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Sou Caçador, Orgulhosamente Caço...
 

     

Autor: MIGUEL PEREIRA

27-10-2009 12:50:54

 

   
O mundo do caçador é aquele que conhecemos. Por todo o lado o homem evoluiu e migrou, ele fê-lo como caçador. O homem até ensinou um dos seus mais velhos aliados de caça, o cão, a ser também pastor. Há alguns milhares de anos uma certa liberdade e igualdade terminaram quando o homem deixou de vaguear. O homem pagou em liberdade e as criaturas por ele domesticadas com trabalho árduo para obterem segurança, abrigo e refeições regulares.

O homem natural – o homem que evoluiu e assim se mantém – é uma espécie predadora, apesar da aparência da civilização. O caçador desportista aprende isto, conscientemente ou por instinto, como tal o homem deve ser posto em harmonia e confortável com o seu meio-ambiente.


O homem é também único entre os predadores, ele é o único predador capaz de exercer conscientemente interacções com a sua presa. Fisicamente, o homem é inferior não só a outros predadores mas até em relação a algumas presas. O homem não pode correr ou subir tão rapidamente, não consegue perseguir presas no ar, é menos robusto que a maioria das presas, tem menos força, o seu ouvido é relativamente pobre, a sua vista adapta-se mal à obscuridade, o seu olfacto quase nulo, a capacidade de resistência ao frio, calor, fome e sede não impressiona.

No entanto é o mais eficiente de todos os predadores. O seu cérebro e tecnologia são de tal modo que poderia, se quisesse, devastar todas as presas. Mas também tem a consciência (talvez intimamente ligada à apreciação estética e de qualidade do mundo conhecido) e, deste modo, pode evoluir como um predador benigno.

Vários pressupostos ecológicos e biológicos mantêm o equilíbrio entre os predadores e as suas presas, mas nenhuma restrição limita realmente o homem, a suas restrições são unicamente auto-impostas. Inteligência, interesse pessoal e apreciação da beleza selvagem (e também a emoção, que deve ser única da nossa espécie) motivam o caçador para a preservação do habitat e para os direitos inalienáveis “de naturalização” das gerações vindouras.

Onde outrora os povos caçadores viviam em harmonia com a terra, eles vivem agora em competição com outras gentes que mais não são do que recém-chegados, ou em conflito aberto com diversas indústrias. Na maioria dos casos o típico meio ambiente do caçador foi simplesmente despedaçado e os caçadores sofrem na pele aquilo de que os ambientalistas tanto os censuram, mas eles ainda não conseguem chegar a tal conclusão. Os caçadores é que serão sempre os agressores e bárbaros. Nestes assuntos parece só haver um sentido independentemente dos factos.

Durante as últimas três décadas a ecologia emergiu das suas raízes nas ciências biológicas para se tornar uma nova disciplina integrada que liga as ciências naturais e sociais. Em acrescento ao estudo de como os organismos interagem entre si e com o seu ambiente, os ecologistas alargaram a sua escala de estudo e o seu interesse com a inclusão de mais altos níveis de informação:

     • O sistema ecológico ou ecossitema;
     • A paisagem;
     • A região;
     • A biosfera.

Inicialmente os ecologistas satisfaziam-se com o estudo da natureza na ausência de humanos, na medida em que lhes era possível encontrar áreas de estudo não perturbadas. Na actualidade os ecologistas sentem-se ansiosos por testar princípios ecológicos, ou procurar princípios novos, nos ambientes construídos ou alterados pelo homem como sejam os agro-ecossistemas (onde se incluêm as zonas mais produtivas do ponto de vista cinegético) e as cidades.

A conservação, no seu sentido mais amplo, sempre foi uma das aplicações mais importantes da ecologia. Aquilo contra o que o autêntico defensor da conservação luta é um desenvolvimento não planeado que atente contra as leis tanto ecológicas como humanas. O verdadeiro objectivo da conservação é, assim, duplo :

     I. Assegurar a preservação de um ambiente de qualidade que garanta tanto as necessidades estéticas e de recreio, como a de produtos;
     II. Assegurar uma produção contínua de plantas, animais e materiais úteis, mediante o estabelecimento de um ciclo equilibrado de colheita e renovação.

Um edital de “não pescar” numa determinada lagoa pode não constituir uma medida de conservação tão boa como um plano de ordenamento que permita capturar algumas centenas de quilos de peixe por hectare, após um ano. É isto que continua a escapar, verdadeiramente por inteiro, à maioria das pessoas que integram os movimentos críticos dos caçadores e da caça. Com a caça é a mesma coisa, mas repare-se como os pescadores nunca foram atacados tão agressivamente na imprensa pelos lobies ambientalistas e dos direitos animais, como têm sido, frequentemente, os caçadores.

Acontece que SOU CAÇADOR, ORGULHOSAMENTE CAÇO. Se me quiserem chamar sanguinário ou bárbaro chamem. Se atirarem o típico "tenha vergonha" estou-me marimbando. A maior parte dos críticos da caça e dos caçadores vive parada no tempo. Uma nova geração de caçadores chegou e os anticaça, com alguma cegueira doutrinária até, ainda nem deram por isso. Colaram um rótulo aos caçadores e à caça e acham que dá para sempre. Continuam com afirmações completamente desfasadas em que invocam determinado tipo de acontecimentos e situações que aconteceram por aqui nos anos 70 e 80.

Entretanto, passaram vinte anos e o discurso não se alterou por aí além, quer no conteúdo, quer na forma. Obviamente que os caçadores tiveram culpa nisto, mas os políticos e os legisladores também ajudaram um bocado. Tivemos uma fase histórica em que alguns políticos acharam que se podia construir um país com base na confiança cega na pessoas e num nacional porreirismo que tudo permitia desde que o Estado mantivesse as rédeas de tudo e mais alguma coisa. O resultado foi o que se viu, mas porque razão os culpados de algumas coisas más são sempre os caçadores?

Depois os ambientalistas juntam-se aos defensores dos direitos dos animais, os aliados tradicionais, para também nos virem atacar até em assuntos relacionados com os próprios cães. Chegam ao ponto de afirmar que os cães dos caçadores são instruídos debaixo de violência extrema e castigos desumanos, para que caçem. Outro argumento muito típico é de que os caçadores abandonam cães nos campos. Nunca falam dos que, simultâneamente, são recolhidos pelos caçadores. Nos meios cinegéticos e rurais é tão comum chamar-se "Perdido" a um cão nestas condições, que se fosse feito um levantamento nacional de todos os cães registados em Portugal e que se chamam "Perdido", arriscava a que sejam uns milhares. Mas tudo isto é normalmente apresentado, qual mêtodo de indução, com algumas referências a relações causa-efeito e animais eternamente traumatizados e agonizantes.

Por isso figuras públicas como o Miguel Sousa Tavares têm toda a razão quando referem que "eles não sabem nem sonham". Eles não sabem nem sonham que, há coutos privados de caça em Espanha o­nde se faz caça maior todo o ano e nos quais existem populações de linces a crescer e aumentar efectivos, sem qualquer apoio estatal. São caçadores quem faz essa sua gestão, e conseguem compatibilizar perfeitamente e sem dramas o que muitos ambientalistas e investigadores da vida selvagem não conseguem com o enorme apoio e verbas estatais e comunitárias, porque estão convencidos que a conservação e os linces de Espanha só existem em Doñana. Alguêm já ouviu uma palavra de reconhecimento e louvor a estes cidadãos anónimos espanhóis que por acaso, ou talvez não, são caçadores? Bastava perguntarem e ouvirem atentamente, e sem complexos, o que eles têm a dizer sobre o assunto para conseguirem fazer o mesmo.

- Os caçadores estão a diminuir em Portugal?
- Óptima notícia.
- O melhor que me podiam vir dizer, o meu dia hoje já valeu a pena.

Dirão certamente muitos dos anticaça.

Os caçadores estão a diminuir em Portugal, mas eles nem sabem que é porque há já alguns anos se começou a separar o trigo do joio dentro da classe. O caçador de hoje já tem outra cultura e postura. Está muito mais informado, gosta de ler e conhecer verdadeiramente o que se passa no habitat e nos ciclos de vida das mais variadas espécies. A preservação ambiental já era practicada há muito pelos caçadores muito antes de ela começar a ser divulgada e difundida à escala planetária. Só que nós tinhamos isto de tal forma intrínseca que não precisamos nunca de o divulgar com grande ruído, tal qual como se tivessemos acabado de descobrir a pólvora.

Alguns caçadores também são escritores e se acaso se lerem alguns dos seus escritos serão elogiados, mas não se pode é saber que os autores são caçadores senão está tudo estragado. Passam logo a ser gente pouco recomendável, na perspectiva de ambientalistas e defensores dos animais o caçador, se calhar, nem teria o direito básico à cidadania. Hoje há menos caçadores, mas melhores caçadores e essa permanente tentiva bacoca de os diabolizar ou apresentar como bárbaros, cada vez faz menos sentido.

Todas as espécies cinegéticas têm limites de abate com vista a preservar um stock vivo de animais que permita a sua recuperação durante o ano. Muitos caçadores plantam trigo, milho, aveia, sorgo, colocam bebedouros de água adicionais no campo durante o verão, nos terrenos que gerem e tem sob sua responsabilidade. Quantos ambientalistas e gente bem pensante que na imprensa nos crucifica faz isto?

Acham que são só as espécies cinegéticas a beneficiar?

Farão alguma idéia da quantidade de hectares que se estendem sob este país á responsabilidade dos caçadores?

Em terras o­nde a pobre aptidão agrícola dos terrenos, nada mais consegue criar a não ser a caça?

Quantos guardas de reserva beneficiam de um emprego por causa da caça?

Quantos empregos indirectos a caça e as zonas de caça originam no interior cada vez mais desertificado do país?

Quantos empregos conseguem os ambientalistas e os seus movimentos criar no Alentejo ou no Nordeste Transmontano?

- Atente-se bem nisto. Retiramos à natureza mas também damos ao meio ambiente e às populações rurais, a caça hoje é um inegável factor de desenvolvimento rural.

Os caçadores fazem tudo isto e pagam integralmente tudo do seu bolso. Manter as condições de vida da caça é uma paixão, todo o ano percorrem os campos observando mantendo e cuidando (para quem não sabe caça-se em média 3 meses durante o ano), acaso se acha que nos outros nove meses os caçadores abandonam tudo?


É óbvio que não. Em grande parte dos terrenos à sua responsabilidade há um ordenamento tal que permite conter o crescimento e propagação incontrolada dos matos, criar pontos de água criteriosamente localizados para abastecimentos vários, construção de aceiros e caminhos adicionais porque para se poder caçar com critério, segurança e sustentabilidade tudo isto é necessário e imperioso. Esta realidade ajuda a perceber porque é que também os fogos, comparativamente, nunca encontram um caminho fácil se acaso tentam progredir adentro de uma zona de caça. Quem tenha dúvidas fale com bombeiros, acerca do alegado mau serviço prestado pelos caçadores e zonas de caça com toda esta logística. Os ambientalistas e defensores dos direitos dos animais o que fazem para ajudar preventivamente bombeiros e guardas florestais no pico do verão com incêndios? Antes de muito disto ser falado na opinião pública, já os caçadores o faziam...!


Os caçadores não vivem de voluntariado ou de subsídio dependências estatatais e comunitárias, subsídios estes que nem sempre se sabe exactamente o­nde vão parar e que retorno permitem efectivamente aos campos e às espécies.

Qualquer animal morto por um caçador na natureza teve uma vida e morte melhor e mais digna do que qualquer dos animais que diariamente são criados e mortos em explorações para consumo humano. Sobre esses não se deixa de comê-los e é sempre mais cómodo fazê-lo podendo dizer que outros os mataram por nós, mas que eles (detractores da caça) estão inocentes e “limpos”.

É esta a falsa dignidade que apregoam. É mais fácil ir ao talho ou à peixaria não é? Será por acaso que quando vão a uma marisqueira porque adoram um bom marisco e saêm de lá satisfeitos e prontos para outra no dia seguinte, mas ignoram, não querem saber, ou não lhes deixa incómodo algum, que essa sapateira, a santola ou a lagosta foram atirados vivos para dentro de água a ferver? Nessas alturas o­nde é foi parar toda a hipersensibilidade e pseudo valores? Nessa altura deixam de as comer, para debater a forma como foram mortas e com que dignidade ou à luz de que valores?

Deixem-nos em paz e em sossego. Não andamos atrás de ninguém com provocações constantes nem liguagem vernácula e insensata de quem não sabe nem mede o que diz. A realidade desmonta a quase totalidade dessas teorias cheias de complexos e nas quais extrapolam tanta coisa da sua vida pessoal que não tem nada a haver com os animais nem com a caça.

Estamos quietos no nosso canto. Levamos mais vida aos campos do que muitos ambientalistas e defensores dos animais alguma vez conseguirão. Eles que não saiêm do sofá e do centro comercial todo o ano a não ser para irem tomar banho de praia. Mesmo assim ainda se acham de uma estranha e intrigante legitimidade para se escandalizarem despudoradamente quando o assunto é a caça.

Também temos entre a nossa classe alguns que nos envergonham. Sou o primeiro a criticá-los e a dizer que deviam ser erradicados dos campos para sempre porque não são dignos de os percorrer nem de lá exercer seja o que for. O mesmo acontece noutras classes, mas mesmo nesses casos não venham, por favor, fazer logo as generalizações que vocês tanto gostam e tanto jeito vos dá. Não sei se os caçadores portugueses da última geração já são tão ou mais cultos que eles, mas mais ponderados e educados já são de certeza e são-no, porque continuam a ser humildes, e ser humilde é uma das maiores qualidades que se reconhecem aos verdadeiros caçadores entre os seus pares.

Somos uma Confraria. É verdade. Não precisamos de colares nem de monumentos ou cerimónias pomposas para nos reunirmos. Os verdadeiros caçadores sentem-na de facto. As nossa catedral é a natureza por muito que custe a alguns sectores da sociedade e dela nos queiram privar. Quando perdemos um dos nossos rezamos um Pai Nosso, mesmo que não o tenhamos conhecido pessoalmente em vida. Fazê-mo-lo com genuíno respeito e sentimento. Somos gente com valores e de bem. No início de qualquer Montaria durante a época de caça fazê-mo-lo por todos os Monteiros já falecidos ao longo dos séculos. E eles, será que rezam pela perda de alguém fora da sua família ou círculo de amigos? Somos assim tão bárbaros como tanto gostam de nos chamar?

Porque hoje ninguém tem o exclusivo de nada, devemos resistir a esta permanente ofensiva mal intencionada e intelectualmente desonesta. Pela minha parte renovo o apelo para que os caçadores portugueses cada vez mais intervenham em foruns na internet (mesmo que não seja em portais de caça) e defendam a caça e os caçadores. Isso dará uma idéia de que realmente somos muitos e estamos atentos ao mundo e à realidade de hoje. É importantíssimo existir uma corrente de pensamento comum e devidamente sustentada. Mas façam-no, por favor, com correcção sem, linguagem ofensiva, sem demonstrar mau fundo ou ódio. Basta apresentar os factos como eles efectivamente são, nada mais é necessário. Os comentários devem ter uma estrutura e um encadeamento lógico. Que não se ofenda niguém por dá cá aquela palha, isso são os métodos, e o estilo, do histerismo ambientalista de quem tanto nos queremos diferenciar. É este o caminho a trilhar, um bem haja a todos os caçadores portugueses que o queiram voluntariamente fazer.

 

 
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Comentário(s) (10)   Comentário(s) (10)    
    PELO DIREITO À CAÇA    
    Se por um lado os portugueses...    
    Parabens    
    Bravo! Bem escrito!    
    orgulhosamente caço    
    Muito bem!    
    Parabéns.    
    Excelente Texto.    
    Muito bem!    
    Sou Caçador, orgulhosamente Caço    
   
     
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