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Tosse do canil, a importância da vacinação
 

     

Autor: Carla Azevedo

19-04-2005 19:30:00

 

A traqueobronquite infecciosa canina é uma doença com distribuição mundial vulgarmente conhecida por “tosse do canil”. Trata-se de uma doença altamente contagiosa que pode ser provocada por um ou vários agentes infecciosos, bacterianos e víricos. Entre os agentes etiológicos mais frequentemente envolvidos encontram-se a Bordetella bronchiseptica, o vírus da parainfluenza canina e o adenovírus canino tipo 2.

Apesar da Bordetella bronchiseptica (bactéria aeróbia gram negativa do tipo cocobacilar) ser capaz de causar por si só uma traqueobronquite (inflamação da traqueia e brônquios), normalmente é a infecção viral primária que permite que o agente bacteriano se desloque da orofaringe e induza doença no tracto respiratório inferior.

O agente é transmitido por meio de aerossóis (pequenas gotículas eliminadas pela tosse e espirros) ou objectos contaminados (jaulas, bebedouros, roupa e calçado, etc), sendo a transmissão rápida e eficiente em populações caninas com alta densidade. Compreende-se, portanto, que os animais com maior predisposição para contrair a doença sejam aqueles que recentemente estiveram em canis ou aglomerações de cães (centros de treino, hotéis de cães, dias de caça, exposições, feiras, parques, praças, abrigos e lojas de animais, etc), no entanto um simples passeio num jardim público ou a introdução de um novo animal infectado é suficiente para que o seu animal contraia a tosse do canil.
 


O animal pode contrair a doença em qualquer altura do ano, existindo contudo uma maior predisposição em meses frios.

Os sinais clínicos surgem 3 a 10 dias após a infecção, podendo persistir durante 3 a 4 semanas.

Tal como o nome indica o principal sinal clínico é a tosse seca e repetida geralmente interpretada erroneamente pelos donos como engasgo ou sufocação e cuja duração pode ir de vários dias a algumas semanas, sendo mais evidente após exercício ou excitação ou mesmo pressão da coleira. Em animais com doença mais severa ou complicada outros sinais clínicos podem estar presentes, nomeadamente tentativa de vómito após um acesso de tosse, descarga nasal, febre, apatia, anorexia e perda de peso. As infecções causadas por vírus normalmente são mais suaves e auto-limitantes. Quando existe um agente bacteriano associado, o quadro agrava-se podendo desenvolver-se broncopneumonia colocando em risco a vida do seu animal. Podem surgir complicações em pacientes imunocomprometidos, com bronquite crónica, colapso da traqueia ou anomalias congénitas.

É indispensável o acompanhamento pelo Médico Veterinário uma vez que o seu animal se encontra em risco de contrair uma broncopneumonia bacteriana. Os casos ligeiros, frequentemente auto-limitantes, podem ser tratados com restrição do exercício e da agitação. O uso de antibióticos nestes casos, apesar de opcional, parece estar associado a uma menor duração da tosse. Nos casos mais severos o tratamento passa pelo uso de um antibiótico adequado em conjunto com antitússicos (o seu uso está contra-indicado se existir broncopneumonia). A nebulização e humidificação do ar podem reduzir significativamente a sintomatologia associada a tosse do canil.

Pela elevada morbilidade da infecção, são essenciais medidas de prevenção e controlo. Sempre que ocorre um surto de tosse do canil o isolamento dos cães infectados é vital para a contenção da doença, devendo-se proceder a uma desinfecção rigorosa do canil e a um vazio sanitário de algumas semanas, antes de introduzir novos animais.


Existem no mercado vacinas com valência para os agentes envolvidos na traqueobronquite infecciosa canina, especificamente a Bordetella bronchiseptica e o vírus da parainfluenza canina. Estas vacinas podem ser de aplicação intranasal ou subcutânea, e o seu uso parece estar associado a uma redução significativa da sintomatologia desta doença. A decisão de vacinação deve ser baseada na potencial exposição de cada animal, devendo ser administrada pelo menos cinco dias antes da altura de risco e ser reforçada cada seis a doze meses. A vacinação é essencial como arma de prevenção, principalmente em animais de risco, competindo-lhe a si proteger o seu animal de estimação.



Fotografias gentilmente cedidas por Daniel Carreira

 

 
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