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Relatos de Montaria

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Montaria de Valpaço
 

     

Autor: Alexandre Valente

02-12-2005

 

   
Decorreu em Valpaço a quinta montaria do programa de montarias do concelho de Vinhais, organizada, desta feita, pela Associação de Caça e Pesca de Curopos. Pela primeira vez vi afixado, nesta época, o programa da montaria e o respectivo horário.

Cerca de cinquenta caçadores acorreram apesar do mau tempo; a chuva e o frio que fazia eram desagradáveis. Apenas para monteiros de barba rija.

O sorteio fazia-se logo no acto da inscrição, retirando-se um envelope. Ficava-se assim, e de imediato, com a informação sobre a mancha, local da solta das duas matilhas e do posto que a sorte ditara.

Depois vieram as alheiras, as chouriças, o entrecosto, o pão e o vinho e ainda o café. E muitas histórias à mistura. Estórias doutras montarias, dos monteiros, das armas, das munições, dos javalis, dos tiros, das matilhas, das saudades. Para todos os gostos.

Só depois de conferir que todos tinham tirado partido do mata-bicho, o director da montaria, o Professor Carlos Reis, falou com os monteiros para organizar a saída para a mancha.

Apanhei boleia com os caçadores que iriam ser meus vizinhos nos postos. Ao chegar fiquei muito satisfeito pois tinha-me calhado um posto excelente, mesmo ali ao lado do rio Rabaçal. Não faltavam vestígios dos javalis a toda a volta. Prometia!

Às onze e quarenta e cinco, e com ligeiro atraso, lá se ouviu o morteiro que anuncia o início da montaria.

Depois foi uma espera longa, daquelas que originaram o ditado popular: “Quem espera desespera”. Mas não pela chuva que praticamente não parou durante toda a montaria, pois os agasalhos cumpriram a sua função. Desespero sim pela demora, muito demorada. Os cães só chegaram ao local onde estava a minha armada quase no fim da montaria. E assim que chegaram o desespero, pelo menos o meu, aumentou quando se ouviram as primeiras ladras. Os encames eram mesmo ali à minha frente. Bem me tinha parecido ouvir uns grunhidos durante a espera. Mas assim que os cães deram com o cheiro dos javalis, e entraram numa zona de fetos densos e altos, apenas conseguia ouvir a correria que lá por baixo se passava, e que foi de curta duração, já que os javalis não ficaram à espera dos cães e estes precipitaram-se atrás das reses que partiam. E tão rápido como os detectaram, tão rápido desapareceram, cães e javalis. Durante todos os momentos de acção apenas ouvi os cães; mas ver, ver mesmo, nada; nem cães nem javalis. Ficou patente a inteligência dos javalis e a eficácia das suas soluções em caso de ataque. Faltou a marcação de uma portela, para impedir as reses de escaparem. O matilheiro ainda esperou o regresso dos cães, convencido que um navalheiro teria ainda ali ficado; o que infelizmente não se veio a confirmar.

O momento tenso desvaneceu-se, mas por pouco. Mais adiante, novas ladras, mas era tarde demais pois não tardou a em fazer ouvir o morteiro de fecho da montaria. Eram praticamente quatro horas da tarde.

O saldo traduziu-se numa meia dúzia de tiros, ou menos, a quatro reses, e todos falhados.

Tive o privilégio de poder acompanhar parcialmente a recolha das matilhas. Um trabalho duro, penoso, demorado, a que se dá pouca importância e relevo. Valeu a conversa do matilheiro, vizinho ali da raia, durante a viagem. Conversa viva, de linguagem rude, que não me parece conveniente aqui relatar.

Almoço farto e saboroso, cozinhado e servido pelos amigos caçadores da Associação de Caça e Pesca de Curopos. Afinal um caçador que se preze também se desenrasca, e de que maneira, na cozinha.

Os meus Amigos transmontanos não me deixaram partir sem uma lembrança (aguardente e umas castanhas) que já me deliciou no aconchego caseiro. Bem hajam!
 

 
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