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Relatos de Montaria

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Montaria na Herdade da Baliza
 

     

Autor: Manuel António

13-03-2006 11:30:00

 

   
A ZCT da Herdade da Baliza fica em Malpica do Tejo, situada na margem direita do Tejo Internacional e é uma Zona privilegiada no que se refere às espécies de caça maior.


Sempre ouvi falar desta Herdade como sendo o local da Região de Castelo Branco, onde começaram há muitos anos a aparecer os primeiros cervídeos, vindos de Espanha, e como sendo o segundo maior dormitório de Torcazes da Europa. Além das condições cinegéticas, esta ZCT oferece condições de comodidade aos seus clientes, possuindo um pavilhão de caça e uma sala de desmanche, além da boa Organização.

Foi por isso que eu participei na Montaria de 11 de Fevereiro deste ano, e na qual aconteceu a história que eu vou contar!...

…tinha acabado de chegar ao posto que a sorte me tinha sentenciado, designada a “porta B”, ficando esta numa travessa da Mancha. Ainda estava a “ler” a possível passagem das “reses” quando avistei dois javalis que já tinham “farejado”o perigo e tentavam mudar para lugar mais seguro. Imediatamente, com uma velocidade que ultrapassou o “pensamento” e com alguma “tremedeira” de ansiedade, tirei a carabina da “funda” e enfiei uma bala 30.06 na câmara desta, sem ter tempo para introduzir o carregador e quase sem apontar premi o gatilho. Quase em simultâneo os “porcos”desenfrearam uma corrida, desaparecendo num ápice do meu campo de visão. Mas a ideia também era a de na possibilidade de não acertar, fazê-los correr para o meu lado esquerdo, no qual estava a última porta da referida travessa, sendo esta o “posto A”. Passaram somente 10 segundos e o “morador”desta, disparou 3 tiros seguidos de mais 2, depois de fazer o necessário intervalo para recarregar a carabina.

Seguiu-se um silêncio de alguns minutos, interrompido “abruptamente” pelo “troar” do foguete que iniciava a Montaria.

Passados poucos segundos deste, ouvi novamente mais 2 tiros vindos do meu vizinho da “Porta A”que me interromperam o pensamento e instintivamente sem dar por isso, fiquei transformado em “estátua” mas em alerta máximo, onde só era permitido mexer os olhos na expectativa de ver as reses (Javalis ou veados) virem ao meu encontro. Mas não chegaram e eu pensei que esse meu vizinho tivesse efectuado algum abate. Novamente após alguns minutos, uma “ladra infernal” obrigou-me a respirar fundo para controlar o “fluxo sanguíneo” que já estava a uma velocidade de “competição”,mas não avistei nenhum cão e ouvi o “grunhir” de dor de um javali que tentava desesperadamente numa luta desigual “desprender-se “ dos “caninos afiados” dos elementos da Matilha, não o conseguindo. Percebi-o, pelos sons cada vez mais fracos que emitia, até ficar em silêncio total. Seguidamente, ouvi novamente mais uma “ladra” de outra matilha que mais uma vez me “petrificou”, sendo imediatamente apanhado no meu “radar visual” um javali em fuga à frente daqueles valentes cães. Vindo este na minha direcção, mas tendo que passar “transversalmente” pela porta do mesmo vizinho, que eu pensava já não ter balas, o qual, lhe enviou “mais três delas”, ferindo-o nos “quartos traseiros” fazendo-o entrar num “bailado arrepiante” mas continuando a correr pela sobrevivência, sendo contudo, obrigado a perder terreno aos “seus carrascos” chegando até 20 metros de mim. Encoberto pelo denso matagal, pelo qual, eu tentava descortinar algumas frestas, conseguindo numa disparar um tiro que novamente fere o animal, que em agonia encara o “agarre” com bravura.
Nesse momento, e a meu pedido a “porta A” (sempre a mesma), dirigiu-se ao meu local para proceder ao “remate” do javali, minimizando-lhe o sofrimento e proporcionando-me algumas fotos fantásticas.

Resolvida mais esta situação, voltei a “empoleirar-me” em cima da pedra alta e estreita que eu tinha definido como “quartel-general” e que se encontrava no local da fita numerada. Já satisfeito de ver e sentir tanta acção, sentei-me e voltei-me a perder no pensamento. Enquanto pensava, ouvia uns pequenos ruídos que não mereceram a minha atenção de imediato, por terem acabado de passar à pouco tempo algumas matilhas pelo meu “posto”, e inclusive ter estado a falar com um Matilheiro e também a espantar alguns cães que tentavam ludibriar o dono e queriam ficar comigo na “porta”. Pensando que seria algum desses cães, não tinha a intenção de olhar para o local de aonde continuava a ouvir uns leves ruídos. E foi quase sem querer que pelo “canto do olho”, vejo um bom javali a sair do mato por uma vereda a 10 metros de mim. Imediatamente, num movimento instintivo tentei pôr-me de pé, desequilibrando-me e sacudindo-me bastante para não cair da pedra, não conseguindo apontar e muito menos efectuar o tiro. Com tal “esbracejar” o porco pensou que talvez eu fosse “um polícia sinaleiro” agradeceu-me e voltou a entrar no mato, continuando o seu caminho para a minha direita.

Olho instantaneamente para a “Porta C” e falei-lhe num “dialecto gestual” que havia ali um “porco” e para ele estar atento. Passou-se entre 5 a 10 minutos e nada. Estando eu agora só a vigiar os movimentos desse posto, começando a acreditar que o javali se tinha “evaporado”. Até que vi o Monteiro da referida “porta” a apontar e a efectuar um disparo, hesitando no segundo que não chegou a efectuar e confirmando-me depois na mesma “linguagem gestual” que tinha tido êxito no “lance”.

Desde aí até ao final da Montaria, pude ouvir mais uns bons tiros e umas tantas “Ladras”. Estava ansioso pelo foguete “finalizador” até que o eco do estrondo deste “galopou” pelas linhas de água. Pude então satisfazer todas as interrogações que até esse momento se agigantavam na minha cabeça.

Na minha zona, entre disparos certeiros e “agarres” jaziam 8 javalis. Comecei então a ajudar no “cobro” destes, que devido ao relevo bastante acidentado estavam bastante difíceis de retirar. Metade tiveram que ser puxados para baixo onde fica o rio Tejo e retirados de barco e a outra metade para cima, com a ajuda de um pau e uma corda, em ombros.

A “Junta de Carnes” que é o quadro final das Montarias, estavam em exposição 17 javalis.

No final, a satisfação dos participantes era geral, e ouvia-se comentar que afinal ainda há Montarias aonde não se come “gato por lebre”.
 

 
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