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Relatos de Montaria

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O 1º Encontro de Matilhas - Talhas, Macedo de Cavaleiros
 

     

Autor: Alexandre Valente

15-01-2007

 

Aspecto parcelar do local de concentração das matilhas
   
Preparação do pequeno-almoço e degustação
   
Atenção dos monteiros antes da partida para a mancha
   
Quadro de caça e navalheiro abatido
   
Aspecto da mancha visto da minha porta
   
Comecei a inscrever-me para participar em montarias em Janeiro de 2005 e, desde então, constam no “vasto”curriculum 15 montarias (incluindo esta), a maior parte das quais já aqui partilhei convosco.

Por várias vezes referi que o número de matilhas tinha sido considerado insuficiente, não porque verdadeiramente percebesse do assunto, mas sobretudo pelas opiniões de monteiros experientes que ouvia no final e que, muitas vezes, coincidiam com a minha própria opinião.


Ora este fim-de-semana, 23 de Dezembro, tive oportunidade de viver uma experiência que dificilmente esquecerei, qual presente de natal antecipado. Valeu os 500 km da viagem!

A montaria foi na ZCA de Talhas (Macedo de Cavaleiros), numa mancha de cerca de 1300 ha e, pela primeira vez, não ouvi (posso-vos garantir!) de boca rigorosamente nenhuma, que o número de matilhas era insuficiente para a dimensão da mancha.

Quantas matilhas (com cerca de 25 cães) seriam necessárias? Mais de 38?

Seguramente que não!

A minha última contagem, certamente antes de todas terem chegado, ascendia já a 30.

Isto corresponde a dizer que havia qualquer coisa como seis a oito cães (caso todas as matilhas tenham comparecido) por cada um dos 122 caçadores presentes, ou uma matilha para cada 40 ha!.

Matilhas vindas de terras tão distantes como a Serra da Estrela, Penela da Beira, Mealhada, Sernancelhe, as zonas do Águeda e do Vouga, Viana do Castelo, uma ou outra de Espanha e até uma de França. A maioria era contudo, com aliás seria de esperar, de origem transmontana.

Sim, é verdade, pois tratava-se de um evento especial, o 1º Encontro de Matilhas.

Imaginem um campo de futebol cuja moldura não fosse humana, mas antes canina, ou melhor, formada pelos veículos que transportam as matilhas. Um belo e ruidoso quadro, asseguro-vos!

Não são necessários grandes elogios à forma como fui, fomos todos, recebidos, já que bem sei, todos sabemos, como é a hospitalidade dos transmontanos e quais são as qualidades da sua farta cozinha. Tão farta que conduz inevitavelmente a pequenos atrasos no desenrolar do programa.

Antes da partida para a mancha as tradicionais intervenções do presidente do clube organizador, do presidente da Junta, que sempre apoiam estas iniciativas e, quando previsto, do director da montaria.

Só que desta feita fiquei surpreendido, eu e alguns dos outros caçadores presentes que tomavam atenção às suas palavras, pela intervenção deste último, neste caso o Senhor Engenheiro Barreira, pelo tom político, no mínimo politizado, da mesma.

Quais regras de segurança, qual Pai-nosso, qual lembrança dos Monteiros que já se juntaram a Santo Huberto!

Ataque à lei das armas, ataque aos ecologistas/conservacionistas, apelo à união e à acção por parte dos caçadores! Não que sejam assuntos de somenos importância, mas não me parecia ser aquele o palco para um comício. Mesmo assim mereceu as palmas de alguns monteiros.

Transporte para a mancha adequado e colocação rápida nas portas são ainda pontos favoráveis à organização. Alguns monteiros conseguiram contudo iludir a organização e, por conhecerem o terreno, adiantaram-se e deslocaram-se para os seus postos em veículos próprios, sem contudo avisarem a organização. Foram repreendidos, espero que duramente!

Apesar da contribuição da armada em que estive integrado para o quadro de caça ter sido nula, o saldo final da montaria é sem dúvida positivo.

Um dia bonito e soalheiro, apesar de frio!

Muitas aves levantavam, assustadas com o trabalho das matilhas.

Vi, tinham-me dito que as havia, muitas perdizes, e que bravas elas eram, e ainda uma raposa!

No final vi ainda um quadro de caça digno de registo.

Nove javalis, sendo de salientar uma fêmea de bom tamanho e um bonito navalheiro!

Mas sobretudo gostei desta montaria pois facultou-me a possibilidade de apreciar o trabalho das várias matilhas (nunca tinha estado num posto que me permitisse tal apreciação) que passaram na zona onde estava colocado.

O grande número de matilhas, e por isso de cães, não deve ter permitido que ficassem muitos metros quadrados por explorar. As matilhas andavam lado a lado, às vezes de forma menos coordenada (mas inevitável!), dado o número de participantes e o tamanho da mancha, enfim, da dimensão deste evento.

Daquilo que me foi dado observar, o número de matilhas pode ser importante mas é-o igualmente a forma como trabalham.

De facto apenas o grande número de matilhas permitiu uma boa exploração do terreno, já que a grande maioria das matilhas que passaram ao alcance do meu campo de visão me pareceram, e no final ouvi outras opiniões concordantes, muito pouco eficazes.

Os cães rodeavam o matilheiro, ou matilheiros, afastando-se em regra muito poucos metros do(s) mesmo(s); formariam, poderei assim dizer, quase que um círculo de cinco metros de raio em torno dele(s).

E por muito bem que fossem conduzidos, a área batida por cada matilha acabaria assim por ser relativamente reduzida.

Só em ocasiões em que algum javali era detectado é que podíamos aperceber-nos das movimentações dos cães, a responderem às ladras uns dos outros, juntando-se e procurando pistear o animal.

Nesta fase será normal que alguns matilheiros percam mesmo “o tino” a parte da matilha. Um deles, que passou por perto de mim peto do final, queixou-se mesmo de lhe faltarem muitos cães.

Viam-se por isso muitos cães que, subindo e descendo aquelas encostas agrestes, tentavam a todo o custo reunir-se às matilhas.

A pequena eficácia das matilhas pôde ser apreciada e confirmada por um episódio singular. Tinham as matilhas passado à pouco tempo pela linha da armada, deixando todos meio desapontados, quando um dos monteiros descobre um javali que, após a passagem da matilha, pacatamente sai do encame e se dirige em direcção oposta à que levavam as matilhas. Dois dos monteiros ainda tentam oferecer-lhe uns enfeites feitos com chumbo, à laia de prenda de Natal, mas o dito javali, de forma desagradável e pouco cordial, recusou aceitá-las e continuou no seu caminho sem pressas, olhando por diversas vezes, e com desprezo, para as matilhas, os matilheiros e os monteiros.
 

 
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