
 «A culpa, por vezes, não é deles, que com a melhor das boas vontades (por vezes) se deslocam de longe e passam horas a pé e ao sol, mas das organizações, nomeadamente: CLUBE PORTUGUÊS DE CANICULTURA, FENCAÇA e CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS CAÇADORES PORTUGUESES que não promovem cursos, acções de formação e jornadas de actualização e uniformização de critérios para juízes.» 
   

Infelizmente e contrariando esta corrente, as nossas organizações e clubes têm estado praticamente paradas! Temos poucas provas, estas pouco divulgadas, com datas escolhidas à pressa e sem calendários públicos, maus terrenos, isto é, terrenos que muitas vezes nada têm em comum com os terrenos de caça reais o que faz distorcer por completo a realidade dos cães de parar, temos pouco cuidado com a escolha de aves de cativeiro adequadas à tentativa de tornar as situações em prova mais reais, temos ainda uma dificuldade enorme em começar cedo as provas como na caça beneficiando sempre desta forma a prestação dos nossos cães. 
   
 «Além disto, ter que assistir ao espectáculo deplorável de vê-las serem enroladas quase até à morte e escondidas em covas, regos e buracos calcados com os pés e depois por vezes tapadas parecendo uma prova para cães de rasto, ...» 
   


Já há muitos anos que assistimos a estas situações e quando as provas de Santo Huberto apareceram e foram crescendo e ganhando mais adeptos talvez por serem provas mais acessíveis em termos financeiros e com menos investimento em cães, podendo qualquer caçador com cão de parar participar nestas sem dificuldade e obter bons resultados, portanto provas mais competitivas, o panorama animou um pouco, mas pelos vistos foi sol de pouca dura, uma vez que estas provas e as organizações que as promovem também não têm evoluído.

Nos últimos anos o protagonismo pretendido por alguns dirigentes têm vindo a dividir os participantes e mesmo agora com um campeonato único, temos datas mal escolhidas com regionais constituídos apenas por duas provas feitas apressadamente e mal organizadas! Parece que foi devido à falta de tempo, ok, fica por agora o benefício da dúvida.

Os campeonatos regionais e as provas para a taça de Portugal foram marcados em algumas federações em datas que nada têm a ver com a actividade cinegética, algumas em pleno Verão!

Para quem não sabe ou para quem não quer ver digo-vos o seguinte: o desempenho de um bom cão de parar, com um grau mínimo de humidade e máximo de pólen e de temperatura, nada tem a ver com a realidade da caça. Além disto, em termos de desportivismo, é incorrecto fazer um animal galopar com trinta e muitos graus e às treze ou catorze horas como muitas vezes temos assistido.

Em termos de competitividade também não consigo perceber como pode haver justiça competitiva quando um conjunto entra em terreno às sete horas com dezasseis graus e outro às treze com trinta e seis!

Também não percebo como pode ser pedagógico para quem participa ou assiste a uma prova em que são utilizadas perdizes reprodutoras que já perderam a capacidade de voo ou juvenis que parecem pintos porque na época escolhida não há outras! Além disto, ter que assistir ao espectáculo deplorável de vê-las serem enroladas quase até à morte e escondidas em covas, regos e buracos calcados com os pés e depois por vezes tapadas parecendo uma prova para cães de rasto, de coelho ou de covas, o­nde por vezes para de lá poderem sair é necessário vermos concorrentes darem-lhes com o pé, levantarem-nas com a mão ou outra atrocidade qualquer, isto claro, com o seu companheiro numa paragem sem qualidade e pouco expressiva por vezes a poucos centímetros do pobre animal, uma vez que nestas condições não há ventas que lhes valham! 
   
 «Este tipo de provas apenas favorece quem tem sorte e cães medíocres que passam dez vezes no mesmo sítio até sentirem a perdiz no buraco, ou que até já caçam de rasto e não de ventos, ...» 
   


Pouco dignificantes são estas situações para as perdizes em que num verdadeiro acto de caça, ou o cão é bom e as pára lá longe ou então só as verá voar, como para o próprio caçador que tem que tomar atitudes pouco éticas para somar pontos!

Este tipo de provas apenas favorece quem tem sorte e cães medíocres que passam dez vezes no mesmo sítio até sentirem a perdiz no buraco, ou que até já caçam de rasto e não de ventos, rasto por vezes até de quem coloca as perdizes no terreno, como temos assistido a até já parecem verdadeiros especialistas! Isto é totalmente diferente do que se pretende dum cão de parar.

Os terrenos de prova são muitas vezes mal escolhidos, como sabemos se um conjunto caça bem num ou dois hectares de feno sem mato ou relevo, qual é a dificuldade para um cão cobrar uma perdiz de asa o­nde a tem praticamente à vista?

Depois temos os juízes, que muitas vezes têm disparidades de pontuações e dualidades de critérios na atribuição das pontuações e classificações e ainda outros que sem culpa, claro, não têm experiência de caça ou de competição para julgar, avaliar e criar condições e situações semelhantes a um acto de caça, como é objectivo do Santo Huberto. A culpa, por vezes, não é deles, que com a melhor das boas vontades (por vezes) se deslocam de longe e passam horas a pé e ao sol, mas das organizações, nomeadamente: CLUBE PORTUGUÊS DE CANICULTURA, FENCAÇA e CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS CAÇADORES PORTUGUESES que não promovem cursos, acções de formação e jornadas de actualização e uniformização de critérios para juízes.

Espero que os clubes e organizações que lerem estas linhas vejam nelas apenas criticas construtivas pois esse é o meu objectivo, uma vez que se não houver rápidas alterações e melhorias, as provas de Santo Huberto seguirão o caminho das provas de caça prática e Primavera cá em Portugal. Ainda há pouco, no dia 13 de Julho, houve uma prova para apuramento regional do Oeste para a Taça de Portugal com apenas 8 participantes, o­nde há cinco ou seis anos eram trinta e tal.

Escrevo tudo isto com conhecimento e à vontade, pois sou um dos concorrentes de Santo Huberto com mais provas ganhas em Portugal, sou profissional da caça, dos cães de parar, da criação e gestão de espécies cinegéticas, desde que nasci que vivo com cães de parar, caço muito e caço desde que posso com uma arma. Tenho a perfeita noção do que os caçadores querem ver nos seus cães e do que são bons cães de parar.

Se as provas de Santo Huberto evoluírem poderão ganhar mais participantes e trazer mais gente a este mundo dos cães de parar, da caça menor e da caça em Portugal.

Para bem de todos os caçadores e amigos dos cães de parar, É URGENTE EVOLUIR!
 

 
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