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Relatos de Montaria

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Montaria da Quinta da Boavista - Maçores
 

     

Autor: António Pinto Camelo

31-12-2005 11:55:00

 

   
No passado dia 19 de Novembro, organizada pela empresa Dourocaça, realizou-se na Quinta da Boavista, em Maçores – Torre de Moncorvo, uma montaria ao Javali, a primeira nesta época de caça.

O dia iniciou-se com os preparativos do taco pelas 08H00 da manhã. O efectivo do pessoal do Restaurante O Lagar, pôs as mesas e nelas os tradicionais produtos da região, tais como o presunto, queijo, salpicão, fiambre, pão, azeitonas e só quando chegaram os restantes monteiros, pelas 09h00, é que se deu inicio ao assamento das alheiras e chouriças que apetitosamente devoradas desapareciam à medida que eram servidas. Animados, recordávamos jornadas anteriores e espicaçávamos os matilheiros, se os canídeos se encontravam em forma de galgar o espesso monte da Serra.

Finda esta refeição, e depois de colocadas as conversas em dia, o que nisto de caçadores se prolongam bastante tempo, teve lugar o Sorteio das 45 portas. Depois, vieram as costumeiras dúvidas acerca da porta sorteada, geralmente acontece, o monteiro, questionar o pessoal da entidade gestora, se aquela é ou não uma boa porta e quais as probabilidades de ter êxito nela.

O envelope fechado, continha uma folha com a identificação da porta sorteada, o mapa em carta topográfica e as respectivas localizações das restantes portas, incluindo a sorteada, no verso da página, as normas de segurança e ética do caçador, e ainda, uma fita de material sinalético com a inscrição a tinta do número da porta correspondente à porta, com a finalidade de o monteiro a usar no exemplar como marca.

Armas e bagagens disponíveis, era hora de acavalar nos veículos dos postores e iniciar a montaria. A montaria iniciava-se com a colocação no terreno dos monteiros. O tempo estava frio, o dia estava limpo. O vento era forte, que ora soprava de poente, ora de nascente.

As matilhas entraram pelas vertentes da Serra em direcção à mancha, uma por cima do Sobrelhal a outra, pela Urzeira. De imediato, frutaram daquelas encostas íngremes e impiedosas de travessio, uma vara de javalis que, amedrontados com aquelas matilhas de cães, dispersaram-se em direcções várias de encontro aos monteiros. Sentiram-se os primeiros tiros, foram de carabina. Passados uns 30 minutos depois do início, no meio daquele monte composto por carquejas, estevas, giestas e silvas, da altura do peito de uma pessoa, já o mato era vergado pelos trapalhões animais que fugiam a sete pés.

Eu, colocado na estrema de uma pinhal, aguardava paciente a visita de um deles. Felizmente, fui abençoado, duas vezes. Tiveram a amabilidade de se chegarem quase junto a mim dois bácoros que não eram listados, e tinham já pelagem comum. Reflecti... não disparo sobre animais de que não possuam uma estrutura média.

Finalizada a montaria, fomos recolhidos e transportados para o local da sala de convívio para almoçarmos. Só lá é que soube do resultado. Pois tinham-se ouvido cerca de 30 tiros. O resultado foram estes dois belos exemplares. Assentes no solo pedrejado do casario rural, estendiam-se aqueles dois animais (um casal), com cerca de três anos de idade, conclusão unânime dos presentes monteiros, pelo troféu visível.

Hora de almoçar. O restaurante esperava a concentração do pessoal envolvido para começar a assar a típica carne transmontana e servida daquela forma tão hospitaleira que nós assim o sabemos fazer. A posta à mirandesa, esse prato tão representativo destas terras. Esta delícia, foi acompanhada com os bons vinhos desta região, onde aponto a preferência do maduro tinto da casa, o verdadeiro néctar de Baco. Mais dois dedos de conversa enquanto se finaliza a tarde, ao sabor de um café expresso e um digestivo, foi tempo ainda de uma rapsódia musical, e foi o fado adoçar o ouvido a mais de meia centena de participantes, quando um deles, a meia voz, entoou as melhores melodias do dia, dizem ainda, que o vinho não faz efeito... Pneus à estrada que se faz tarde, meu amigos, tudo correu bem..... E foi assim, tudo corre bem, acima de tudo, sempre que não haja acidentes e que a habilidade e a sorte nos vá dando a oportunidade de avistarmos uns javalis de vez em quando.
 

 
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