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Relatos de Montaria

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6 de Fevereiro de 2010
Herdade do Barroco: Uma Montaria por acaso – mas para reter!
 

     

Autor: António Luiz Pacheco

11-02-2010 16:20:02

 

   
   
   
Isto, o acaso faz bem as coisas!
Andei toda a semana a preparar-me para ir a Barcelona a uma reunião da Comissão de Pesca Submarina da Confederação Mundial, que me ia impedir de estar presente no encontro venatório do NE Trasmontano! Com grande pena minha… Afinal na quinta-feira à tarde recebo aviso da federação espanhola (anfitriã) de que a reunião se realizaria antes nesta presente semana… e fiquei, como se costuma dizer, “apeado”!


Herdade do Barroco – 06 de Fevereiro de 2010
Número de portas – 20
Tiros disparados – 200
Javalis cobrados – 25 (com 2 navalheiros) + 1 navalheiro cobrado no dia seguinte


Porque as duas montarias já estavam com lista de espera … mas, lá está! Há horas de sorte, e falando com um conhecido Monteiro, este me dá uma “dica” preciosa: Ele tem absolutamente de estar presente lá em Trás-os-Montes e não vai poder ir a uma outra no Sul, que tem indicação vai ser excelente!

O sítio deixa-me a salivar: S. Marcos do Campo… mais exactamente a Herdade do Barroco, que só por si é sobejamente conhecida… foi em tempos municipal, mas há muito que nada sei dela… e o que sei é o que todos sabem: A zona é excelente!!!!
Diz-se que é a “mãe dos javalis”… e tive aquele “feeling”… ou palpite, sabem?
Foi assim que obtive o contacto e liguei ao proprietário, o amigo Luís Carvalho que com toda a franqueza que o caracteriza me pôs perante um caso que mais aguçou o meu palpite e vontade…

Bom, vamos a um pequeno histórico:

- A Herdade do Barroco, estivera abrangida por uma municipal. Ele logrou (porque já havia metido um processo e projecto para turística) recuperar o que é seu.

- Há dois anos que não era monteada! Não tem gado, não é agriculturada, não há desmatações nem limpezas de árvores… sossego absoluto nos 500 ha de mancha continuada, com uma orografia esplêndida, com muita comida natural (e um complemento de trigo). A herdade destina-se exactamente à caça!

- A densidade de javalis é enorme! E vai fazer a montaria porque são demais… ele sabe, pois é quem os alimenta e vigia, estão bem guardados! Em volta não há matos como aquela mancha que tem já 35 anos de existência…

- Decidiu fazer a montaria precisamente para dar algum desbaste à rapaziada porcina e foi um bocado em cima da hora, não houve muito tempo para fazer publicidade nem recorrer aos meios de divulgação, a coisa funcionava na base do passa-palavra. Mais, só tinha das 40 portas ainda 20 asseguradas (a contar já comigo!)

Curiosamente tinha 5 espanhóis que vieram a correr, e que têm insistentemente tentado comprar-lhe a caça. Também estava presente um caçador suíço, vindo expressamente!

- A previsão era de um mínimo de 50-60 javalis!

Querem mais?

Bom, concentração em Portel, na residencial Castelo… para o pequeno-almoço que foi adequado a quem vai caçar, simples mas abundante. Lamentam que só haja 20 postos, ou seja vai-se pescar com uma rede cheia de buracos… na véspera à noite e depois de falar comigo, ele, o guarda e um caçador local que o ajudou, lá retiraram como puderam 20 postos, olhando ao mapa… e afirmo que foi pena! Muita pena!

Fomos para o monte da herdade e rápidamente e no maior silêncio, com cuidado em não bater portas, falar alto, etc. nos distribuímos pelas carrinhas que seguiram pelos caminhos, aliás pouco batidos. A mancha esplêndida, bravia, intocada, soalheira (esteve um dia formidável aquele Sábado (6 de Fevereiro) e se via fossado por toda a parte, muitos jarros e azinheiras e sobreiros. Cheirava a javali!

Apear e seguir a pé… pelo meio do mato, pelas estevas e veredas no mato! Coisa que não agrada a muita gente, mas a caça obriga a sacrifícios… eu era o número 15 e lá tive que seguir na fila, no maior silêncio, aproveitando para estudar o terreno e vegetação e procurar os muitos indícios que iam surgindo… passagens batidas, fossado, pegadas na lama, pedras viradas, manchas de lama nos pés de esteva ou troncos de árvore… a mancha era de facto bravia e prometedora!

Fiquei numa porta junto à confluência de duas pequenas linhas de água, encravado entre 3 encostas que se inclinavam suavemente para o meu posto. Localizei fácilmente as clareiras e veredas e me postei atento.

Lá ao longe, comecei a ouvir o ruído dos carros e pouco depois ladrar… foi a solta!
Foi a solta… e foi a festa… porque aquilo quase logo começou uma sarabanda de loucos, com javardos a espirrarem e a correrem para cá e para lá, ladras e cães a correrem por toda a parte, e claro, tiroteio infernal!

De facto se havia sinais… mais javalis havia! Deram-se nada mais nada menos que 200
tiros! (20 portas… faço notar!)

Da minha parte vi 6 javalis, e atirei a 3, aos outros para não cortar o posto do lado não atirei. Um dos que atirei era um navalheiro… que foi também atirado pelo espanhol ao meu lado, e que não se encontrou.

Foram 3 horas de fogo contínuo, pois os porcos estavam constantemente em movimento e muitos foram vistos a abandonar a mancha, graças à nossa marteleirice… que foi pelo menos tão notável quanto a força de javardos existente… há já alguns anos que não via tal coisa, nem tanto porco nem tanto erro! E eu ajudei à festa note-se!

Fácil? Não… que eram javardos a correr dentro do mato… e quantos me passaram e sentia partir estevas, ouvia a sua respiração e o galope das unhas, mas nem os via! Esta foi uma montaria de emoção, sem dúvida… ali no meio do mato e haja unhas para eles!

Foi mesmo até ao fim! As matilhas caçaram e caçaram bem, os caçadores fizeram o que puderam e creio que só uma porta não atirou, embora visse javalis, mas armado de caçadeira não terá tido forma de a usar… ou sabido aproveitar? Aliás foi esse o tema de conversa enquanto esperávamos a recolha, pois houve quem ficasse sem balas, e um monteiro concluía ter aprendido na prática e a duras penas, que num posto no meio do mato, há vantagem em retirar o óculo da arma… e lá se foi um navalheiro, dos 4 avistados!

No final, a recolha dos javalis se prolongou bastante pois estavam muito espalhados e em pleno mato, sem caminhos, e tiveram de ser tirados a braço! Já só de noite se juntaram todos, com uma luz muito ruim, recorrendo aos faróis para tentar fazer fotos.

Bom… se mataram 25! Para 20 portas… nada mau… para 200 tiros… pouco!

Note-se que havia 2 navalheiros, e se viram mais dois. Os javalis cobrados, salvo uma porca cheia e os dois navalheiros, eram todos de tamanho médio (creio que a pesagem deu uma média de 35 kg de peso limpo) que é indicador de uma população jovem e saudável em franco crescimento e que atesta o seu potencial criador, ou seja, para a próxima, entre os que ficaram, os que fugiram e os novos…

Detalhe importante, é a existência de uma parte da mancha que é santuário e nunca caçada nem submetida a qualquer tipo de acção humana… é o “viveiro”! Aliás na região, esta zona é conhecida como sendo a “mãe dos javalis” e o interesse dos espanhóis bem o atesta!

Se calha aproveitarmos bem, quantos javalis morreriam? Este, um detalhe que nenhuma organização pode garantir: a pontaria dos clientes!

Enfim, embora goste de ver um bom quadro de caça, também não é nada que me preocupe… o facto é que gostei da mancha e tive oportunidades! Vivi lances e foi intensa a montaria, entre tiros, ladras e corrida de javardos que me faziam bater o coração num galope desenfreado.

E se houvera as 40 portas? E também estas aproveitassem? Creio que seria sem dúvida nenhuma, a montaria do ano!

Por isso aqui trago e divulgo, não só porque correu muito bem, mas porque senti autenticidade e vi condições muito boas, como seriedade da parte responsável!

Como final, pois já propus ao Clube Português de Monteiros a nomeação para o prémio da melhor mancha de javalis.

Saudações Monteiras
 
António Luiz Pacheco

 

 
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Comentário(s) (6)   Comentário(s) (6)    
    Parabens........    
    Esta Montaria...    
    assim ta bem    
    assim ta bem    
    Eh!Eh!Eh! Confrade LuPa    
    Sorte de uns ...    
   
     
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