| | 524 Utilizadores on-line |    

Login [Entrar]

 
   
 
 
Relatos de Montaria

Início

Anterior

Próximo

Fim


Montaria da Cabeça do Velho
 

     

Autor: António Inácio

13-11-2006 10:00:00

 

   
Dia 29 de Outubro de 2006, em vez de ter juízo e ir tentar abater uma lebre, uma perdiz ou um coelho, aqui próximo de casa, uns amigos, que também têm a mania dos javardos, convenceram-me a ir a «eles» ali para os lados do Barranco do Velho, Serra do Caldeirão, mais concretamente na Cabeça do Velho, e a cabeça é bem longe do Barranco.

Tinha alguma curiosidade, a Serra do Caldeirão e o Barranco do Velho só os conhecia de passagem para o Algarve, e já havia muitos anos que lá não passava.

Eles estiveram lá o ano passado e disseram-me que aquilo era um espectáculo em mato, serras e porcos. Não resisti, mas não muito convencido, pois as vezes que fui aos "porcos marafados", as coisas nunca correram muito bem.

Saída de V.N. Milfontes às 6:30, e aí vão eles (Caim e Oliveira) a caminho do Algarve. Encontramo-nos em Messines com o Pratas e mais dois companheiros, seguimos até à Cabeça do Velho.

Juntámo-nos na sede do Futebol Clube Cabeça do Velho onde comemos uma bucha, bebemos um copo e um cafezinho.

Gente simpática, simples e acolhedora.

O sorteio ia-se fazendo conforme os monteiros iam chegando, nós fomos os últimos a candidatar-nos à escolha de uma das seis bolas numeradas, que restavam no saco.

Esta forma de sorteio não é do meu agrado, também não fomos informados se havia ou não director de Montaria.

Deve de haver uma atracção do nº 1 por mim, pois como na última montaria, voltou a colar-se-me à mão.

Não havia um mapa da mancha, o que também seria conveniente.

Éramos cerca de 35 Monteiros, duas matilhas e duas "meias matilhas".

Fomos distribuídos pelas carrinhas e respectivos postores e aí vamos nós aos javardos.

O dia estava «macio», nem quente nem frio, embora estivesse um vento «levante» que não era muito agradável.

Mal tinha começado a saborear a paisagem de cima de uma pik-up, quando a mesma parou e fui informado que a minha porta era ali mesmo.

A porta até tinha jeito. Ficava numa portela que, minutos mais tarde, vim a saber que se chamava a portela do Barranco do Velho. Não havia rastos de porcos nem veredas corridas, mau sinal, mas um porco que quisesse voltar para trás teria que passar por ali. Do «velho», já conhecia o barranco a cabeça e a portela.

Preparei armas e bagagens, inspeccionei as redondezas, fui ver se encontrava a porta dois, mas era muito longe, e desisti.

Mancha muito bonita, muito "mato", sobreiros, alguns pinheiros, terreno dobrado, muito bom aspecto.

Passado pouco tempo chegaram os carros das matilhas que largaram a uns 100 metros à minha direita.

Passou-se uma boa meia hora e nada, comecei a desconfiar, mas passado pouco tempo, começaram a ouvir-se umas ladras os gritos dos Matilheiros e vá tiro e mais tiro. Os porcos iam todos na direcção oposta, muitos tiros, contei entre 90 e 100 tiros.

Esperei, esperei, e desesperei. Passaram por ali carrinhas de caixa aberta, fechada, camionetas, bicicletas, uma porta muito movimentada, mas porcos nada.

Quando ainda tinha esperanças que, no regresso das matilhas, aparecesse por ali algum animal, comecei a desconfiar que não houvesse regresso das matilhas a caçar, e assim foi.

Começou e terminou a boas horas.

Pensei cá para comigo, que deveria de haver pelo menos uns 9 porquinhos abatidos, enganei-me redondamente, não passou dos 4. Um deles, um senhor navalheiro, quase de certeza uma medalha, coube ao Pratas. O meu amigo Oliveira também matou um porquinho.

O almoço foi um cozido de grão, que por sinal estava óptimo.

Com os porcos que lá parece haver, podia ter sido muito melhor, mas como não se matou porca nenhuma e só porcos com menos de 40 kg .Sem intenção, fez-se a gestão correcta dos javardos, ali na zona.

A justificação para tanto tiro e um resultado tão fraco é capaz de se dever à pouca experiência dos participantes, características do terreno e poucas carabinas.

Se me convidarem não me importo de lá voltar.

Talvez a próxima seja melhor, eu tenho fé e até acho que não vou tirar a porta nº 1.
 

 
Imprimir   Imprimir
     
     
     
     
 
 
 
Votos (44)    
 
     
   
     
  Voltar

 
 

| Ficha Técnica | Aviso Legal | Política de Privacidade |

 

(TES:0s) © 2004 - 2019 online desde 15-5-2004