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Relatos de Montaria

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Brincadeiras do Chico
 

     

Autor: António Inácio

16-12-2005 11:50:00

 

   
Saí de Milfontes às 7,15, com o Caim e o Nuno, este foi como “lavagante”, para estarmos em Oriola, ali ao lado de Portel, às 9horas. O objectivo era ir matar uma “mão cheia” de porcos, pois o organizador dizia que íamos matar um porco cada.
Como é da praxe bebeu-se um café na “Sónia” e aí vão eles.


Estava um dia frio e soalheiro, mesmo bom para se estar no campo.

À hora combinada, lá estávamos. Cumprimento para aqui e para ali, somos quase todos conhecidos uns dos outros, e fomos tomar o pequeno-almoço, como é habitual nestas coisas.

Qual é mancha?
Era a pergunta que se impunha, havia alguns palpites mas parece que só quem sabia era a “organização”.

Após uns odores e sabores, bem agradáveis, o Chico Rosa chamou-nos, e numa conversa entre amigos, disse-nos, que aquilo era uma brincadeira, mancha pequena, com umas gadelhas de mato, havia 18 portas marcadas, mas só iam ser ocupadas 15.

As matilhas eram duas, a do Chico e a do Lavadinho.
O pagamento era só no fim, dependendo do quadro de caça. Se a primeira mancha corresse menos bem, faríamos uma segunda.

Rezou-se um pai-nosso e procedeu-se ao sorteio. No envelope que escolhi estava o nº15.

Fomos nas nossas viaturas até à herdade, reunimo-nos, junto a uma barragem e ai é que fomos entregues aos respectivos postores (Chico Rosa e Manuel da Cruz).

O Chico avisou-nos que era bom não se baterem as portas dos carros nem as culatras das “meninas”, porque os porcos se lá estivessem eram fáceis de espantar.

A minha porta não tinha mato à vista, cabeço limpo à minha frente, uma linha de água uns 40 metros à minha direita. Onde esta aparecia havia uns eucaliptos e umas silvas.

Terreno sempre a subir para a esquerda e também a subir ligeiramente para a direita após a linha de água.
Vento nas costas (que chato).

Perguntei ao Chico como ia ser e ele respondeu-me num sussurro que os cães inicialmente vinham das minhas costas, depois rodavam da minha direita para a esquerda.

Como não havia mapa pressupus que a mancha seria à minha frente, mas mato nem vê-lo.

Comecei a ouvir os cães, lá longe, e não demorando muito, duas zorras a passarem entre a minha porta e a 16, bem próximo desta. Bonitas, desconfiadas, aperceberam-se da presença humana, separaram-se, deram uma corridinha, foram juntar-se mais à frente, entraram para a mancha.
Passou mais um pouco, outra zorra vindo da mesma direcção, esta mais próximo de mim, deixei-a passar, não me viu, mas ia bem desconfiada, foi na mesma direcção das outras.
Gosto que passem zorras na minha porta, dão-me alguma fé, parece que os porcos gostam do cheiro das zorras.

As duas matilhas entraram na mancha, que eu na altura ainda não sabia bem onde era.
Não demorou muito ouviu-se um tiro, depois outro, ladras, ouvi uma porca gornir por detrás do cabeço que estava à minha frente, mais tiros, a coisa começou a compor-se.
Ouvi um tiro à minha direita, olhei e vi um belo porco que vinha pela linha de água a baixo, porco na mira, tiro, vi a bala bater no chão, atrás do porco, novo tiro, nada, terceiro e ultimo tiro, já em desespero de causa, porco no chão, jogou-se, ou caiu, sei lá, para um pequeno magote de silvas que ali havia. Tentou levantar-se, caiu novamente, deixei de o ver, ficou no meio das silvas.

Recarreguei a carabina, comecei a aproximar-me, o meu companheiro da porta 16 dizia-me:
Tem cuidado, o porco está ferido e pode atacar. Esperámos e nada, o “lavagante” dele foi aproximando-se, até que disse que o porco estava morto.
Fomos ver, retiramo-lo de dentro de água. Belo porco, capei-o.

Tinha um tiro ligeiramente enviesado, que entrou no lado direito na zona das costelas e que saiu na espádua esquerda.
Estava todo contente como é lógico nestas ocasiões e regressei para a minha porta, então não é, que vi um porco a andar de um lado para o outro lá junto aos eucaliptos, sem cães, coitado, não sabia o que fazer ,parou ,apontei, Bum… ficou esperneando.
Fui lá, era um tiro de coluna, rematei-o, capei-o e finalmente regressei a minha porta.

Já estava!

Mais tiros mais ladras. Acabou.

Deslocamo-nos para onde estavam as viaturas que era ali bem perto, e fomos para a barragem de onde tínhamos partido com os postores.

Esperamos um pouco pelos porcos e fez-se um bonito quadro de caça, constituído por 13 porcos, um deles o navalheiro, que desta vez me calhou a mim.

Somente a porta 14 é que não atirou.

Um Monteiro contou os tiros e diz que foram 49. O Chico quase que acertou com o palpite pois só faltaram dois porcos para dar um a cada.

O meu amigo Caim falhou um navalheiro da marca maior. Bela brincadeira e um dia bem passado.

Fotos da praxe, e ai vão eles a caminho do restaurante. A outra mancha, vamos faze-la no Sábado com 12 portas.
 

 
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