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Rolas
 

     

Autor: JOAQUIM MIRA DOS REIS

12-08-2010 1:48:11

 

Em minha opinião e na de muitos caçadores responsáveis não há outra solução que não seja a proibição da sua caça em Portugal até que os efectivos se normalizem.

Em primeiro lugar quero dar os parabéns ao nosso confrade, Sr. João Acabado, porque através do fórum deste site, vem propor que seja levada por diante uma petição no sentido de a caça à rola ser interditada por um período de 4 ou 5 anos. Felicito-o desde já, bem como àqueles que o têm apoiado, sendo certo que mesmo que esta petição não colha resultados concretos, mostra pelo menos que os caçadores (alguns), são altamente responsáveis defendendo o equilíbrio das espécies e seus ecossistemas, em prejuízo da sua actividade.

Em segundo lugar gostaria de tecer algumas considerações acerca da rola-comum especialmente para alertar os caçadores mais novos. Comecei a ir às rolas com o meu pai já lá vão 50 anos e naquela altura bastava perguntar aos “ganhões” ,termo que se usava para designar os camponeses, o¬nde havia restolho de "gramicha" (espécie de ervilhaca) e a caçada era certa. É bom lembrar que naqueles tempos não se fazia a cultura do girassol e as rolas eram particularmente gulosas por aquela leguminosa. Hoje naquela região o¬nde as rolas eram mais “crençudas”, bacia do Guadiana, entre S.Romão o¬nde nasci e Juromenha (antiga praça forte um pouco a sul de Elvas), será um milagre encontrar um casal que ali nidifique. E porquê? Bom em resposta eu tomava a liberdade de vos aconselhar a ler um artigo de opinião por mim redigido, que embora respeitante aos tordos, aplica-se em grande parte também às rolas.

Este artigo de Opinião, publicado neste site em 14/10/08, tem por título “Tordos: a alarvidade de um limite”. Com as rolas considero até que o caso é mais grave pois ao contrário dos tordos que são um pouco vadios por serem aves invernantes, as rolas são mais agarradas ao território o¬nde nidificam e essas são as nossas rolas, as que contam para efeitos de estatísticas, são as que se caçavam logo na abertura, as autóctones, diferentes, digamos na sua identidade, daquelas que nos visitam a partir da 1ª semana de Setembro que até podem vir da Galiza, ou do sul de Inglaterra e quantas dessas rolas se vêm agora a nidificar em especial a sul do Tejo?

Quando era miúdo na minha aldeia era frequente termos rolinhas em gaiolas, pois era fácil darmos com ninhos por serem abundantes. E agora que é feito delas? Como vamos persuadir as rolas que nidificam por exemplo no norte de África a passarem-se para cá? Ou aquelas que ainda nidificam em Espanha, França e Europa Central? É complicado não acham? Os casais de andorinhas que todos os anos fazem ninhos nos alpendres das casas da minha rua não creio que para o ano que vem acompanhem as usas congéneres até à Escandinávia só porque por hipótese o Verão este ano foi quente demais. Para bom entendedor…Por isso a questão das rolas comparativamente à dos tordos é bem mais grave. Ainda se pudéssemos fazer repovoamentos…

Em minha opinião e na de muitos caçadores responsáveis não há outra solução que não seja a proibição da sua caça em Portugal até que os efectivos se normalizem. Custa-me muito admitir isso. Eu que considero o tiro às rolas como um dos mais aliciantes e desportivos que podemos praticar na caça de espera ou de passagem. Muito mais aliciante que o tiro aos tordos ou mesmo aos pombos de passagem, porque mais difícil. Em dias de ventania, então nem se fala. Quantas vezes não levam só um tiro para assustar porque o segundo… o¬nde é que ela já vai!?... O estonteante zig-zag deixou-me a vista trocada. Outras vezes cantamos vitória antes de tempo. Pois até parecia que vinha a cair, tira-se a espingarda da cara e ei-la que retoma o voo rasando o restolho com se nada fosse. Pois meus caros confrades, vamos ter de pagar a factura. É sempre assim. Mas nós os humanos, os Homo Sapiens, deste massacrado Planeta não temos maneira de aprender. Porque é que nos permitimos até aos anos setenta e tal caçar até mais não, leia-se todos os dias, e sem qualquer limite, as rolas que a partir de Setembro migravam ao longo da orla marítima.

Bateram-se recordes em especial Cascais, Cabo Espichel, Sines e atingia-se o zénite na Ponta de Sagres, o¬nde as portas já naquela época eram disputadas nos coutos disponíveis a bom preço e com a garantia de grandes cintos (100 rolas por espingarda).

Depois, após o 25 de Abril houve uma certa acalmia resultante da lei vigente que ao instituir vastas áreas no regime de reservas do Estado estas serviram de santuários para todas as espécies migratórias que ali procuravam refúgio. Finalmente e nos anos noventa em diante assistimos à machadada final, com a possibilidade de se caçarem rolas praticamente em todo o tipo de terrenos desde que fizessem parte do regime dito ordenado cinegeticamente. E foi então que até copiámos dos nossos vizinhos espanhóis os tão famigerados “cevadouros” que proliferaram de norte a sul do país e que como todos os caçadores sabem, têm a particularidade de aglomerar às vezes num só hectare as rolas que vivem dispersas num raio de muitos quilómetros, proporcionando assim autênticas chacinas.

Perante a situação dramática em que se encontram as nossas rolas e mais uma vez friso que são aquelas que criam no nosso território, portanto não venham com as alegações do costume sobre a caça das mesmas quer seja em Marrocos, Espanha França, etc., é tempo de dizer basta.

Para terminar, penso que este movimento deveria emergir não de um única cabeça, mas dos organismos que se dizem vocacionados para a protecção e fomento das espécies cinegéticas, como seja a FENCAÇA e a Confederação Nacional de Caçadores, por exemplo. Contudo parece que estes parceiros andam mais preocupados com a data de abertura às ditas cujas, porque sendo a 22 deste mês algumas rolas se vão safar, uma vez que já iniciaram a migração para sul.

Altamente responsáveis estes senhores, sem dúvida. A propósito, li em tempos que um sr. dito responsável advogava a permissão da caça à rola-turca, aquelas cândidas aves que de tão mansas até criam nas árvores dos nossos parques, jardins e quintais. É preciso ter bom senso não acham? Com dirigentes destes…
 

 
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