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Raposas
 

     

Fonte: Expresso

12-06-2004 10:00:00

 

CONFESSO que não caço. Confesso que não pesco. Confesso que sou incapaz de matar uma pulga. Mas sempre abominei o vício racionalista que procura nivelar os seres humanos num mesmo patamar de comportamentos e moralidades. Como se a vida fosse a extensão de uma cartilha qualquer, muito higiénica e muito aprumada.

Agora, segundo parece, o Parlamento britânico decidiu abolir a caça à raposa. A caça com cães, entenda-se. Os caçadores, se quiserem, podem continuar a matar os bichos a tiro, à facada, à paulada, à pedrada. À dentada. Ou, provocação fácil, com armas de destruição em massa. Mas nunca com os canídeos da praxe.

Porque? De acordo com as patrulhas, os cães representam uma brutalidade extrema e infligem dano irreversível na sensibilidade das raposas. As raposas têm direitos. As raposas têm sentimentos. As raposas devem ser respeitadas nas suas frondosas existências. E, se possível, amadas e acarinhadas como autênticas preciosidades.

Como é evidente, a medida é puramente ideológica - e aparece montada no velho ódio de classe. A caça com cães é desporto maioritariamente «aristocrático», coisa de famílias «feudais» que, ao som das cornetas e no calor das matilhas, se lançam pelos prados verdejantes em busca da raposa amedrontada.

Uma intolerável exibição de estatuto numa sociedade que se deseja radicalmente igualitária. Mais do que igualitária: redesenhada. Uma sociedade de gente que não fuma, não bebe, não caça. Uma sociedade de gente que não se distingue por nada e em nada.
 

 
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