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Relatos de Montaria

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Montaria na Herdade da Baliza
 

     

Autor: João Fonseca

Autor Fotos: João Fonseca

26-10-2009 11:00:00

 

O Carlos com o seu veado
   
A colocação das matilhas
   
O quadro global de caça
   
Os javilis e os veados machos
   
O Baptismo do Monteiro
   
Junto ao Tejo e em ambiente de grande camaradagem decorreu a primeira montaria da Baliza, local onde a tradição ainda é o que era. A primeira montaria da época, seja em que local for, é sempre vivida por nós, monteiros, com grande expectativa e ansiedade.

Data: 17/10/2009
Local: Herdade da Baliza
Tipo de Montaria: Mista(veados e javalis)
Duração: 2:30
Director Montaria: Eng. Duarte Pessoa
Postos: 66
Matilhas:12
Tiros dados: +/- 135
Resultado: 6 Veados; 14 Cervas; 5 Javalis (1 Navalheiro)


Não fugiu à regra esta minha deslocação à Herdade da Baliza para participar em mais uma montaria organizada por este grupo de amigos.

Oito horas, foi a hora combinada para a concentração e já com muitos monteiros no local, cumprimentámos efusivamente todos os parceiros que já não víamos há algum tempo, depois, foi o prazer de estar e conviver com esta verdadeiro grupo de caçadores e amigos que constitui o núcleo da Herdade da Baliza, o¬nde ainda se está na caça com seriedade e prazer.

Após a inscrição estivemos entretidos a dar ao serrote e a pôr as conversas em dia, até que fomos chamados para o sorteio que decorreu no exterior, em local aprazível.
Fomos informados que a mancha a montear seria uma estreia na Baliza, utilizando 300 cães para o fazer (12 matilhas), sendo as 66 portas o suficiente para a área em questão.

O Sr. Antunes, como gestor, alertou para as questões de segurança e informou dos postos em que poderiam ser abatidas cervas.

Passou depois a palavra ao Director de montaria, o Engenheiro Duarte Pessoa que iniciou as recomendações com o cuidado que deveríamos ter no abate das cervas. Era importante que os monteiros não abatessem as cervas que guiam um grupo, uma vez que elas são essenciais para a sobrevivência desse grupo, na procura de alimento, na fuga, e na sua protecção. Deveríamos também abster-nos em abater crias. O Director focou novamente questões de segurança e terminou convidando todos os monteiros presentes a rezar um Pai-nosso em nome de todos os monteiros já falecidos.

Passou-se então ao sorteio das portas, existindo portas de duas qualidades: fáceis e difíceis, consoante o seu acesso.
O processo seguinte poderia ter sido mais rápido, procurar o carro em que a armada iria ser transportada, juntar o pessoal todo e rumar à mancha fez com que apenas às 11:30 estivéssemos nos nossos postos.
Num dia de calor como o destes, era de todo imperioso começar a caçar o mais cedo possível para que os cães, os matilheiros e os caçadores conseguissem levar as respectivas tarefas a bom termo.

A solta dos cães que aconteceu pelas 12:10 com o lançar de um foguete, deu início à montaria; no entanto 15 tiros já tinham sido dados até esta altura provando que desde que se chega ao posto, tudo deve estar a postos e em acto de caça.

O meu posto ficava no sopé de uma colina e era desse local o ponto mais alto.
Seria um bom local para procurar um veado na altura da Brama, mas para a montaria era um local com reduzida visibilidade.

As minhas possibilidades de tiro estariam no caminho, quer para a direita, quer para a esquerda, dividindo as peças com o Monteiro do lado contrário ao do Tejo, pois estávamos sensivelmente a 100 metros um do outro, com a mesma visibilidade.
Aliás, estaria entre nós (o 15 e o 16) a melhor possibilidade de tiro, pois era a parte mais baixa da colina em que estávamos e quando passei, reparei que havia uma passagem de veados com muitas pegadas ainda frescas, sendo um caminho natural de deslocação por estas bandas.

Sinalizei-me ao Monteiro da direita e ao da esquerda e aguardei…

A primeira emoção surgiu do lado de baixo da mancha: um restolhar forte a indicar que algo estava a subir, para de pronto se ouvirem 2 tiros. Ainda se ouviu restolhar mais um pouco e de novo outro tiro para se fazer silêncio, indiciando que o animal tinha ficado.

Não vi o lance, mas o facto de se passar perto de mim, os tiros, o restolhar, fez com que o vivesse intensamente, inclusivamente aguardei a possibilidade de ser mais do que um animal e sobrasse para mim qualquer coisa.

Mais tarde vim a saber que era um veado macho e estava sozinho.

Muito ao longe, nos postos (64/65/66) que estavam na minha frente, vi abater um veado e uma cerva que passavam perto dos monteiros.

Como tinha um vale a separar-me destes postos, qualquer barulho na encosta do outro lado quase parecia ser perto de mim; assim, assisti aos cuidados de 3 cervas que se furtavam por baixo desses postos, para conseguirem passar incólumes por toda essa armada, tarefa que conseguiram com pleno êxito.

Mais tarde vindo do lado do 13 ou do 12, desceu a encosta uma cerva, sozinha, que ainda levou uns tiros dos parceiros, mas ela continuou com a mesma saúde e finalmente uma outra desceu pelo mesmo caminho e também continuou fresquinha como uma alface.

Com isto já se tinha passado uma hora e meia de montaria e na última hora, quer devido ao calor, quer devido ao cansaço dos animais, praticamente não houve mais tiros.

O foguete soou pelas 14:40 com o pessoal todo a querer ir refrescar as gargantas, para limpar o pó e matar a sede.

Com a recolha das matilhas para o meu lado e ainda estando a arrumar a tralha, começo a ouvir um restolhar muito perto de mim vindo na minha direcção. Coloquei a arma à cara e surgiu-me a 10 metros uma cerva que quando me avista, pára na minha frente. Achei que ainda não tinha vivido e crescido o suficiente para ser abatida. Baixei a arma e indiquei ao Monteiro do 15 que não a abatia. Também a montaria já tinha terminado e tinha-nos sido solicitado que após o foguete não fossem dados mais tiros, respeitando assim o trabalho dos Matilheiros que estão a recolher as suas matilhas.

A cerva continuou o caminho na direcção do número 15 e este Monteiro que também estava pronto para tiro, teve a mesma atitude, deixando a bichinha seguir o seu caminho.

A recolha dos monteiros foi rápida e por volta das 14:50 já estávamos a caminho do almoço.

De uma maneira geral no convívio antes do almoço, a maioria dos monteiros estava animada, sendo os lances vividos contados e recontados até à exaustão. Ainda não tinham chegado as rezes quando fomos chamados para almoço, por volta das 16:00.
Canja de galinha, um ensopado de veado e um pudim caseiro feito no forno (tipo tigelada) compuseram o almoço que com a fome com que estava “soube que nem ginjas”.

Por volta das 17:00 o quadro de caça estava praticamente completo, faltando apenas os javalis que tinham sido apanhados junto ao rio e tinham sido transportados de barco, donde se deveria destacar um bom navalheiro, abatido pelo João Roscas.

Até que o resultado não foi nada mau, para o calor que estava: 6 veados machos, um deles com uma cabeça muito bonita, 5 javalis e 14 cervas.
De pronto se começou o desmanche que em virtude dos animais abatidos se prolongou pela noite dentro.
Deu para contar muitas histórias porque o processo só terminou por volta das 21:00, com a divisão de carnes por todos os monteiros, staff, e matilheiros presentes.

Ainda houve tempo para fazer o baptismo de um Monteiro que nunca tinha abatido um veado.

O António Delgado lá conseguiu enchê-lo de tripas e sangue na cara, em grande espírito de franca camaradagem.

Santo Huberto ficou com certeza contente, pois ainda há locais como este, em que a tradição ainda é o que era.
 

 
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