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Histórias de Caça

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Herdade da Baliza
Aproximação na Brama em 2009
 

     

Autor: João Fonseca

21-09-2009 16:14:12

 

O autor e o troféu
   
   
A Quinta da Fiadeira
   
João Roscas o guia
   
Já vi bezerros mais pequenos a serem esfolados
   
Oito horas foi a hora combinada na Herdade da Baliza para iniciarmos a aproximação a um veado troféu.
Não sendo a hora a mais correcta, pois todos nós sabemos que é no inicio e no final do dia que a berrea é mais intensa, era a hora possível para, em princípio, fazer um reconhecimento dos “Lucianos Pavarotis” da reserva, localizando assim o seu espaço territorial e aproveitar então o final do dia para fazer a dita aproximação.


Data12 de Setembro
LocalHerdade da Baliza
Condições ClimatéricasCéu coberto a adivinhar trovoada
Temperatura26°
VentoBrisa muito ligeira
GuiaJoão Roscas


As condições climatéricas pareciam jogar a meu favor - céu encoberto, temperatura não muito elevada, brisa constante, muito ligeira, um dia a adivinhar trovoada, mas com óptimas condições para caminhar.

Ao parar o carro na herdade, desde logo se começaram a ouvir os sons claros dos berros dos machos nas profundezas dos eucaliptais, mas que chegavam aos meus ouvidos desde logo como um desafio “Bruééééeéééeéé”

(“ Estou aqui mas se me quiseres apanhar vais ter de dar aos calcantes e ser mais esperto do que eu” Nota do tradutor – Como não domino a linguística dos veados, a tradução poderá não ser a mais fidedigna).

Depois dos cumprimentos habituais ficou combinado que o João Roscas, um dos colaboradores da reserva, que alia um profundo conhecimento da caça com um conhecimento do local como a palma das suas mãos, seria o meu guia. Mas nem tudo corria sobre rodas, aliás as rodas começaram por ser o primeiro problema: A carrinha que serve de apoio à actividade cinegética tinha ficado na Baliza e durante a noite um dos pneus perdeu ar e o suplente também estava da mesma maneira.

Rapidamente o plano B entrou em acção, deslocar-nos ia-mos na minha pick-up.
E assim saímos da herdade para o lado de Lentiscais (Norte?), fazendo a primeira paragem junto a uns cabeços que descem para o rio Ponsul.

Não demorámos muito tempo a encontrar um veado macho isolado, daqueles que andam na periferia de um harém, a espreitar a sua oportunidade, mas ainda sem direito a nada…
Não era nitidamente deste tipo de troféu que eu procurava. Seria um bom veado de montaria mas ainda muito longe de destronar o veado da minha lareira (abro aqui um parêntesis para dizer que o maior troféu da casa encima a lareira da dita). Ainda procurámos nas imediações mas nem berros, nem animais e o regresso ao carro foi inevitável.

Ao longe, para os lados da barragem, vinham sons verdadeiramente, grossos e a impor respeito a eventuais adversários, e foi para lá que nos dirigimos de seguida.
Mais uma saída do carro, mais uma busca e outro veado rejeitado.

O rumo desta vez foi a quinta da Fiadeira quase no centro da Baliza, local o­nde nesta altura normalmente ouvem-se e observam-se grandes veados com os seus séquitos.
Mal chegámos junto das casas abandonadas da quinta para parar o carro, avistámos ao longe duas cervas calmas e tranquilas a subir para o eucaliptal que fica no extremo oposto. O caminho tomado foi o que existe junto ao muro que vai até ao final da propriedade.

Terreno limpo, com silvados e piteiras em alguns locais, com um declive ligeiro no sentido em que nos deslocávamos.
Quando começámos a descer eu nem queria acreditar no que estava a ver, era assim uma visão tipo, olhar para a televisão e ver os números premiados do totoloto e ao conferir o nosso boletim verificar que são iguais.

Estavam na parte de baixo da Fiadeira, oito ou nove cervas, acompanhadas de um veado com uma armação deveras impressionante, quer pela envergadura quer pela consistência do troféu em si.
Quando me viram, as cervas subiram ligeiramente, mas muito calmas, enquanto que o veado desceu ligeiramente, mas como reparou que elas não o acompanharam, voltou a subir e integrou-se de novo no grupo.

Estes movimentos já os observei junto ao muro que existe a delimitar o terreno da quinta, que não sendo muito alto (metro e vinte talvez) já me dava uma boa cobertura de movimentos.

Encurtando a distância que nos separava que de início seria de 250/300 metros fui observando a altivez do Rei daquele harém, passos calmos e confiantes uma cor castanho escura, quase negra, mostrando um ar de muita confiança e impunidade.

Continuando na minha progressão junto do muro, a cerca de 150 metros dos animais existia um silvado grande que era preciso contornar. O tiro ainda não era possível porque como existia um muro divisório cheio de piteiras e silvas apenas algumas cervas e a parte de cima da armação do veado estavam visíveis. Ao contornar este obstáculo cometo o primeiro erro, fico visível às cervas que de pronto pararam a actividade e começaram a deslocar-se saindo do terreno para o eucaliptal levando o veado atrás.

De pronto, apontei a arma enquanto ele atravessava o caminho e subia no eucaliptal. Não disparei, pois ele passou a trote o caminho, e o receio entre disparar saindo um mau tiro ou de esperar por outra oportunidade, imperou a sensatez. Os segundos que se seguiram foram de recriminação pessoal, “tão pouco esperto João, devias ter disparado e ficaste a ver o boneco – agora vai-se embora e não vais ter outra oportunidade” (dizia o diabinho recriminador), mas contra todas as expectativas, ao subirem o eucaliptal, as cervas pararam olhando para trás, e o veado parou também, olhando na minha direcção, e esta pequena hesitação foi o bastante para com olhos nos olhos eu premir o gatilho.

O resultado pode ser comprovado nas fotografias…

Com uma distância a rondar um tiro de 120/130 metros, a pequena bala de calibre 308 cumpriu a sua função. Tiro colocado junto do coração e pulmões fizeram com que o valente animal se ajoelhasse e tombasse quase de imediato.
Segundos depois ainda tentou levantar-se, subiu uns metros para tombar de vez.

Pousei a arma e corri na sua direcção, já não tinha vida quando cheguei à sua beira, mas ainda impunha um respeito que lhe era dado pela armação que transportava.

Magnífica, não fosse ter a lutadeira e a contra-lutadeira direitas partidas numa luta de amores numa noite recente e teria seguramente uma merecida medalha.

Ainda tremia cheio de adrenalina quando o Roscas me tirou a fotografia da praxe, para mais tarde recordar, mas acho que essa termideira não passou na hora seguinte.

Enquanto aguardávamos pela chegada do resto da equipa, a quem comunicámos o abate, para carregar o animal, ainda demos uma volta pela reserva para avistar outros veados ou simplesmente para os ouvir berrear nas encostas do Tejo ou do Ponsul.
O local escolhido foi o alto do Paiol, que além da magnífica vista que tem, e da inacessibilidade da mancha em si, apresentava uma sinfonia de berros que me deixou verdadeiramente espantado.

Conseguimos distinguir seguramente 12 ou 13 berreares diferentes e de diferentes timbres, que iam do mais grosso e cavernoso que se possa imaginar até ao aprendiz de berreio que de vez em quando também se fazia ouvir.

Depois chegou a parte mais difícil, arrastar o animal, que na balança, acusou cerca de 200 Kg, do local do abate até ao caminho para ser transportado para a carrinha, que entretanto já tinha sapatos novos.
Foram necessários 5 homens (fortes e musculados) para conseguir a proeza, que não foi muito fácil de conseguir.
O veado foi transportado para a sala de desmancha, o­nde o chefe João Roscas, num trabalho competentíssimo, a que sempre nos habituou, retirou o troféu, desmanchou o animal e dividiu a carne em partes iguais por todo o staff.

Depois foram as felicitações e um almoço bem regado acompanhado de um feijão de comer e chorar por mais, que segundo consta, feito pelo Sr. Antunes, não fica atrás da especialidade gastronómica do Roscas.

De tarde fomos colocar comida nos cevadouros para os veados e javalis e o que vi deixou-me de olhos bem arregalados, se ainda era possível mais, veados machos quer isolados, quer junto de cervas em número e tamanho muito considerável. Quem dizia ou pensou que a reserva da Baliza não tinha troféus, enganou-se redondamente, e as provas estão aqui.
 

 
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Comentário(s) (6)   Comentário(s) (6)    
    Belo exemplar…    
    pedro alves amigo de sergio sousa    
    1 belo trofeu    
    Parabéns Amigo João    
    Assim está bem!    
    Belo veado!    
 
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