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A Caça, curiosamente (?), é também isto
 

     

Autor: Luis Augusto Melo Guimarães

Autor Fotos: Miguel Pereira

12-05-2010 14:10:42

 

   
Há alguns dias aconteceu um pequeno encontro em Vila Real entre pessoas vindas de diferentes localidade do nosso País (quase desconhecidas pessoalmente entre si, mas que fruto das novas tecnologias de informação têm estabelecido contacto nos últimos tempos), onde se debateram informalmente uma série de variados assuntos relacionados com um elo que os liga profundamente, que é a caça e as acções que lhe estão subjacentes.

O tema da reunião teve como factor comum o seu gosto pela caça mas, e também, o prazer que esta com todas as suas envolventes lhes proporciona, sob o ponto de vista de partilha, informação e acção extremamente pedagógicas.

De tal modo, e porque entendo que o resultado da referida reunião foi deveras positivo e poderá revelar-se de interesse geral para a população caçadora, destaco alguns dos temas discutidos, que fogem um pouco àquilo que por norma é abordado permanentemente nas revistas da especialidade e pelas Federações de caçadores, e que já cansam e nem sempre produzem resultados práticos

E assim, falou-se:

- Da colaboração aos estudos científicos das espécies cinegéticas, colhendo nós, junto das populações rurais e antigos caçadores, informações a que os académicos têm difícil acesso.

- Do impacto do turismo cinegético, mas nos meios rurais junto dos proprietários das terras, das pensões e “tascas” das Aldeias, e na venda de produtos Regionais.

- Do apelo e desafio aos contadores de histórias para que as escrevam, ou relatem a quem gosta de as escrever, e desta forma as não deixarem morrer consigo, com vista a enriquecimento do já grande espólio Português neste campo

- Do captar a atenção para o tema “A Caça”, à população em geral não caçadora mas que aprecia o campo, a natureza, e a vivência saudável e genuína que só o ambiente rural consegue proporcionar.

- Da preservação da imagem do caçador (do verdadeiro), tentando anular os efeitos negativos provocados pelas negativas práticas e acções de alguns, passando nós a ser os principais vigilantes e delatores.

- Falamos também dos prevaricadores (que infelizmente ainda há, para deleite de alguém), e que continuam a ser único “modelo” para os que tão mal falam do caçador em geral.

- Passar a mensagem para todos aqueles que tanto criticam os caçadores (que ofendem mesmo em órgão de comunicação a que nós nem acesso temos), que a caça não é bem o que tão pomposamente por vezes comentam ou descrevem, citando-lhe o que já os velhos filósofos apregoavam : “o conhecimento, advém da experiência”, e “só deve falar, quem sabe”.

Deste grupo (de seis caçadores) constavam:

- O Ângelo Sequeira, Médico reformado, e muitas outras coisas de que (e ainda bem) não quis nem vai querer reformar-se nunca, tais como a de caçar, escrever e editar livros sobre assuntos de caça (de referência “Passo a Passo, Tiro a Tiro” e “O Toneca”), coleccionar livros de caça (cerca de dois mil exemplares, como não haverá muitas no nosso país), guardar os mais variados artefactos que lhe recordam todo o seu passado de caçador (todos eles curiosamente interessantes, raros, e mesmo únicos), e deter uma memória recheada de acontecimentos que conta e sabe contar manifestando nisso um enorme prazer, fruto da sua vivência de muitos e muitos anos na arte de caçar.

- O Agostinho Beça, Agrónomo e grande estudioso/investigador sobre a cinegética em Portugal, bem como escritor (de referência o seu livro “A Perdiz”) e um bom contador de histórias, cuja contínua investigação científica sobre o assunto será naturalmente o ponto alto na sua tese de doutoramento

- Luís de Abreu Pacheco, um caçador de bichos mas também caçador exímio à falta de ética na caça, que abate certeira e sabiamente com sarcásticas críticas bem humoradas aos maus actos de alguns denominados caçadores, sendo também um excelente comentador de factos e episódios vividos.

- Miguel Pereira, um caçador/escritor que em breve vai lançar uma colectânea de contos relacionados com a caça, para agrado dos apreciadores da caça e não só, e o­nde ficará bem patente de que para a maioria dos caçadores, mais importante do que abater bichos é o viver momentos diferentes do dia a dia, é o libertar a mente da azáfama do trabalho, é a diversão espontânea, o bom convívio desinteressado, enfim..., quem vier a ler, depois analisará.

- Nelson Cadavez, a quem os Portugueses caçadores (e não caçadores) devem a possibilidade de acesso sem limites a uma informação sempre actual sobre o que acontece no espaço cinegético, bem como a possibilidade de debaterem ideias, falar sobre os canídeos, as armas, as novas Legislações, de trocarem experiências e emitir opiniões, aconselhar e delinear orientações, e muitos mais assuntos relacionados com o tema caça, pois é ele o mentor do maior “site“ Português sobre o assunto. -  www.santohuberto.com.

- E eu, um amigo de passear a espingarda pelos campos ao fim de semana (com o intuito de aliviar a mente e cansar o corpo contrariamente àquilo que faço durante os dias de trabalho), muitas das vezes mais interessado em apreciar um bom voo das perdizes do que propriamente em abatê-las, como também senão essencialmente, um “caçador” incansável de histórias, dessas histórias magníficas que oiço ao longo de 40 anos a caçadores de diversas índoles, e que vou continuar a querer “caça” sempre que possível e registar com prazer, para somar às por mim próprio vividas.

Também em breve penso poder partilhá-las com todos vós (logo que a disponibilidade de tempo assim mo permita), fruto da edição de um livro de cem histórias reais que já se encontra na “forja”.

Mas o motivo de trazer a lume a realização desta reunião e o teor dos assuntos que nos envolveram, é procurar sensibilizar os diversos grupos de caçadores para da mesma forma se irem reunindo, discutindo ideias e projectos que defendam e contribuam para a elevação desta nossa grande “família”, para mais tarde todos juntos podermos gritar mais alto sobre as nossas verdadeiras razões e motivações.

Pretende também ser um desafio a que todos os confrades investiguem temas e acontecimentos de caça interessantes e históricos, e que os registem, para conhecimento da população actual de caçadores e também das gerações vindouras.

O impacto desses registos, poderá traduzir-se num estímulo para os jovens de hoje se entusiasmarem e/ou, pelo menos querem conhecer os contornos desta tão antiga actividade.

E porquê?

Haverá algum jovem cujo pai, avô, ou outro qualquer elemento da sua árvore genealógica não tenha sido caçador?

Penso que poucos! E eles irão gostar de ler, irão tentar descobrir entre as velhas fotos da família aqueles dos seus que amaram a caça, vão tentar saber histórias deles que os mais velhos familiares lá de casa se lembrarão com certeza, e assim eventualmente exibirem com orgulho a sua ligação aos antepassados caçadores que de uma forma saudável souberam aproveitar seu tempo de lazer, e quem sabe, virem até a segui-lhes os passos.

Para justificar a céptica leitura de alguns ao conteúdo deste texto, devo dizer-lhes que nesta reunião, tal como na maioria dos convívios entre caçadores, poucas menções houve às peças que se abateram, feriram, ou penduraram no cinto, falando-se essencialmente sobre seus falhanços e azelhices, os momentos especiais e únicos que lhes ficaram na memória, e da amizade e companheirismo que a caça lhes tem proporcionado.

Afinal, estes seis caçadores, passaram mais umas horas das suas vidas de forma saudável e activa, abordando temas construtivos e delineando projectos positivos sem tirar a vida a qualquer “bicho”, até porque, o que jantaram (bicho às postas maronês), não foi morto por eles, mas eventualmente por algum anti-caça qualquer deste país.

E para terminar, convém referir o seguinte: embora não existam estatísticas, estou certo de que 90% do tempo que os caçadores dedicam à caça é ocupado com estas e outras pequenas coisas, sendo que apenas em cerca de 9,9% desse tempo cansam as pernas na perseguição das diferentes espécies cinegéticas, e em 0.1% (estarei até a exagerar) do referido tempo, é que (e necessariamente acontece) se dá o culminar do abate de qualquer animal.

Note-se a título de curiosidade, que todos estes seis elementos gostam muito das armas de caça, mas simplesmente abominam toda e qualquer arma ofensiva ou de defesa.
 
Como dizia o Luís Pacheco, “ armas, são as de caça ...!”.

Para aqueles que tão mal têm dito e escrito sobre a caça e os caçadores, deixo aqui um exemplo do que são e fazem de facto a generalidade dos caçadores, bem como um singular convite a que venham um dia “caçar” connosco, sem espingarda, (prometemos que ninguém lhe vai dar um tiro porque caçadores criminosos só existem nas cabeças de alguns) para analisarem que a tal coisa horrível de que se fala por aí, não é assim tão trágica, bárbara ou burlesca como a “pintam”.

Luís Guimarães 06/05/2010

 

 
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Comentário(s) (4)   Comentário(s) (4)    
    E já houve outro...    
    Gostei    
    A caça sobre outro prisma ... interessante!    
    Um exemplo a seguir    
   
     
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