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Relatos de Montaria

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Montarias da Feira da Alheira e Turismo de Mirandela
 

     

Autor: António Neves

Autor Fotos: Sónia Ribeiro

03-05-2010 11:14:38

 

   
A ACIM - Associação Comercial e Industrial de Mirandela, vem desde há 10 anos a esta parte realizando a Feira da Alheira, iniciativa que muitos forasteiros traz a esta terra na procura de um dos maiores ex-líbris da cidade. Nesta edição da feira a caça marcou presença através da realização de duas montarias ao javali e de uma prova de Santo Huberto, actividades realizadas em colaboração com duas ZCM´s e uma ZCA. Também o mau tempo marcou presença, essencialmente no sábado com ventos fortes e períodos de chuva praticamente durante todo o dia. Mesmo assim o saldo da iniciativa foi positivo, tendo participado nas duas montarias um grupo significativo de caçadores que juntamente com os seus acompanhantes deram outra envolvência e outra moldura humana à Feira da Alheira deste ano.

Montaria na ZCM da Terra Quente
Director de Montaria: Sr. Raul Fernandes (Presidente da FACIRC)
Concentração: São Salvador
Data: 27 de Fevereiro de 2010
Tempo: Céu muito nublado, com períodos de chuva e vento muito forte
Mancha: ± 300 ha monteada por 6 matilhas - resultado 1 javali


Montaria na ZCM Beira Tua
Director de Montaria: Dr. Álvaro Moreira (Presidente do CMN)
Concentração: Valverde da Gestosa
Data: 28 de Fevereiro de 2010
Tempo: Céu nublado, com períodos de chuva fraca
Mancha: ± 600 ha monteados por 10 matilhas - resultado 16 javalis


Com alguma apreensão, dadas as previsões de mau tempo para Sábado, com o distrito em aviso amarelo, procurámos dentro dos possíveis proporcionar uma boa jornada de caça na mancha da ZCM da Terra Quente. A chuva e o vento muito forte foram uma constante. O vento soprava de tal forma que nem consegui chegar o fogo ao foguete para iniciar a montaria. Pelo rádio o Valdemar dizia-me: “põe um casaco por cima para acenderes”. No momento em que o despi o vento levou-mo. Foi assim durante toda a montaria. Estava dentro do jeep, para me abrigar do vento, avistei três javalis que saiam da mancha. Não levaram fogo! O resultado foi de apenas um javali, agarrado pelos cães.

Para Domingo, na ZCM da Beira Tua, as expectativas eram de um bom resultado. A mancha começou a ser tratada na primeira semana de Janeiro, verificando-se com o decorrer das semanas uma crescente assiduidade dos javalis nos cevadouros. As idas aos cevadouros eram uma mão cheia de interrogações pela quantidade de vestígios que avistávamos de javali em toda a mancha.

Nos meses de Janeiro e Fevereiro, os nossos dias de caça aos tordos, como havia poucos, foram passados a alimentar os javalis. O comportamento dos javalis nos cevadouros causa-me bastante entusiasmo e sobretudo muitas perguntas sem resposta. Começo a entender o porquê da paixão que este magnífico animal causa em muitos de nós.

No local da concentração, decorria a confirmação das portas, caíam os primeiros chuviscos. Começava a ficar muito nublado, adivinhava-se mais chuva. Terminado o pequeno-almoço iniciou-se a palestra aos monteiros presentes, com o director de montaria a alertar efusivamente para o cumprimento das regras de montaria, sobretudo porque a mancha sofreu este ano um corte de eucaliptos deixando no seu interior vastas áreas completamente limpas. Impunha-se o respeito por parte de todos no que concerne ao corte das rezes ao companheiro do lado. Início tardio da montaria em parte devido à demorada colocação das armadas em virtude do mau estado em que as chuvas dos últimos dias deixaram os caminhos da mancha.

Logo no início da montaria um navalheiro atirado por uma porta sai da mancha em direcção a Marmelos levando consigo toda a matilha do Louças. Os podengos do Valter foram soltos no miolo da mancha, o­nde esperávamos que estivessem acamados os javalis. Enganámo-nos! Talvez devido ao temporal de Sábado os javalis acamaram no lado poente da mancha. Deste lado, a primeira vara levantada pela matilha do Vergílio, rápido se encaminhou para as portas. Os tiros não paravam, era uma vara das boas dizia-me o Vergílio pelo rádio. Este “cabreiro”, pelo seu comportamento na mancha e pelo ânimo que imprimiu constantemente aos cães durante toda a montaria mereceu vários elogios por parte de alguns monteiros que puderam assistir ao seu trabalho. Foram vários os monteiros a atirar a mais que um javali. Ainda com alguns javalis no fundo da mancha, junto ao rio Tua, após duas horas e meia de montaria começava a chover com maior intensidade. Estava na hora de terminar.

Recolhidos os javalis, dirigimo-nos para o recinto da feira em Mirandela para almoçar. Eram muitos os curiosos que se abeiravam do quadro de caça no anfiteatro da feira. Pudemos assistir ainda ao baptismo de um monteiro antes do habitual leilão dos javalis. Já no final da noite reunimos os matilheiros ainda presentes e fomos ao Belha Bar beber um copo. Segundo os matilheiros a mancha estava bem composta de javalis. Se a montaria tivesse começado uma hora mais cedo o resultado seria ainda melhor.

Em suma, estão de parabéns os responsáveis da ACIM por terem associado este ano a caça à Feira da Alheira e os responsáveis das zonas de caça pela disponibilidade que demonstraram na organização das actividades. Também as actividades relacionadas com a caça ajudam a manter vivo o mundo rural. Haja coragem das entidades envolvidas para dar continuidade a esta parceria nos próximos anos.
 

 
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